Na vida de Jasper Whitlock tudo se resumia a uma perfeita relação, pois já namorava a 5 anos com a bela e adorada Maria Garcia. Ambos em uma dada época, gostavam de por em prática todos os planos para o futuro feliz e promissor, pois a ideia de Jasper era casar e construir família, como qualquer ideal para um membro Whitlock.
A verdade é que Maria, sua namorada não via bem as coisa nessa perceptiva, e então tudo para ela que resumi-se a esse assunto, era um caso a pensar mais tarde, mas nunca aceite de forma plena.
Toda a gente sabia o quanto ela era dedicada ao seu trabalho e o quanto, havia esforçado para ter o melhor e mais bem conceituado escritório de advogados.
Embora Jasper também fosse um bom advogado e de sucesso, sabia que mesmo assim, em meio de muitos casos e coisas mais, havia tempo para a família, desde que soubessem gerir bem o tempo, coisa que não via como sendo um problema, que muitos pintavam como grande.
No entanto sempre que em momentos em que o clima não era sobretudo trabalho, e que quando por acaso se introduziam palavras sobre assuntos relacionados, aqueles que ele nunca esquecia e que sua amada temia, havia uma mudava de postura, procurando desculpas para falar em trabalho novamente, como uma viciada em cafaina. É claro que com isso ele começou a temer alguns erros na relação de ambos, não cometidos por ele, de facto, por outro lado também não achava que fossem dela. Tanto que pelo aquilo que sabia, Maria o amava.
Deitado agora na cama com ela a dormindo aninhada em meu colo, ficou a olhar o tecto que pouco podia responder as questões o que meu cérebro celebre não encontrava respostas. Por vezes era mais fácil pensar em questões do trabalho, como casos de furto, ou de homicídios qualificados, pois em termos qualitativos eram mais simples de resolver.
- Amor? - chamou minha atenção e deslizei o olhar ate a sua face em camera lenta. - Em que que estavas a pensar? - perguntou, mas sinceramente não encontrava resposta certa a dar, então, lembrei de formular uma mentirinha.
- Estava a pensar num caso complicado que tenho em mãos para decidir se será arquivado ou se terá continuidade. - respondi não dando grande importância ao assunto, pois não queria transforma-lo num debate matinal.
Ela levantou-se do colo, puxou os lençóis um pouco para se cobrir e com a mão passou na mexa de cabelo que interferia a sua visão do seu olhar e inclinou um pouco a cabeça com um ar pensativo, ate quebrar o silencio.
- Ainda estas com aquele caso que pertenceu ao Royce King, antes de ser brutalmente assassinado? - havia medo nas suas palavras.
Respirei fundo, buscando na minha memória a ideia certo sobre o que realmente falava, ate confirmar mentalmente que "sim" que esse tinha sido um caso que efectivamente o meu velho colega tinha investigado e trabalhado. Embora na altura da sua morte, houvesses muitas suspeitas de que ele tivesse sido morto, por estar a colocar o pé no processo errado e com isso a pessoa que saia a perder, quer eliminar prova, que pensando bem, neste momento não vinham ao acaso.
- É isso mesmo! - respondi por fim, deslizando as mãos nos lençóis e os tirando de cima de mim, para poder olhar a hora e assim preparar com tempo de sair trabalhando por ai, pois era uma forma sensata de encontrar ocupação para a cabeça que não sobreposta com outros assuntos mais pessoais, que cada vez mais queria desistir de lutar.
- Esqueci a hora! - falou ela ao pegar da cabeceira o seu telemóvel para ver a hora.
E em segundos saiu da cama e numa corrida impressionante vestiu-se e passar em breves instante a escova pelo cabelo e assim depositar em meus lábios um beijo e sair correndo.
Eu mais parecia uma estátua na decoração do quarto ao ver Maria nessa rapidez que se eu nao conhece-se tão bem a namorada que tinha diria coisas absurdas, tais como a super mulher.. Enfim, sozinho uma vez mais e aquele assunto nem tocado foi, isso era triste mesmo.Tratei de arranjar-me todo e sair do apartamento.
Ao entrar no meu carro, tomei nota de ter esquecido de uma pasta de um arquivo muito importante e que de maneira nenhuma podia deixar. Voltei para lá, vasculhando nas minhas balançadas tralhas do escritório.
Uma vez no meu local de trabalho, e a tomar o meu café quotidiano o pé da máquina de serviço cofie, encontrei Miranda, que era sensivelmente um velho amigo de Maria e agora meu cliente.
- Miranda! - chamei por ele e deu um grande aberto de mão seguido de um abraço.
- Jasper como estas? - perguntou.
- Estou bem.. - olhei a secretária que estava com o ouvido aguçado na conversa. - Vamos ate ao meu escritório! - passei a mão no seu ombro.
Ao abrindo a porta, e de lá então deixei passar na frente, estando já dentro a fechei dando uma olhada, no intuito de não ser interrompido em algum momento por ter de assinar algum papel, ou para dar alguma informação.
- Desculpa arrastar-te assim para a sala, mas é que não podia de maneira nenhuma falar contigo ali, com aquelas secretárias, meio corujas, tu entendes! - expressei-me a fazer gestos também.
- Claro que sim. - ele sentou na cadeira e cruzou a perna, passando as mãos nos pulsos esperando uma confissão de advogado, quando na verdade era o papel no sentido oposto.
Sentei numa cadeira, mas não aquela do meu lugar de interrogador, uma bem ao lado do meu amigo. Respirei fundo umas quantas vezes, calculando palavras e certezas. Estava nervoso e ate com medo de falar algo que não devia, embora tendo uma ideia fixa de que Miranda nunca me denunciaria a Maria, pelo menos pensava eu.
- Bom... - cruzei a perna também. - Eu e a Maria, quer dizer mais eu, do que ela.. enfim.. - mexi as maos impaciente. - Não reconheço a minha namorada, pronto falei.
- Não reconheces como? - estreitou o olhar.
- Não duvido nunca do seu amor por mim, isso é certo. - ele estava muito atento as palavras corridas, que este cérebro cedia a falar. - Só que sempre que abordo o tema casamento, ou filhos, ela muda de postura. - deu uma risada sublime. - Não entendo o que isto tem para rir.
- Não me leves a mal, Jasper, mas a forma como introduzes o problema é como se fosse aritmética pura.. - fiz uma cara feia, pois não gostava de conversas de matemáticos e muito menos que ele os levasse a resoluções em quânticos números.
Ok, não era a melhor ideias de todas conversar com este senhor, pois ele era solteiro, e na verdade o que um solteiro entende sobre uma relação, não é? Por outro lado também não o podia desprezar, visto que era a única pessoa a quem podia recorrer.
- Miranda, a Maria não é matemática, ok? - realcei. - O assunto é bem mais serio, do que parece.
- É serio porque tu queres! - fiquei indignado com a sua afirmação, esperava muita coisa não uma resposta assim. - Não podes esquecer que as mulheres são o ser humano mais complexo e por vezes difícil de dominar. E se realmente queres um conselho de amigo. - acenei com a cabeça que "sim". - Não vale a pena pressionar a esses assuntos, quando ela se sentir preparada, ela vai abordar.
Dito isto fiquei a pensar nas suas ultimas palavras, e quando ele saiu o assunto bateu no meu cérebro pelo dia todo. Talvez um solteiro soubesse mais, do que um rapaz comprometido como eu..
(...)
Semanas depois aquela postura que pensava que podia vir ao de cimo, tal como uma conversa antiga travada com um amigo se afirma-se, não se manifestou, e cada vez mais a minha preocupação voltou, pois a custa de tudo isso a minha namorada foi se afastando de mim. As ligações não correspondidas, e as mensagens não respondidas.
Estava a ficar desesperado, já não sabendo o que poder fazer, voltar a conversar com Miranda estava fora de questão, falar com a minha irmã? Não mesmo, se não o que Nettie ia pensar de mim? Que eu era algum louco obcecado. Longe de mim tal imagem. "Meu Deus eu a controlar a minha mulher, não." pensei comigo mesmo.
Tomei forças e ao mesmo tempo coragens para falar com uma outra amiga de Maria, cujo nunca antes tinha tido coragem de travar conversa. Parei o carro em frente a estância de companhia de seguros, e entrei dentro do edifício, decido. Dado que as minhas hipóteses de recolha de ajudas estavam a esgotar. Entrei dentro do elevador e sai no piso correspondente ao serviço de Caroline Forbes, que era nem mais, nem menos a melhor amiga de Maria.
Bati a porta antes de entrar, e uma voz tranquila e fina fez se ouvir, dando a permissão necessária a minha entrada.
- Olá.. - falei quase com medo de estar a interromper algum trabalho importante.
- Oh entra Jasper, estas a vontade! - falou ao levantar os olhos do tablet e assim levantar para me cumprimentar. - O que te traz por aqui, creio que não vieste fazer nenhum seguro? E o teu pelo que sei, ainda não deve ter terminado... quer dizer do teu carro, mas deixa que eu vejo ja. - prontificou-se a confirmar nos arquivos do tablet.
- Care.. Caroline! - ela desistiu do seu empenho e cravou o olhar nele. - Eu quero falar sobre a Maria, e mesmo que me aches um inteiro absurdo ao perder tempo com estas babuzeiras, eu preciso. - inclinou a cabeça, procurando perceber o que na verdade eu queria dizer.
- Mas passe-se alguma coisa com a minha amiga? - preocupou-se.
- Não, não no sentido negativo, na verdade. - debruo-se sobre a secretária. - Ela anda distante nos últimos dias, talvez nas ultimas semanas, e quando por ventura calha em conversa assuntos mais ligados... ao casamento e aos filhos... - fui baixando o olhar. - ela mudava de conversa, recorrendo sempre ao vicio do trabalho para se exprimir. - dou um leve suspiro. - Estou a ficar desesperado, porque ela não atende as minhas ligações, e agora também não responder as minhas mensagens.
Ela rodou na cadeira, voltando a rodar e parar na minha frente, levantando e caminhar ate mim.
- De facto a minha amiga anda estranha sim.. - levantei os olhos ate ela que fixava-se na parede de cortiça. - Mas ainda assim não me dá o direito de falar o quer que seja... Espero que entendas, que a assuntos que não posso de forma alguma meter-me. - revirei o olhar para a porta.
- Então passa-se mesmo alguma coisa! - levantei-me e só por si sai, sem dar tempo para novas palavras, novo discurso.
Ao descer no elevador, dei por mim focado nas palavras de Caroline, como se o seu discurso já estivesse pronto a ser proferido. Ainda assim sentia que ela sabia mais do que realmente transparecia. Isso não ajudava em nada a minha posição, e uma vez mais as duvidas mantinham-se as mesmas.
Voltei ao carro, e peguei no telemóvel, tentando ligar para a minha namorada. Ao colocar o aparelho no ouvido a chamada apenas caiu na caixa postal. Dei de ombros ao perceber que definitivamente ela estava a fazer troça da minha cara.
Porque simplesmente ela não falava comigo na cara e dizia que não queria mais nada? Porque de andarmos a sofrer assim? Sim porque aqui o parvo do Jasper é que estava a sofrer e não ela, pois o seu silencio era prova de estar a gostar da brincadeira ridícula que estava a construir.
Cheguei em casa não estando disposto a trabalhar, dado que nem cabeça tinha para enterrar no momento de casos para debater. Ao pousar o telemóvel no cimo da mesa e de ir ao banheiro e voltar a sentar no sofá, ele começa a piscar e soltar aquele som estridente. Levanto em camera lenta passando mil e uma coisas pela cabeça. "E se for algum cliente chato? Não vou atender!", em outra hora essa ideia mudava para "Pode ser Maria, será que ela só viu agora a chamada?". Paro com os meus pensamentos e simplesmente pego no aparelho premindo no botão sem olhar e coloco a orelha, ouvindo uma voz feminina e suada a conhecido.
- Alo? Jasper? - era a voz de Jessica Stanley, a minha secretária que mais fama de alcoviteira tinha do que, outra coisa.
- Alo, Jessica! Algum problema? - perguntei despreocupado e quase arrependido de retribuir essa ligação.
- Não, é só para ficar a saber se o doutor ainda vem hoje! - caminhei ate ao sofá sentando e lançando a cabeça para o encosto.
- Não, hoje já não volto! - e assim desliguei a ligação, nao dando tempo para mais perguntas ou curiosidades mais.
Lancei o telemóvel para parte incerta na sala, deitando agora de pés na mesinha e cabeça na almofada, quando ele aparelho chato volta a tocar novamente. "Vou despedir esta mulher" foi tudo o que pensei, já ficando com os cabelos em pé, ao levantar e procurar em cada canto onde o telemóvel foi parar.
No momento em que o encontrei, a chamada foi desligada, e ao ver de quem correspondia, arrependi-me arduamente de ter difamado a minha secretária. Ao vasculhar as ultimas ligações efectuadas e recebidas, então nesse lugar de ultima ligação, o nome de Maria, estranho. Ligo de volta, e espero que ela atenda.
- Alo? - era a voz dela. - Jasper? - chamava por mim, e eu fiquei assim quieto sem fala, sem reacção. - Bom, estou te a ligar para dizer que estou de partida para outro lado que não... perto de ti. - silenciou um pouco e depois retomou a fala. - Desculpa se estou a ser fria e ao mesmo tempo, ridícula por nunca ter falado nada antes, mas como vês a nossa relação, perdeu estrutura algum tempo. - não estava a conseguir ter uma ração plausível, a minha voz por mais que eu quis-se não se fazia não se fazia ouvir. - Aquilo que posso dizer é que foram os melhores 5 anos da minha vida e que tão cedo não vou esquecer, assim como tu. Lamentavelmente, já deves ter percebido que.. eu estou a terminar a nossa relação. - suspirou do outro lado da linha, as minhas lágrimas escorriam silenciosas pela face sem acreditar no rumo da história. - És um rapaz inteligente, bem humorado, facilmente encontrarás alguém que vai aquecer esse coração, que eu de algum modo deixei frio. E mesmo que queiras falar, eu não quero ouvir, porque sabes que não gosto de despedidas. Quem sabe a gente se volte a encontrar um dia.
- Maria!! - sussurrei o seu nome cujo nao sabia se ela o ouvia.
- Não fiques triste, vais acabar por superar a perda, e uma vez mais desculpa, se fui egoísta em algum momento da nossa relação, quando abordavas assuntos como a constituição de família, que vendo o rumo que a vida tomou, não seria a escolha mais favorável. - abanei a cabeça. - Não espero que me entendas neste momento, ou que sequer perdoes, mas que um dia isso vai acabar por acontecer, já por si. E antes que comece aqui a chorar.. - ouvi um barulhinho de um assoar. - Eu amo-te Jasper Whitlock! - e assim desligou a ligação.
Passaram-se 5 minutos após o fim da ligação e ainda não tinha recuperado do meu estado apático da situação. Ela tinha terminado comigo, como se eu fosse um simples namorado de escola. E ainda mais a terminar por telefone, era coisa de adolescente, que não tinha coragem de encarar, cara com cara seu companheiro e dizer friamente as palavras que por telefone proferia.
Maria tinha descido muito na minha consideração, muito mesmo. Achava que tão cedo não ia querer ouvir falar em tal nome, nem mesmo no escritório, pois para mim ela apenas tinha morrido e página virada.

Oh, que dózinha do Jasper. Ele é um menino todo família e a Maria sempre se esquivando desse tipo de assunto.
ResponderEliminarE ele devia estar muito desesperado, e ser corajoso pra procurar os amigos da namorada pra conversar, né? Pelo que deu a entender, ele queria manter a relação dele e da Maria, né?
Triste ela terminar desse jeito com ele, por telefone. Chega a ser quase cruel, ainda mais pra quem passou tantos anos lado a lado. Mas se ela quis assim, o jeito é Jasper tentar seguir em frente, né?
xoxo
Olá Caroline :D
EliminarSim Jasper tem o sonho que a maioria dos homens tem, construir uma familia. Por outro lado, essa nao é bem a ideia da nossa amiga.
Sim ele estava desesperado, Caroline.. O amor por vezes leva a estas coisas para obter as respostas precisas de poder conquistar o coração de quem se ama.
O fim das relações nao é vista de bons olhos por mim, afinal nunca se sabe o que a pessoa do outro lado da linha sente ao proferir essas palavras, nao?
Sim atitude dela é muito cruel, e posso dizer que momentaneamente covarde, porque nao teve coragem de encarar nos olhos de quem a ama e procura, para revelar a sua vontade.
Claro Jasper é um homem lindo e corajoso ao ponto de aprender a seguir em frente na sua vida.
Beijinhos