Capitulo 16 - Como ela é brincalhona !
[Charles]
Os dias estavam a correr bem, a minha adorável companheira estava adaptar-se muito bem ao meio e aos meus velhos amigos de longa e divertida jornada. Nunca na vida tinha pensado ser capaz de ser tao feliz quanto agora o era e podia continuar sempre a ser. A sua presença iluminava os meus dias.
Jamais esqueceria o primeiro dia em que a vi e por acaso a salvei de ser aviloentada por aquele tipo que era de meter nervos e nojo. Nunca lhe tinha revelado essa parte, pois tanta coisa tinha acontecido que isso acabou por cair no esquecimento. Olhei para ela e vi que pensava.
- Meu amor ! - chamei.
- Sim ! - respondeu, saindo do seu mundo.
- Estas com a cabeça na lua. - ela ficou com cara de caso e de certo imaginando como eu conseguia sempre a surpreender.
Abracei-a com o meu abraço forte e carinhoso, gostava de a sentir colada ao meu peito, embora ja nao ouvindo o seu coração humano bater. Estávamos juntos e isso era o que importava.
Lutamos juntos por isto e a prova estava a vista de todos. Beijou-me sentindo a intensidade do nosso amor intenso, apaixonante e aceso. Jamais eu iria esquecer tudo o que passei para ter de volta, e aquilo pelo que tivemos de passar para agora pertencermos a este mundo.
- Estas tao linda hoje ! - peguei-a levantando no ar girando.
Reparei que ela tinha fechado os olhos para sentir cada sensação para dentro de si. Sentindo o vento a bater no seu rosto de de boneca, o cheiro da terra, e tambem o som dos passarinhos cantando, os movimentos dos humanos caminhando, o buzinar dos carros reclamando... Um monte de sensações tao diversificado e completamentar, cada coisa completava a outra, tal como ela me completava a mim. Fazíamos parte do conjunto da natureza.
- Nunca tinha percebido como a natureza consegue ser tao maravilhosa! - falou. Baixei-a um pouco ficando ao nivel do meu olhar.
Como os seus olhos cor de sangue eram tao lindos quantos os seus olhos cor de mar foram. Brilho estava lá, a tonalidade é que tinha alterado.
- O que os nossos olhos veem, nenhuma outra pessoa ve! - lembrei-me desta frase que um dia o meu pai me tinha dito.
Tal como ela tambem amava o espaço a minha volta, cheira-lo, ouvi-lo, senti-lo. Tudo isto me acompanhava desde a minha mudança, era a minha casa, o meu consolo das horas vagas ou complicadas. Tinha sido este abrigo que me tinha acolhido quando achei-me perdido, quando descobri que estava realmente apaixonado por uma humana.
- Vem quero-te mostrar uma coisa que ainda nao viste e de certo vais adorar. - peguei a sua mao puxando apressadamente. Se ela ainda fosse humana estaria a ser arrastada por mim.
Trilhamos um caminho de acesso a um lugar maravilhoso e que de certo ela ia dorar pois eu adorava e nao trocava por outra coisa mais super-fula que existi-se.
- Fecha os olhos ! - pedi.
Estava atento a toda as suas artimanhas de fazer batota, no entanto ela sabia muito se o fizesse eu a apanhava, e entao coloquei as minhas maos sobre o seu rosto, garantindo assim que a surpresa se manteria tal como o planeado. A sua insistencia em saber o que estavamos a fazer deixava-me nervoso, ate por fim parar no sitio que a pretendia trazer. Percebi que ela estava a tentar sentir o cheiro a flores silvestres. E finalmente ritiro as maos.
Abre os olhos e a boca tambem num "O". Talvez por pensar estar a ver um sonho. O seu estado fica alterado pela emocção.
- Gostas ? - perguntei querendo saber a sua opinião.
Como eu conhecia tao bem os seus gostos. Como a cada dia me ficava surpreso por a ver surpreendia com coisas tao elementares. Fixou o seu olhar na bela campina carregada de flores silvestres e pequeno lago. O aspecto deste lugar fazia me lembrar o tempo em que ela vivia em Milão e gostava de aproveitar as suas tardes de fim de semana a beiro do rio calmo e cristalino.
- Eu sabia que tu adoravas a vida ao ar livre, por isso troce-te a este lugar. Quando era humano costumava vir para aqui, passava grandes tardes, nunca me vou esquecer.
- É estranho !
- Estranho? Porque? - ate onde eu via nada parecia anormal.
- Quem olhar para ti a primeira vista pensa que tives-te uma vida de farra, cheia de mulheres bonitas, dinheiro, álcool. - ela estava a ser sincera, nao mentia, era espontânea nas suas ideias.
Esta minha condição consagrava-me o poder de saber o que realmente era verdade e mentira. Neste caso por mais que disse-se a mim mesmo que o passado estava esquecido e guardado, haviam sempre frestas que nao era possível apagar. Por mais que pensa-se que ela nao tinha nada haver com aquilo que fiz, nao conseguia mentir ou sequer enganar nesse aspecto. Se estava com ela nao podia deixar sombras para duvidas, pois isso era algo que podia destruir a nossa relação a tanto esperada.
- A primeira vista sim, nao vou mentir, dado que tambem nao gosto que me mintam. Posso dizer que gozei tudo o que um humano da minha idade podia gozar, nada que a senhorita ja nao tivesse feito.
Tentei reverter o jogo a meu favor, como elas gostavam de sacudir a sua agua do capote, sendo que eram tao culpadas quanto nos. Ate podia gostar de exibir-me o que ate era perfeitamente normal para um homem, mas por outro lado tambem gostava de saber as coisas mais atrevidas delas, os chamados furos.
- Ok, ganhas-te! Estamos quites. - sorriu e saltou no meu colo.
Beijei-a em seu pescoço causando uma cocega e disse :
- Minha morena !
- Meu loirão ! - agarrou o meu cabelo curto fazendo um enrolando no seu dedo.
- Gostas muito de brincar senhorita. - ri-se as gargalhadas.
Saltou para o chão e começou a correr, fui a trás dela para me apanhar. Entrou pelo cume da floresta sendo que assim daria mais trabalho a mim e tambem exibiria as minhas técnicas de agilidade.
Ainda teve a corajem de saltar num tronco de uma árvore, trepou ate ao cimo, sentou no ramo e ainda com sua cara de malandra mandou um beijo convidativo.
- Manhosa! Vem aqui ! - chamei por tudo.
Em vez disso mantivesse no mesmo lugar apreciando a vista. Realmente este sitio tinha outras coisas que fazia dele a nossa delicia de aqui estar. A paisagem era fenomenal.
- Nao vens para baixo ? Eu vou ai ! - ameaçei.
Continuo a sua observação descontraída e descabida da minha ameaça. E comprido com as palavras, comecei a subir era claro que o tronco tremia e ela largava sempre olho para mim. Sorriu e levantou-se ficando de pé no ramo. Nao estava acreditar que o meu esforço de subir estava a ser deitado fora.
- Espera por mim ! - olhou uma ultima vez na minha direcção e pronto saltou. - És muito brincalhona. - disse.
Estávamos tao distraídos com a brincadeira que nem demos pela chegada de um estranho no nosso espaço. O que inicialmente parecia clima de amor e festa, tornou-se em clima de tensão dado que Mak estava tensa ao ponto de querer atacar.
Desci logo da árvore colocando-me no seu lado e o cheiro desse alguem desconhecido estava cada vez mais próximo, nao era ninguem dos meus amigos, pois assim reconheceria o cheiro a léguas, foi ficando mais intenso o cheiro. Comecei a ver uma sombra, aparentava ser um homem, o seu cheiro identificava a sua especie, um vampiro e nomade. Ela olhou uma vez para mim, na esperança de tentar entender a situação. Ela nao mostrava medo, tambem porque nao havia motivos para tal, visto que eu a protegeria de qualquer coisa.
Finalmente o estranho da a cara a conhecer, tinha um aspecto um pouco selvagem e sedento. Os seus olhos escuros denunciavam a sua sede.
- Quem és tu? - perguntou tal como um dia fiz a mesma pergunta a mim e tambem com a mesma frieza na voz.
- Garrett !
- O que fazes aqui ?
As vezes abusava chegava a pensar que o seu caminho mesmo devia ser no mundo dos policias e ladrões, pois nunca deixava o seu interrogatório e e ja estava provado que ja era uma situação generativa. Humana era, vampira continuava.
- Bom estava de passagem por este lugar e cheirei algo conhecido. - a sua resposta nao a agradava muito, ela nao estava habituada a este tipo de situações. Ainda muito para aprender.
- O meu nome é Charles e esta pequena é a minha companheira Makenna.
Definitivamente ela fez uma cara de meter medo a qualquer um, eu sabia que la nao gostava quando a tratava por pequena, mas era a sua fisico, nao podia negar. Quando Garrett se preparava para de certo contar algo, ela nao perdeu tempo para mais um disparate de afirmação.
- Ja nao caças a algum tempo. Os teus olhos denunciam a tua sede. - afirmou.
Ele arregalou bem os olhos. E nao era para menos, nisto ela era muito melhor observadora que eu, embora soube-se as caractericas que nos contínhamos.
- Nota-se assim tanto? - questionou ele surpreendido.
- Makenna esta a exagerar ! Não é meu amor ? - tentei meter isto com o tom de brincadeira, nao queria de modo algum dar a conhecer o nosso desagrado.
Puxei-a um canto.
- Estas a passar-te? Ele é uma visita tal como nós. No minimo tenta ser simpática. - avisei.
- Estou a dizer alguma mentira?
Ela quando queria conseguia ser muito sarcástica.
- Nao, mas nao é algo muito correcto estar a dizer.
- Vais me ensinar regras de etiqueta? - perguntou irónica.
- Nao !
- Ok !
Virou-se novamente para a visita e sorriu como se nada fosse. Coloquei-me no seu lado novamente a espera que ela se digna-se a um pedido de desculpas Respirou fundo e finalmente abriu a boca para dizer.
- Desculpa a minha indelicadeza. - mesmo assim o seu tom estava meio sarcástico, contundo Garrett nao se deu conta de-se pormenor.
- Nao tem de pedir desculpa, hora essa ! Tem razão eu nao caça a umas horas. - esclareceu.
Entao sem mais rodeios piscou-me o olho e mostrou o sitio a Garrett indicando o melhor momento e espaço a caça.
- Nunca caço animais minha cara amiga, acho mais apetitoso um bom humano. - riu-se.
- Lá isso é verdade, mas este lugar nao é muito frequente a humanos. - avisei.
- Que pena ! Bom mas ate deu jeito vir aqui assim conheci novos colegas. Pode ser que nos voltemos a ver um dia desses! - falou.
- Sim, pode ser ! - respondeu.
- Ate a próxima ! - vimos a sua ida para longe e ficamos novamente sozinhos.
O silencio reinou nos primeiros minutos, logo depois olhei para ela e peguei-a meu colo.
- A onde é que ficamos mesmo?
- Do que estas a falar? - fiz-se de desentendida.
- Da brincadeira de a pouco.
- Ha !
Saltou para o chão e voltamos a festa inesquecível. Corremos, saltamos, beijamos, abraçamos e ate fomos para o lago e nadamos. Momentos assim nao tinham lugar a serem esquecidos. Sabia mesmo como a ela adorava estar assim, viver assim sem regras ou quais queres responsabilidades.
Eramos nomades e assim permaneceríamos A familia era so eu e ela, embora tendo sempre a sua vontade de visitar a sua familia acolhedora gradualmente e eu sempre a acompanharia nessas visitas como um bom cavalheiro e tambem garantidor da sua nova fuga.
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