- Posso mesmo confiar em ti? - sentei no sofá dando a indicar para que ele pudesse fazer o mesmo, porém o jovem ficou um pouco intimidado ao ver o Jasper intacto na sua frente. - Jasper, por favor! - lancei um olhar de repreensão, logo ele agilizou.
- Obrigado! - respondeu o jovem sentando por fim.
- Vou voltar a repetir a pergunta inicial... Posso mesmo confiar em ti? - olhei para ele em duvida. - Eu percebo que tenhas medo, e que de certo modo nós podemos ser totalmente interessantes em te ajudar, mas acontece que preciso de ter a certeza que não saias por aquela porta e denuncias algo mais.
- Achas mesmo que eu faria isso? Que sentido teria eu contar toda a minha versão agora, se já os podia simplesmente entregar para eles? - ele levantou meio constrangido com a minha avaliação negativa.
A certo ponto o seu averiguar de palavras era totalmente afirmativo, pois se era para nos entregar. então essa oportunidade ja teria simplesmente acontecido, dado que esta situação acabava de começar a relativamente pouco tempo.
- Lamento, mas eu já sinto duvida em todo o sentido!
Ele começou andar de um lado para o outro meio nervoso, e esse mesmo nervosismo, fez ele parar para encarar Jasper no alto da escada, que não arredava pé sempre preocupado com algum tipo de alteração momentânea.
- Eles são muito perigosos, eles prometem muitas coisas e no fim quando pensamos ter sido úteis ao ponto de ver nossos desejos cumpridos, eles simplesmente não existem.
- Burro cair na ilusão! - farpou Jasper ao descer as escadas.
- Jasper! - levantei do sofá já não tolerando mais a falta de educação dele. - Vai para o teu quarto imediatamente! - apontei o dedo no sentido das escadas.
Ele deu as costas subindo-as novamente com total mau humor, pois não gostava de ser repreendido, muito menos por mim, dado que talvez quando isto acontecia, era porque efectivamente estava a chegar ao meu limite.
- Desculpa James a falta de educação do Jasper, mas ele é meio brincalhão com as visitas! - tentei amenizar a situação constrangedora. - Mas voltando ao assunto, que já é tarde que mais tens para convencer?
- A minha história com a minha família... eu não quero aborrecer muito, mas é complicada. - indiquei para que senta-se e pudesse prosseguir. - Os meus pais são de uma família muito preservada, não toleram determinadas mudanças. - corte.
- Como o facto de ser uma criança diferente do normal? - olhei para ele.
- Sim, mas pior... - baixou o olhar suspirando. - O meu pai, ele quando descobriu que o seu único filho era um ser como eu, ficou a odiar-me por completo, a minha mãe tem medo de mim, e acharam que a melhor oportunidade integrar-me num colégio interno, ficar longe de suas vidas, porque os envergonhava.
- Que monstruosidade essa... - levei a mão a boca chocada.
Ele continuou a contar todo o resto da sua vida difícil, não falhando a detalhes como o bulling que foi vitima, e os maus modos de como os pais o olhavam e a agressividade onde encontrou um refugio, ao qual era escravizado, usado e no fim abusado.
Mas havia algo que podia ser bom no meio de tanta maldade acrescida. Alice podia ter sido alguém pelo qual ele pudesse ter mantido contacto, e isso eu não ponderar perder a oportunidade de saber, porque era uma chance única.
- James sem querer aborrecer muito mais, eu gostava apenas de perguntar mais uma coisa.
- Claro!
- No período de tempo em que vives-te com os maus, não conheces-te por acaso esta menina? - entreguei para ele uma foto que tinha no meu bolso para lembrar sempre da minha princesa. - Ela é a minha filha, e assim como tu, foi levada pelos maus.
Ele ficou analisar a foto com muito pormenor, eu chegava a ter esperança de ter uma boa noticia.
- Não, eu nunca a vi antes. - entristeci.
- Eu acreditava que sim, mas lamento...
Ele pegou na minha mão dando um carinho, logo limpei uma lágrima involuntária do meu olho.
Caroline
Carmen estava a tempo demais a conversa com aquele que não deixava inteiramente cocegada, ele não era confiável, não depois de ter a lata de fazer passar-se por alguém para chegar a nós. Como alguém podia ser tão inexplicável? Inconveniente?
Comecei andar pelo corredor, ate puxar pelo braço de Jasper ate ao seu quarto, onde encostei a porta com cuidado para não acordar as crianças que já dormiam, em seus sonos inocentes.
- Qual é o problema agora? Queres um beijo meu é? - brincou ele da minha cara séria.
- Não comeces com as tuas piadas secas... - resmunguei. - É sério... - olhei pela fresta da porta para certificar-me que ninguém subia entretanto e acabei mesmo por trancar.
- Então fala faiscas!
- Caroline para ti! - corrigi com firmeza.
- Que seja...
- Então, o que se esta a passar ali em baixo? Porque ele ainda não foi embora? - perguntei ao cruzar os braços.
- E eu tenho cara de quem tem de saber tudo? - girei os olhos. - Care, eu não sou nenhuma central de informações.
- Claro que não, se fosses de certo que não estarias aqui... - dei de ombros.
- Ei... - ele aproximou de mim, tocando nos meus ombros, fazendo olhar em seus olhos. - Eu estou aqui para ajudar no que for preciso, jamais vou tolerar que alguma coisa aconteça a t... a vocês.
Respirei fundo, procurando um novo foco, me soltando das suas mãos em meus ombros ligeiramente oprimidos e incomodados. A sua aproximação me deixava electrizada, com vontade de fazer o que qualquer uma faria, mas eu não podia arriscar, não era de meu feitio, brincar com coisas sérias.
- É muita consideração da tua parte, mas...
- Mas nada. Care por mais que mais que estejamos sempre a implicar um com o outro, por mais que querias acreditar que me odeias, eu... eu... gosto muito de ti, muito da Maggie, do Alec... não posso permitir que da forma cruel que tiraram o meu irmão de mim, tirem vocês de mim. - baixei o olhar triste. - Eu não pode honrar ele, mas eu sei que posso fazê-lo por vocês.
Desviei o olhar cansada e frustrado de cimo do cómodo, para o encarar e aproximar gradualmente, pegando sua mão com cuidado.
Apesar não sentir a sua pele na minha, dava para perceber o quanto ele estava nervoso, o quanto ficava mexido ao tocar em determinados detalhes de sua vida.
Eu não era ninguém para julgar, não depois de quase ter morto a própria irmã acidentalmente, de quase ver a sua vida frágil virar pó.
- Eu lamento muito mesmo, Jasper. - ele baixou o seu olhar ate o meu nível, apesar de saber a sua inteira vontade me tocar, mas não poder para sua própria segurança. - Não deve haver maior dor que essa. - desviei o olhar, quando percebi que a dor nas palavras.
- Há... - voltei a olhar em seus olhos.
- E qual seria? - questionei a sua imposição.
- A de não poder tocar-te, de não beijar-te sem arriscar a própria vida... - suspirei dando as costas. - Caroline desde o primeiro dia em que te vi, que senti algo que não conhecia, algo novo... - mexi os meus pés que estavam a reflectir a lua. - Eu sei que estou a parecer um idiota a declarar, mas o que falo é sincero, e uma vez na vida eu aprendi a ser assim, quando inutilmente a rua me ensinou tantas outras coisas.
Mantive o meu silencio, fazendo força para conter as lágrimas que o coração pedia por soltar, que batia por enfrentar, mas não o podia fazer, não na sua frente.
- Boa noite Jasper! - corri ate a porta a destrancando apressada e assim sair a correr novamente para o meu quarto.
Fechei a porta atrás das minhas costas e deslizei ate ao chão ficando sentada e a chorar.
Eleazar
Quando o sol nasceu, eu não havia pregado o olho a noite inteira, muitas coisas não saiam da minha cabeça, e uma delas era a conversa agressiva e agreste que havia travado com Carmen. Eu apenas queria o melhor para o meu filho, e o melhor ele merecia ter. Esta casa que hoje eu pisava já não era uma segurança para nós.
Então peguei as malas e comecei arrumar as minhas roupas dentro.
- Pai! - olhei para trás quando vi o meu filho a esfregar o olho ainda de pijama.
- Olá filho! - peguei ele no colo, para o sentar na cama.
- Para que é a mala? Vais embora? - perguntou ele com o seu olhar inocente.
- Vamos embora filho, para longe, sim? - ele inclinou ligeiramente a sua cabeça.
- A Maggie também vai?
A sua pergunta era tão inocente e ao mesmo tempo era tão digna de ser feita, mas eu não podia mentir para ele e então a solução era falar a verdade.
- Não, meu amor! - passei a mão na sua cabeça. - Desta vez será só eu e tu! - ele fez beicinho.
- Eu não quero ir embora, não sem a Maggie! - ele debateu com as suas mãos no cimo da cama. - Ela é a minha irmã de mentira, a Carmen a minha mama, o Jasper e a Caroline os manos mais velhos. - peguei a sua mão. - Não faças isso papa... - ele implorou ao sobrepor a outra mão na minha. - Eu prometo que vou portar bem, e não vou mais fazer disparates grandes e vou fazer todos os deveres quando tu mandares, eu ate limpo a casa se preciso, mas não vamos embora por favor. - os seus olhinhos brilhavam.
- Como eu consigo resistir a essa carinha? - abracei o meu filho com tanta emoção.
- És o melhor pai do mundo, e de certeza que a mama lá na viagem dela, esta muito orgulhosa de ti.
Jasper
A noite passada não me saia da cabeça, a vontade de a beijar permanecia, mas ela continuava afastar-me tanto, mais que o possível, mas o inevitável. Queria tanto poder estar perto dela, de a tocar e fazer de si a mulher mais feliz. O que podia estar a falhar?
- O facto de vocês só estarem bem a discutir! - olhei para o lado.
- Maggie, já estas ai a muito tempo? - perguntei ao levantar da cama.
- O suficiente para perceber atitude de Caroline quando chegou ao quarto, e perceber que os teus sentimentos são puramente nostálgicos. - saltou para o chão ficando a minha frente. - Eu sei o que sentes por ela, e se é tão puramente verdadeiro como pensas e fazes sentir, porque não segues em frente?
- Porque nem tudo é simples como a tua cabecinha... - esfreguei os seus cabelos.
- Ei, estas a estragar a minha franja. - resmungou ela alisando e eu a rir.
- Eu posso ate ser muito pequenina, mas eu sei o que o um coração como o teu, ou ela podem sentir. - sorriu. - Espero que não seja tarde para mudar.
Ela saiu do meu quarto e eu fiquei pensativo. O que ela queria mesmo dizer com o ser tarde para mudar? Será que ela sabia de mais alguma coisa que eu estava sem perceber?
Carmen
Ao entrar na cozinha, peguei um café da máquina e olhei pela janela lembrando de tantas coisas feias da noite passada que de certo era tarde para remediar. Talvez ele estivesse mesmo certo e eu estivesse totalmente obcecada com a minha filha, e essa procura já estava indo longe demais. Mas havia mal em um mãe querer encontrar sua filha? Eu pensava que não, infelizmente nem todos pensavam assim.
- Alice! Que saudades meu amor! - deixei cair a xícara no chão, pousando as moas na pia do lava loiça a chorar copiosamente sem parar ao apenas sussurrar baixo o nome da minha pequena e expressar a sua falta.
- Carmen, esta tudo bem? - mantive-me em silencio, apenas o gotejar das lágrimas era audível. - Carmen...
- Eleazar pousou a sua mão no meu ombro e me puxou para um abraço. - Desculpa as coisas feias que falei para ti, mas eu não tinha esse direito, não depois de tudo o tens feito por nós, por essa família. - afastei do seu abraço para encarar os seus olhos. - O Alec tem razão, fugir não é solução para os problemas. - acenei afirmativamente que sim com a cabeça. - Juntos vamos encontrar Alice, sem medos, sem fugas... eu prometo.
- Obrigada Ele... - voltei abraça-lo tão forte.
- Ei que trapalhada... - juntos olhamos a figura de Rennée.
- Rennée!
- Não se preocupem vim só trazer um miminho para o casal e na verdade os convidar para uma terapia de casais. - olhei ele, depois ela.
- Uma terapia? - perguntei inocente.
- Claro, eu não pude deixar de perceber que estão com problemas no casamento, e para ser franca, eu também já os tive com o Charlie. - sorriu toda triunfante.
- Claro... - respondi sem agrado.
- Obrigada por tudo, mas nós não temos problemas nenhuns. - apressou-se Eleazar a empurrar a mulher para fora e com uns dedos de prosa a ocupar.
Voltei a focar os meus sentimentos na minha integra e inesperada atitude, a saudade que tinha e não conseguia mais segurar.
Jasper
Por um lado a Maggie tinha razão, eu tinha mesmo de fazer alguma coisa, antes que fosse tarde demais.
Então sai do quarto apressado, pegando na mochila que estava no cimo da escada, e correndo ate a cozinha na expectativa de a encontrar. Porem ela já havia saído com os miúdos, então tratei de apressar antes de falhar com uma vez mais as minhas atitudes.
Peguei na moto que estava no lado de fora e acelerei apenas parando no parque da escola e uma vez mais correr inteiramente na expectativa de a encontrar por esses longos corredores.
No bar ela não estava e com as amigas também não, comecei a ficar pensativo ate lembrar da secção de cacifos, pois era onde ela normalmente ia para guardar suas coisas, ou simplesmente passar o tempo, porque bem ao lado tinha um banco na janela, onde já havia visto a ler e ouvir musica.
Antes mesmo de seguir nesse sentido, voltei a rua, mais precisamente ao jardim, pois queria de lá buscar uma rosa que sabia que as raparigas eram todas de gostar disso, e pronto para os adultos era romântico.
Já de rosa na mão bem perfumada, trilhei caminho ate ao cacifo botando um sorriso caloroso, mas quando simplesmente ao virar a esquerda, fui surpreendido ao encontra-la sentada com Edward, aquele rapaz que em outro momento a tinha humilhado.
Fiquei com raiva e a minha vontade era de estrangular a própria flor e deitar no chão, esmagando, no entanto surgiu Jane por de trás de mim com um sorrisinho encantador e como o mal já estava feito, acabei mesmo por oferecer a rosa para si, apesar de o destino ser outro.
- Oh que romântico! - falou ela ao pegar nela e sorrir animada em tom de exibição para as amigas. - És o melhor! - e beijou-me, e claro esta que retribui, pouco lixando se a Caroline via ou não.

Carmen parece quase convencida de que pode confiar no James, não? E ele parece ter sofrido bastante por ser como é. Se ele estiver mesmo disposto a ajudar esse pessoal que já perdeu tanto, acho que ele pode finalmente encontrar um lugar para chamar de lar... Uma pena que ele não saiba nada sobre a Alice, a menina deve estar mesmo bem escondida...
ResponderEliminarOh, meu coração está aos pedaços depois dessa conversa entre a Caroline e o Jasper! Eles já sofreram tanto, mesmo sendo novinhos ainda, e as coisas não se tornam mais fáceis, mesmo que tenham encontrado pessoas com as quais possam contar...
Eleazar estava tentando fazer o melhor para o filho, mas não conseguiu resistir aos pedidos do pequeno de que eles não fossem embora. Parece que Alec já se apegou bastante aos demais, e seu pai teve o bom coração de levar isso em consideração.
Ownnn... Maggie bancando a pequena cupido, que fofa! Mas acho que Jasper tem razão quando diz que as coisas não são tão fáceis como podem parecer... Lidar com sentimentos nunca é algo fácil.
Renneé tem a incrível habilidade de aparecer nos momentos mais inoportunos, fala sério! E que história é essa de terapia de casal? Fala sério, que mulherzinha mais intrometida!
Não acredito que o Jasper fez uma criancice dessas! Que mal havia em a Caroline estar conversando com o Edward pra ele agir dessa maneira? Primeiro ele diz todas aquelas coisas num dia, e no outr sai beijando a Jane, francamente! Care faria muito bem se nunca mais olhasse na cara dele, viu?
Desculpe a demora para vir comentar, mas já vou logo para o próximo!
xoxo
Olá Caroline :)
ResponderEliminarÉ James afinal como havia mencionado no comentário anterior ele nao ia ser como o James de Twilight. eheh e isso eu garanti aqui e por outro lado ele parece bem disposto a encontrar a encontrar uma forma util de começar do zero e a fazer tudo bem, tambem ja é hora.
O casal esta de mal a pior, é certo que me custou imenso escrever esse dialogo, porque tinha de ter em concideração "n" sentimentos, "n" reações que pronto nao falamos de um casal qualquer, nao? Mas foi bom saber isso, mas parece que as formas de compreensão vao para alem do normal.
Eleazar é um bom pai, ele ama o filho que tem e normal é de fazer uma vontade saudável porque tem em conta as várias mudanças que foi alvo ao longa da infância triste, como o facto de perder a mae em tao tenra idade. Nao é facil para ninguem. E sim ele de facto esta muito apegado a essa chamada familia de mentira, que no fundo ja se tornou de verdade dentro do coração, e como sempre digo, familia nao se resume apenas a pai e mae ou irmaos, é muito mais do que isso, é amor, é afecto e isso apenas se tem quando é dado em grandes quantidades e nao importa por quem.
Maggie é uma bonqueinha que so quer fazer o bem, como ela propria ja o falou se nao me engano gosta de fadas e como elas ja de si sao sempre boas, entao ela tambem. É certo que em muitos aspectos o mundo podia ser muito mais simples e esses pontos de vista de uma criança seriam tao mais simples de adulto entender.
Rennée e sua sabedoria pouco nata, mas a ideia de aparecer em horas erradas e ter ideias absurdas é com ela mesmo. kkkk E tenho a mesma opinião que voce, ela é a pior peste que esta nessa cidade, e como nao fosse pouco é a senhoria deles, e digamos que intrometida é pouco para descrever esta mulher.
Jasper e suas atitudes machistas como eu digo sempre, porque ele é assim, e nao tem como mudar. É claro que nao parece correcto o facto de um dia declarar, e no outro "mentir" beijando outra, mas no capitulo seguinte voce percebe a razão mais detalhada.
Mas como o Jasper tem muitos outros cabeças duras no mundo, pode acreditar.
Não tem problema nao, linda. :)
Beijinhos