O meu nome era Jane, mas a minha madrasta insistia sempre em chamar-me de Janezinha, so porque ela achava um clássico e bem ao jeitinho de uma verdadeira donzela. Pena que o meu pai cedia a todos dos seus pedidos... Coitado andava cego por um amor que eu... preferia a máxima distancia de ver.
Por vezes os adultos conseguiam ser tao lamechas que chegava a dar dó só de assistir. A minha sorte ainda assim era a minha prima que vivia comigo desde a morte dos seus pais em um acidente de avião. Heidi era a melhor pessoa que eu conhecia. Ja para nao dizer que o filho da minha odiada madrasta era super apaixonado por ela. Oh meu Deus, pobre coitada que estava longe de imaginar esse acaso.
Demitri era um nerd de primeira, so sabia trabalhar com os computadores e arranjava sempre forma e maneira de criar algo novo so para surpreender a sua amada. Era demais aguentar o derreter dele constante, nao que eu tivesse ciumes deles, longe de mim ter. Ate porque os meus olhos, ouvidos e coração estavam direccionados para um certo alguem, muito especial e bem atraente, porem a pessoa em questão nao olhava para mim desse modo e tinha namorada. Ela era detestável, e cá entre nós, eu era mais bonita que aquela azeda.
Entrava agora na biblioteca como em outras vezes fazia para consultar os meus Policiais favoritos, que na verdade era tambem as dele. Avistei a sua presença no fundo do corredor, procurando por um livro, entrei percorrendo de modo rapido e desastrado, esbarrando nele de propósito.
- Ai desculpa... - abaixei-me para pegar os livros que por acidente provocado tinha deixado cair, ele tambem abaixou para ajudar e nesse momento de o pega dá cá eu olhei para o visor do seu telemóvel que denunciava o pré-envio de uma mensagem para a azeda.
- Nao tem problema Jane! - ele sorriu ao levantar-se e ao mesmo tempo e com a mao livre ajudar-me.
Sorri descaradamente e apontei com o dedo para o livro que estava por de baixo do telemóvel.
- Ja li esse é bem interessante... - ele cortou.
- A serio? Eu adoro... - e nesse trocar de palavras primou no botao para anular enviar da mensagem.
Alguma coisa eu ja estava a conseguir e isso eu isso eu ja conseguia gritar no meu intimo hurras de vitoria.
- Sim... tens de ler os mistérios dos sete relógios é fabuloso tambem. - ele sorriu e espontaneamente fomos caminhando lado a lado.
Entre passos contínuos, trocamos novas palavras, novas desenrolares de histórias fabulosas e mega interessantes.
Passar tempo com ele era muito bom, mesmo sabendo que de alguma maneira ele tentava a todo o custo manter uma pequena distancia, que pronto eu nao queria de maneira nenhuma forçar a partir a corda que ele tecia para mim.
Benjamin era um amor e cada vez mais sentia-me completamente atraida por ele, contudo quanto mais tentava transparecer as minhas palavras sobre actos simples e por vezes facilmente entendedoras para ele mudava de postura. Era mais que obvio que isso magoava-me e muito, porque eu ate podia ser a miuda mais rebelde, mais fria, mais rude, mas tinha compaixão e por vezes, quando abria o meu coração mostrava todo um leque do meu bem intencionado amor.
- Vais querer alguma coisa para beber? - perguntou ele quando acabava de sentar na mesa do bar da escola.
- Por mim pode ser... - levei os olhos a vitrine e decidi. - Uma coca-cola.
Ele acenou afirmativo e foi para a fila que ate estava bem pequena para o horário que era e para o dia da semana.
Enquanto o esperava nao contive o meu engenho mesquinho de cuscar tudo. O seu telemóvel estava mesmo no meu alcance e por mais que soubesse que se a minha mae fosse viva, estaria aqui em primeira mao a repreender-me do meu acto. Mas como ela nao estava e nao tinha maneira de chegar ate mim e dar sermão, deixei-me levar e quando dei por mim estava a percorrer a lista infinitésima de mensagens melosas com sua amada Tia. Arrepiei-me toda ao ler um trecho mais lamechante que outro.
Eu se algum dia tivesse a sorte de conquistar esse coraçãozinho nao perderia muito do meu tempo a mandar mensagens sempre com o mesmo tema.
Voltei a colocar o telemóvel no seu lugar e mostrei-me interessada em ler uma revista que estava pousada na mesa. Ele veio ate onde eu estava e sentou e passando assim a minha coca-cola.
- Quanto é que foi? - perguntei ja pegando na minha carteira.
- Nada... - ele colocou a sua mao na minha impedindo de eu tirar o dinheiro.
Houve logo uma imediata troca de olhares, eu corei de certeza conseguia, sentir o maldito fervilhar de sangue no meu rosto, tanto que o melhor mesmo era baixar a cara nao parecer uma tontinha.
- Desculpa... - ele sussurrou ao tirar a sua mao da minha.
Ele tirou os olhos de mim, mas nao era isso que eu queria, contudo a vontade nem sempre era fácil de definir quando ambos eramos diferentes no que dizia respeito ao amor.
Quer dizer ele era giro e bem aquilo que uma garota sonhava ter, e gabaria a tudo o universo so por te-lo ao meu lado. Mas como tal nao havia acontecido e como ainda apenas tinha a sua amizade, nao ia deitar tudo a perder.
Primeiro nao era garota de estragar a relação de ninguem, segundo se alguma coisa acontece-se era por mera vontade dos dois e terceiro se ele termina-se com ela, era porque estava apaixonado por mim.
Bebi um gole da minha coca e ele estava distraido a beber o seu sumo de maracujá. Ambos estávamos em silencio desde a hora em que por incidente tinha acontecido um mero embaraço. No entanto ele nao falava e eu sentia-me na obrigação de dizer algo, por estar com alguem sem ditar uma palavra era bem estranho...
- Vais ter aula a seguir? - perguntei algo que veio a minha cabeça, apesar de saber que o tema nao era de certo o mais interessante.
- Nao... vou ter furo. - bebeu um novo gole.
- Sorte.... - sussurrei vendo que ao inves dele, tinha de ficar enjaulada.
No fim de bebermos nossos respectivos sumos levantamos e caminhamos ate ao jardim, infelizmente a nossa companhia foi interrompida pela chegada da sua namorada.
- Olá Amor... - eles se beijaram e eu olhei para o lado.
Odiava cenas destas e ainda mais quando um ds elementos do par era minha atracção.
- Bem eu vou andando... - virei costas.
- Mas ja vais? Poxa fica mais um pouco... - ele pediu, mas ainda assim nao cedi, porque sentia que estaria sempre a mais, mesmo que para ele nao fizesse qualquer tipo de problema, para mim faria, nao por ele, mas ela.
(...)
Na Sala de Aula...
Biologia ja tinha sido uma disciplina pelo qual eu tinha uma grande adoração, mas com o passar dos temas, módulos, o meu interesse foi se escapulindo.
Estava sentada na minha secretária, bem lado de Renata a minha minha melhor amiga na escola. Ela conhecia-me muito bem como as palmas das suas maos, e quando eu nao estava muito naqueles dias de conversar ela detetava logo uma anomalia em mim. Era como se tivesse uma visão Raio X.
- Nao estas bem Jane... eu conheço esse olhar triste... - sussurrou ela para mim de modo a que apenas eu ouvisse. - Escusas de tentar fingir que nao estas a ouvir-me, porque sei que estas... - bufei e virei a página do livro conforme a professora indicava.
Ela desistiu de conversar comigo e quando por acaso espreitava pelo canto do olho vi que rabiscava num pedaço de papel. Oh céus iamos começar com os recadinhos de meninos da primaria? Só a mim e a mais ninguem.
Esperei que ela para-se de escrever e envia-se para o meu lado da carteira o visto papelinho. Peguei nele, olhei para ela, contudo apenas sorria, anciosa por uma resposta.
"O que se passa contigo? Estou preocupada... fala comigo..."
Olhei para o caderno, depois novamente para as suas letras miudas e rasguei do caderno um pedaço de papel.
"Hoje estou triste sim. Acho que por agora é dificil ser feliz por completo, mas no intervalo conversamos."
Enviei o papel para o seu lado e nesse momento esqueci tudo e voltei a exclusividade da minha atenção ao que realmente interessava, pois a aula era importante o suficiente para a matéria do teste da semana que vinha e como era evidente os meus resultados eram mega importantes para o meu pai poder ter orgulho de mim e serem o suficiente para os professores nao atazanarem a minha cabeça.
(...)
No intervalo ela veio ate mim como esperava que viesse. Sentei nos degraus da escada e ela em pouco tempo seguiu nesse gesto, colocando os livros no seu colo, passando com as maos os cabelos para trás.
- Estou de ouvidos! - sorriu.
- Nata... Eu gosto de um rapaz... - comecei a minha pequena confissão.
Nata era o termo que apenas eu usava para definir Renata. Eramos amigas desde a nossa entrada para este colégio e quase que juntas havíamos partilhado grandes experiências.
Muitas vezes recordava de o quanto havíamos aprontado, do quanto tinha surgido expulsões ao acaso no laboratório de química, so porque odiávamos o professor e tudo o que queríamos era apenas a sua expulsão. A nossa sorte, foi que nunca ninguem descobrir os verdadeiros indícios do acidente, e o nosso desejo foi comprido. Foi um de muitos que passaram por nossas garras.
Mas a ocasião nao era para recordações de velhos tempos, era de conseguir saber como e quando é que ia conseguir conquistar quem eu queria.
- Quem é o rapaz? Nao me digas que é o Edward da turma C? Ou o Emmett da turma A? Ou será o professor bonitao Carlisle de educação fisica? - ela dava muitas hipóteses que em nenhuma acertava.
O Edward era o rapaz mais ordinário do Colégio so porque namorava com a menina Swan, filha do director. O Emmett, longe de mim querer um macaco ao meu lado. E o professor Carlisle tinha idade para ser quase meu pai, ja para nao falar que estava muito bem casado com a enfermeira Esme, do gabinete de mutiplos cuidados.
- Nenhuma dessas opções. - ela cruzou os braços desistindo. Começou a bater o pé insistente. - Esta bem eu conto... É o Benjamin...
- O que? O Ben? do 12 ano? ~
Ok agora tinha estragado tudo porque ela ia começar a falar coisas e mais coisas e eu como sempre so tinha de ficar calada a ouvir. Nata por vezes fazia o papel que o meu tao querido pai devia fazer, so que ele andava demasiado ocupado a passar a mao na cabeça no seu querido enteado, ou a dar presentes a sua querida companheira.
- Sim... nao sei qual é o problema... - falei, mas ela cortou.
- O problema é que ele tem namorada e ja viste bem? - pegou na minha cabeça como se eu fosse um boneco. - Olha bem para ali para baixo! - fiquei a olhar para onde ele indicava.
- Nao estou a ver nada de especial.
- Pois nao... porque tu ficas a um canto em relação essa garota.
- Boa, obrigada pela parte que me toca... pensei que eras minha amiga. - resmunguei olhando para o lado.
- E sou, mas apenas tenho medo que te magoes, pelo simples facto de criares esperanças que nunca vao passar disso.
Ja estava na minha luta pela cala-te boca. Nao devia sequer ter falado nada, ninguem entendia o que o meu coração sentia.
Como é que eu podia ficar a um canto se era mais bontia que ela, e melhor conhecia muito bem os gostos dele, coisa que ela talvez nao conhecesse nem um pouco. Secalhar ate odiava policiais.
- Nao, sabes... Eu sou bonita, tenho charme, sou inteligente, simpática...
- Só isso nao chega. Os homens nao ficam apenas com uma mulher apenas por esses atributos. - respirei fundo, ao ouvir as suas explicações. - Tem de haver uma ligação forte, saudade... - levei a mao ao meu queixo tentando buscar alguma ideia. - Mas se tu gostas dele podes sempre tentar de forma indirecta chegar ao seu coração...
- Como faço isso? - estava confusa agora.
Nao era tao simples assim chegar ate a pessoa e dizer que se estava apaixonada por ela, so que nao o dizendo desse modo, ne? Eu ia ficar completamente vermelha, um desastre e ele iria acabar por rir-se na minha cara e depois o colégio inteiro comentaria.
- Jane, por mais voltas que des a cabeça, essa ideia vai ser espontanea e no momento. - fiquei a olhar para ela e depois lembrei que existia algo pelo qual se chegava bem rapido do coração, o beijo.
Era isso mesmo que eu ia fazer, tinha de o beijar. E se ele nao reagisse bem ao acto? Ia ficar a odiar-me pela vida toda? A nossa amizade ia perder-se... Nao, nao, nao. Nao vou pensar mais nisto, o que for á de ser.
- Tens razao... o que for á de ser, ne? - sorri levantando da escada.
- Ja vais? Nossa nao sabia que estavas com tanta pressa para ir embora... - comentou ela pegando os livros e ajeitando o meu cabelo, lançando ele apenas para um lado.
- Sim, a minha prima Heidi, combinou comigo de irmos juntas ao shopping.
- Hum...
- O que foi? - ela olhava para mim com cara de parva.
- Nada, vai lá! - riu-se ao voltando para as escadas e assim seguir caminho.
Nata tinha cada atitude mais estranha que eu quaseque ficava maluca, mas por vezes era boa de dar conselhos e boa intendora de palavras e desabafos.
Segui caminho fora ate ao portão, e lá estava Heidi pronta a sorri dentro do carro esperando por mim muito ansiosa. Ao atravessar o portão de saída, sinto um puxão no meu braço que bloqueia de alguma forma a minha saída. Olho para o lado de onde a pressão é grande e o que eu vejo... A Tia.
- Tia? O que queres de mim? - perguntei nao percebendo de todo a sua intenção.
- Conversar!
- Nao tenho nada para falar contigo, e ja estou atrasada. - tentei voltar a caminhar, mas a sua insistência mantivesse. - Ainda nao percebes-te que nao quero falar contigo? - virei a cara, era demais ter de olhar para ela.
- Agora!
Ela nao era ninguem para pedir nada e nem sequer exigir a minha atenção, bem na hora que eu tinha comprimisso importantes a tratar. Nem sequer eramos amigas, muito diferentemente tinhamos alguma ligação saudável, ambas sabíamos que ela tinha inveja continua de mim e que quando me via ao lado de seu namorado, ficava ruida de ciumes. Agora nao conseguia entender o que havia nela que de algum modo prendesse a total atenção dele, porque havia amor.
Cedi por um pouco do meu precioso tempo, fazendo um sinal para que a minha prima aguarda-se e caminhei com a azeda para um lugar mais adequado a conversinhas.
Sentei num banco e ela sentou no puf, eramos boas de contrariar mesmo. Aguardei atentamente a sua conversa tao importante, cruzando os braços.
- Ja reparei que és muito amiguinha do Ben... - fiquei a olhar para ela nao entendendo bem a introdução. - Só que eu quero fazer-te um aviso... - mudou o tom de voz comigo. - Afastas-te do Ben, é tudo o que te peço...
- Se nao? - sopus uma consequencia.
- Vais acabar mal... Nao estou para brincadeiras e muito menos ter a dificuldade de ter uma concorrencia. - levantei-me do banco.
- Olha lá, estou a perder a paciencia contigo azeda! - aumentei o tom de voz com ela. - Estou eu a perder o meu tempo contigo para ouvir aviso? Desculpa lá se és insegura, e tens muita sorte em teres o Benjamin como teu namorado... - apontei para ela o dedo. - Porque com esse feitio que tens, essa cara de songamonga... - abanei a cabeça. - Ninguem te quer...
Ela ficou completamente irritada e começou aquilo que qualquer garota faria, começou-se assim uma luta de mulheres. Eu deixei que ela me batesse porque sabia que assim ela que perderia a razao. E nao foi mesmo que o Benjamin apareceu? Oh que pena a dela ter de passar por isto, ne?
Mas eu estava apenas no meu cantinho, pronta a ir para as compras com a minha prima e esta inútil so veio estragar mais o meu dia.
- Para Tia, ja chega! - ele gritou para ela a tirando a força de cima de mim.
- Ela merece isto e muito mais. - falou raivosa. - Ordinária...
Tentei levantar-me do chão, recompondo-me e pegando nas minhas coisas e seguir para a porta. Mas nesse instante ouvi passos de corrida vindos ao meu alcance, nao voltei-me para ver, simplesmente apressei mais o passo.
- Espera, Jane... - continuei mais o passo acelerado. - Por favor, desculpa a cena... - parou de correr.
Sai do portão e ao entrar dentro do carro, Heidi encheu-me de perguntas e nao estava com a mínima vontade de falar, porque agora so queria esquecer este incidente.
Na manha seguinte, as marcas de uma agressão eram mínimas, mas a recordação estava bem acesa, e saber que ela estava a querer o meu afastamento de seu namorado... Estava muito enganada se alguma vez ia deixar de ser amiga dele, nem que o papa implora-se para mim.
Entrei dentro da escola e vários olhares caíram em mim, ignorei toda a gente, incluindo Nata e fui para a biblioteca que ate certo ponto tinha sido uma ideia infeliz de escolher, porque ele estava lá.
Entao fui dirigindo-me para a porta, so que ele chegou mais rápido a mim do que o previsto.
- Precisamos conversar! - pegou no meu braço.
- Se vais dizer que é para me afastar de ti, ja recebi esse recado... - comentei nao olhando para ele. Contudo com a sua mao, pegou o meu rosto.
- Nao é nada disso, sabes que gosto muito de ti, és uma grande amiga e tudo que neste momento nao preciso, é que fiques afastada de mim. - baixei os olhos ficando sem jeito. - Alem disso nao precisas mais de te preocupar com a Tia, porque nos acabamos.
- A serio? - levantei os olhos imediatamente. - Puxa nao devíamos ter acabado por minha causa.
- Nao foi por que aconteceu ontem nao... Na verdade a nossa relação nos últimos dias andava a ficar um pouco escaldada.
Tive vontade de rir, mas nao podia fazer isso, né? Mas ainda assim via uma luz no fundo do túnel. Continuamos tempo mais a conversar juntos, entre um carinho ali e carinho aqui, aconteceu aquilo que Nata tinha razao, o coração de alguem tinha de ser conquistado de um modo espontâneo, e a primeira etapa estava quase que concluída. O beijo aconteceu... Agora sabia que era uma questão de tempo ate ele sentir o mesmo por mim e assim sermos um casal feliz.

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