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Os Especiais - Capitulo 1 - Despedida

Caroline

Estava a pegar nas minhas coisas em casa, e aproveitar este momento em que ninguém podia me ver, para deixar uma pequena mensagem para a minha família. Era certo que nunca mais ia poder voltar a ve-la, pois nunca nada ia ser como antes e alem disso nao queria que eles tivesse medo de mim e muito menos os queria magoar.
Sentei na secretária depois de apertar o ultimo fecho da mala, procurei um pedaço de papel e uma caneta e iniciei o bailado de palavras de uma pequena e simples despedida.

" Pai, Mae, Clarie !  
Espero que perdoem a minha ida sem explicação. Nao me procurem porque eu nao quero ser encontrada. Na hora em que estiverem a ler esta mensagem ja estarei muito longe e talvez feliz, por manter vocês em segurança. 
Pensei muito antes de fazer o que fiz, e acreditem nada doí mais do que abandonar uma família. Eu sei que vao chorar muito a minha ausência e que nao sou ninguém para pedir para que nao o façam, mas acreditem, lembrem, sempre dos bons momentos que passamos os quatro juntos, e deixem isso na memória, porque é comigo que levo as boas recordações. 
Pai, cuida bem das mulheres da casa, eu sei que és o mais valente e que serás sem duvida a maior pilar. 
Mae, cuida bem da Clarie, e nao deixes ela brincar demais com o meu computador, porque sabes que ela vai sempre para onde nao deve.
Clarie, espero que me perdoes pelo aconteceu e acredita nao tive intenção de te magoar, porque eu amo-te, alias amo voces todos.
Nao tenho muito mais a dizer, apenas quero que saibam que eu vou estar bem e vocês tambem de ficar. 
Beijos cuidem-se. 
Caroline"

Ao escrever as ultimas palavras várias lágrimas caíram do meu rosto sem fim. Levantei da secretária e deixei o bilhete na sala, bem no cimo da mesa, ficando assim visível, de seguida calcei as luvas e peguei nas minhas minhas malas e sai porta fora.
Ao estar na rua dei um ultima olha na casa, e virei costas seguindo o meu novo caminho para longe daqui, longe de tudo o que eu pudesse fazer mal.
Cheguei na estação que ficava a muito poucos metros da minha casa e apanhei o primeiro comboio que havia, para um lugar novo e desconhecido.
Nesse momento sentada no banco a olhar para a paisagem, lembrei-me deles, de cada feição, tristeza que iam sentir, contudo estava apenas estava a prezar pela segurança deles. Um dia quem sabe eles entenderiam tudo e que talvez me perdoassem.
Coloquei os phones nos ouvidos e desliguei do mundo, ficando apenas ligada a musica e aos bons pedaços da vida.

" Música: Taylor Swift - Begin Again"

Esta musica lembrava muitos dos meus momentos, dos pedaços de pequenas viragens, de coisas que consegui superar, agora era a hora de relembrar que era forte que nada podia deter a força que eu tinha e a vontade de manter todos a salvo.
Eu tinha noção do poder que tinha, e por te-lo é que estava a tomar esta decisão. Sentia-me a garota mais infeliz deste universo, porque? Tao simples, porque eu nao podia tocar em ninguem, nao podia dar um beijo de boa noite na minha irmã, sem que ela ficasse sujeita ao perigo, sentir o abraço forte da minha mae, ou uma estalada do meu pai. Eram coisas tao banais, mas que nunca podia fazer ou sentir isso. No entanto magoava muito e as vezes dava revolta, porque eu apenas queria ser uma pessoa normal, como outros adolescentes eram, viver uma vida plena. Porque a mim isto? Porque?
Nesse momento lágrimas rolaram do meu rosto espontâneas pelas recordações, pela pequena revolta dentro de mim, nao as conseguia controlar.

- A menina esta bem? - perguntou uma senhora que estava sentada do meu lado e ja estava a estender o seu dedo para limpar as minhas lágrimas, mas eu levantei-me logo para nao a magoar. - Menina! - chamou ela, mas eu virei costas e segui para outro lugar mais refugiado dentro do comboio.

Sentei e senti o peso da pena, mas apenas foi por protecção que o fiz, nao por ser mal educada, porque nunca o tinha sido. Voltei a colocar os phones e continuei a ouvir a musica e continuamente as lágrimas foram voltando, a saudade apertando, porem a minha persistência ia ficando e nao tinha maneira nem forma de desistir do meu caminho.
O comboio foi parando em vários lugares e nesses pequeno intervalos dava uma breve olhada no meu telemóvel que estava continuamente a mostrar a imagem no visor de uma família feliz. Só que nesse momento ao invez de chorar, consegui sorrir, dado que eles estavam melhor sem mim e um dia acabaria por aceitar essa realidade, nao tentando nunca procurar resposta para a minha atitude.

(...)

Horas depois de uma viagem longa o comboio chegou no terminal previsto e todos os passageiros, incluindo eu fomos saindo. Eu estava de tal modo tao cansada que o peso das minhas malas era quase um castigo.
Ao ja estar nos bancos da nova estação de "Salamanca" vi que muitas pessoas seguiam caminhos diferentes, umas para norte, outras sul e eu apenas permanecia intacta neste sitio.
Varias vezes questionava a mim mesma se era esta a vida que eu tinha sonhado um dia para mim, contudo nao tinha respostas plausíveis para a confirmar.

- Estas perdida garota! - era a voz de um rapaz, virei logo para o encarar e fiquei surpresa.

Ele tinha um aspecto diferente dos que estava habituada a ver, era loiro, bonito e com cara de gozao, mas ao mesmo tempo um espírito livre.

- Nao, nao estou perdida! - levantei-me e ai vi que ele era um pouco mais alto que eu, pois para o olhar bem nos olhos tinha de esticar bem o pescoço. - E tu? - perguntei sem medo.

- Nao, eu moro na rua!

Fiquei espantada com a sua revelação, quer dizer eu nunca tinha conhecido ninguem que morasse na rua, e ainda mais com um aspecto tao tratado e nada visivel a um simples mendigo.

- Nao é possível! - comentei num sussurro. - Ninguem mora na rua assim, quer dizer deves ter familia!
Nesse momento ele baixou o olhar e sentou-se, e claro que eu fiz desde logo o mesmo gesto, porque queria ouvir o que ele tinha para desabafar, mesmo sendo uma desconhecida para ele, ou entao uma primeira amiga.

- Eu nao tenho família... O meu pai esta preso, porque era muito violento, ele batia muito em mim, na minha mae, no meu irmão... - estava a olha-lo com muita atenção. - A minha mae abandonou-nos quando mais precisávamos, e o meu irmão, eu nao consegui voltar para ir busca-lo. - levei a minha mao ao seu casaco muito lentamente e com ligeiro cuidado de nao o magoar. - Nem sei porque estou a falar disto contigo se nao te conheço de lugar algum.

Ele estava a ser rude comigo e isso eu nao estava a tolerar, visto que nem os meus amigos falavam nesse tom comigo, no tempo em que andava naquela escola perto de casa.

- Desculpa, eu nao te fiz mal nenhum para me falares nesse tom. - falei com as lágrimas contidas nos olhos e sendo forte para nao me mostrar diante dele. - Eu tambem tive problemas com a minha família, tive de fugir de casa. - olhei para as luvas.

- O que aconteceu? - perguntou.

- Magoei a minha irmã, sou um perigo! - olhei para ele. - Pode parecer muito estranho, ou absurdo, mas a verdade é que me sinto diferente desde os meus 8 anos, porque eu sei que nao tinha nada do que tenho hoje. - ele olhava sem perceber.

- O que tens? Isto claro se quiseres falar! - sussurrou afastando-se ligeiramente de mim e levantando de seguida.

- Nao vais acreditar no que eu tenho, alias nem eu acredito. - suspirei.

A melhor forma mesmo de contar era mostrando. Tirei as luvas, e os meus dedos, emanaram os chamados choques eletricos, uma especie de corrente e todo o espaço começou a estar em curto circuito. As lâmpadas que iluminavam a estação rebentaram, os computadores deixaram de funcionar e claro ficamos as escuras.
- O que foi isto? As tuas maos! - ele estava quase que assustado. - Nunca vi nada igual.

- Este é o poder que eu tenho, e isto que aconteceu é porque estou... nervosa.

- Hum deixo-te nervosa! - riu.

- Ei engraçadinho... - resmunguei.

Nesse mesmo momento voltei a calçar as luvas, pois para nao haver mais estragos, dado que  ja bastavam os que estavam a vista desarmada e pior é que se continua-se assim acabaria por deitar por terra toda a energia da cidade.

- Sabes uma coisa... - respirou fundo e depois disse. - Vou chamar-te de faiscas... - riu-se as gargalhadas da minha cara.

- Nao tem graça alguma... - comentei sentando de novo agora no degrau da escada. - Eu nao escolhi ser o que sou, alias ninguem escolhe...

Baixei o olhar, ficando triste novamente com as velhas recordações assaltando a minha mente. Ele aproximou-se de mim e sentou no degrau acima do meu.

- Nao és a única que tem um poder especial... - sussurrou, mas eu mantive o meu olhar fixo no ponto que olhava. - Ao contrário de ti, eu posso ficar invisível... Nao sou um perigo, nao mato.... - parou e pegou na minha mao, obrigando desde logo a olha-lo nos olhos grandes e verdes.

Tirei a minha mao da sua, levantando-me de novo e pegar nas minhas malas.

- Vais embora? - perguntou, obrigando-me a parar. - A esta hora da noite nao é muito fácil encontrar um lugar para ficares abrigada... e muito menos que seja... - riu-se. - um sitio seguro para ti.
Voltei-me para o encarar com olhos de lince.

- Nao disses-te que vivias da rua? Entao limita-te a preocupar contigo, porque de mim cuido eu! - fui curta e rispida.

- Ei nao precisas de ficar assim Faiscas! - bufei. - So quero ajudar, alem disso é perigoso andares por ai sozinha... Nao tens noção dos perigos da rua, e muito menos na cidade que acabas de chegar.

Decidi nao protestar, porque neste caso estava em desvantagem e ao diferente dele pensava antes de agir. Rendi-me por completo e deixei que ele toma-se a decisões por nós. Ok, eu nao tinha outra hipótese! Ou seria assim ou entao estaria perdida, e ficar mais do que ja estava, entao seria o caus.

- Esta bem eu aceito a tua ajuda... a tua companhia...

- E quem te disse que eu queria ajudar-te? - gozou. - Estou a brincar, claro que vou ajudar-te... Anda, vem comigo.

Segui de luva dada a ele e com a outra mao ocupava das malas que ele cuidadosamente transportou outras.

- Bem que podias trazer menos tralha! - reclamou, porem nem liguei.

Chegamos bem na zona mais eluminada da cidade, e talvez a mais principal, onde destacavam-se muitos cartazes, publicidades e indicações.

Ouve desde logo uma publicidade que despertou a minha atenção, nao pela cor ou pela dimensão, mas pelo conteúdo. Era a mesma que havia na minha cidade, antes da minha partida, a mesma extravagancias nas palavras, o mesmo slogan.

- O que foi? - parou para questionar.

- Nada, estava so a observar os cartazes... - sussurrei.

- Hum... nem ligo para essas coisas.

Claro era de prever, ele era tao diferente dos outros rapazes que era nestes pequenos detalhes que encontrava a maior diferença. Depois de uma curta pausa decidimos caminhar um pouco mais, trocando novas palavras, novas ideias e sempre votos para o futuro ainda incerto, mas promissor.
Chegamos numa ponto sob um riacho cristalino e por ali ficamos apreciando o cair dos pequenos detritos das pedrinhas que ele deitava, a observar os pequenas poças que as pedras largadas sob suas velocidades excêntricas formavam.

Desconhecida ou nao esta nova etapa, ela estava a deixar-me livre, embora soubesse sempre qual o meu limite, mas por outro lado nao era um perigo tao grande, porque desta vez havia encontrado alguem que sofria da mesma coisa, com um sentido diferente, contudo que entendia e ainda assim estava disposta ajudar.

Do que eu ia viver? Ainda era cedo para decidir. Quais seriam os meus dias? Ainda nao sabia como podiam ser, e ate onde podiam chegar. Mas a minha nova vida começava aqui e tudo o que estava para trás, ficaria guardado no meu cofre encantado, enterrado no passado.

- Estas triste! - pegou nas minhas maos e logo os candeeiros denunciaram o meu nervosismo. - O quer que seja que tenhas tomado como certo no passado, pensa que fica valendo pelo futuro. E que de quem tentas proteger, ficará protegido. - soltei um sorriso simples.

- Obrigada por estares a ser simpático quando nao... foste a pessoa mais simpática, que por outro lado foste bem rude. - riu-me e ele seguiu nesse gesto.

- Nao precisas de agradecer faiscas... Os amigos servem para as ocasiões, quer dizer, penso ser assim que sou para ti. - sorriu timidamente.

- Sim. - fui tudo o que disse.

Comentários

  1. Olá!!! Demorei, mas enfim voltei! :)

    Gete que dózinha da Caroline! Ter de deixar a família para não correr o risco de machucá-los... A cartinha dela me deixou de coração apertadinho, viu?

    Depois de horas de viagem, ela finalmente chegou ao seu destino! E quem é esse carinha que já foi abordando a moça? Sabe, ele também tem um passado bem tristinho, né? Mas ele não precisava ter ficado tão rude de uma hora para outra, afinal, foi ele quem começou a falar, certo?

    O poder da Care é realmente impressionante, mas o mocinho pode ficar invisível! O.O E ele não é nem um pouco convencido, certo? Ficou todo bobo por ela estar nervosa! rsrsrsrsrs

    E o apelido? Faíscas? Isso foi maldade, poxinha! rsrsrsrs Não, estou brincando, mas ela parece não ter curtido muito. Deveria ter apelidado ele também, sabe? Assim as coisas ficariam mais justas... hehehe

    Mas ao menos eles estão ajudando um ao outro, não é? Não precisam ficar completamente sozinhos por aí...


    xoxo

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    Respostas
    1. Oi Caroline, seja mega bem-vinda :D

      Sim a mim tambem apertou muito o coração quando eu tive de escrever essa primeira parte da história, contudo era necessário o fazer, caso contrário, alguem iria sofrer, nao?

      É verdade ela encontrou um rapaz que nao muito diferente dela, tambem tem sua história e claro que so mais para a frente voce vai entender as razões dele, de agir assim.. meninos de rua, certo?

      Sim o poder dela é muito impressionante mesmo, mas tambem a torna triste e voce vai perceber isso, pois nao é a toa que a conta disso que ela fugiu, certo?

      Faiscas é a conta do poder dela, ou seja a sensação de descarga eléctrica, é claro que ele usou isso num termo mais de brincadeira, mas ela acaba aceitando mais tarde... Sim eles juntos vao se ajudar muito, e isso é muito importante, nao podemos esquecer que a Caroline esta numa cidade nova, em que nada conhece...

      Beijinhos

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