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Coração de Robot - Capitulo 41 - Falta de Carácter

Capitulo 41 - Falta de Carácter

Kim

A discussão ouvia-se tão bem do corredor, que não consegui conter o meu encanto, porque Alice finalmente estava a ganhar o lugar que nunca havia de sair, quando deu por si a criar uma vida longe da sua família, ao qual achavam morta, lá com aquela história absurda de ter ficado perdida e tudo mais, que no fim de contas, só um idiota e apaixonado que acreditava. E eu, magnífica estava para começar a teciar o meu novo lugar, que seria nem mais nem menos ao lado do homem da casa.

Hum, era fantástico eu já me imaginava a mandar a criadagem preparar a minha comida, a por essa vadiazinha na rua, com todas as ruas roupas lançadas da varanda, porque era a mais humilhante do planeta, e esse jardineiro chato e metido, na rua com as florezinhas, de onde nunca devia ter saído. E quanto a robot, mal podia esperar por entrar naquele laboratório e terminar com o que Jasper não havia  concluído, pois bem eu ia dar um jeitinho de ela nunca mais sair feliz por ai.

Sim, eu ia tirar a hipótese de a acordar para sempre, se eu ia me livrar de uma, queria logo livrar da cópia por mais que não passasse de metal, não deixava de ser a maior sombra da minha vida.

Estava eu agora a entrar no quarto do Simão, ao qual ele já estava de olhos abertos e bem agitado ate por sinal. Aproximei dele, sentando bem ao seu lado, e comecei acariciar a sua testa suavemente.

- O que se passa meu amor? - perguntei meio preocupada, tendo a percepção de sua testa estar ligeiramente quente, ate demais para o habitual. - Oh meu Deus, estas com febre! - sussurrei baixo.

- Mama! - falou ele baixinho e trémulo.

- Fica calmo querido, eu vou chamar alguém, a mama volta já!

Levantei do lado dele indo ate a porta, onde tratei de tirar o telemóvel do bolso e fazer uma ligação para o pediatra dele, e assim esperar que ele pudesse vir ate aqui, se não teria de recorrer a outro meio, e isso resumia ter de incomodar o Jasper, porque eu teria de obrigatoriamente o fazer.


- Ai meu Deus! - sussurrei a espera que a pessoa do outro lado da linha atendesse. - Por favor doutor, atenda! - comecei a bater o pé no chão bem impaciente.

- Por esse andar vais furar o chão de tanto bater! - voltei atenção ao Jasper que estava bem atrás de mim com um sorriso forçado.

- O médico não atende! - desisti de tentar a décima vez.

- Mas passa-se alguma coisa? Eu posso ajudar? - ele mudou sua expressão para preocupada.

- O Simão esta com febre, eu não sei o que mais fazer, se não o levar já para o hospital temo que piore! - mostrei meu lado maternal mais activo que nunca, ate porque era a hora de assim agir.

Eu faria tudo o que fosse possível pelo meu filho, eu arriscaria tudo mesmo, ate a minha vida, mas claro esta que podia ter ajudas, e isso eu não recusava de maneira nenhuma.

- Vamos já leva-lo para o hospital!

Então ele entrou na minha frente pegando na criança ao colo com cuidado e saindo de seguida, eu claro esta que ia atrás ele, sempre preocupada, mas com vontade de sorrir, porque para trás ficava a idiota e abandonada Alice.

Lucy

Era impossível ficar de mau humor depois de conversar abertamente com ela. Ashley era a melhor pessoa que eu tinha para conversar, para poder ajudar com estas pequenas coisas, que as vezes eu as tornava tão grandes, que ate perdia a noção do que na verdade fazia.

Bom, mas a conversa havia terminado também, e com isso eu garantia que estava uma vez mais sozinha na minha sala, e na frente dos papeis que me deixavam totalmente intrigada.

Eu queria resolver um problema, mas outro lado ainda tinha outro que estava por acabar, mas ainda assim, ambos estavam ligados, eu sentia isso, haviam provas que assim o indicavam. Uma mesma pessoa estava ligada  a um triângulo, que não parava de fazer questão de ter como tema Alice.

Por mais que aquele advogado fosse grosseiro, e por mais quisesse manter a sua cliente salva de acusações, ela estava sempre implícita em tudo. Era como um quebra cabeças em que a sua chave apenas se abrisse apenas com aquela pessoa, aquela alma.

- Lucy! - levantei os olhos ao ver a Maggie. - Posso entrar?

- Já entras-te! - disse eu.

- Desculpa! - acenei para aproximar. - Eu vim aqui para convidar-te para sair, mas parece que não vim em boa altura, porque uma vez mais estas presa no teu quebra cabeças, sem solução.

- Sem solução não, porque todos os problemas tem como ser resolvidos. - apontei o dedo.

- Ok, ok... tu é que sabes, o que pensas, nao eu! - falou ela por fim.

- Nem devias pensar assim, porque és devota da mesma profissão como eu! - ri.

- Engraçadinha, mas parece que arranquei um riso teu o que já não é mau.

- É verdade! - levantei da secretária, dando por concluído o trabalho do dia. - Sabes que mais vou para casa, pois quer parecer-me que preciso de umas boas horas de sono que perdi na noite passada.

- E uma massagem, e um beijinho! - brincou a morena de olho azul. - E no fim acabam os dois na cama.

- Maggie! - repreendi.

- A dormir claro, o que mais teria de ser?

Fez de desentendida quando encaminhávamos para a porta e assim seguir ate ao elevador, onde conversamos mais um tempo então enquanto descíamos ate ao parque de estacionamento.

Enquanto a nossa conversa fluía nesse percurso, pela minha cabeça passaram novas ideias, e todas elas uma vez mais iam ao encontro de surpreender o meu namorado, e não acabar por ser surpreendida, mas e não tinha reflexos para adivinhar o depois.

Despedi-me da Maggie quando entrei no carro, mas ainda consegui ouvir um "Liga-me se precisares de ajuda!" acenei simplesmente com a mão já dentro do carro. Dei a partida quando coloquei por fim o cinto, e simplesmente acelerei ate casa animada e por outro lado bem exausta.

Alice Original

Estava completamente irritada, Kim estava a jogar sujo contra a própria amiga que no fim de contas só a tinha ajudado e muito, porem as pessoas ingratas jogavam todas a favor do errado, e eu que só queria o bem, e sempre acabava mal.

Jasper estava a odiar-me por um ponto que eu própria já havia ter contado, porem as circunstancias assim não o permitiram, mas eu não ia desistir, não mesmo, ele era meu, esta família era minha, e eu não ia deixar que nenhuma golpista feito essa ingrata, tirasse de mim o que demorei a recuperar.

Fui ate a janela onde por incrível que parecesse, vi Jasper carregar em seus braços o pequeno Simão, o meu coração nesse segundo disparou, eu devia estar lá, mas não estava, ele queria que eu ficasse afastada, mas eu não podia, não mesmo. Por outro lado, havia alguma dentro de mim que impedia essa minha aproximação, era como um sinal. Então eu fiquei.

Fiquei intensamente triste, e lá estava ela, com aquele sorriso cínico, apenas seu a olhar a janela de meu quarto, a olhar para mim. Ela era uma cobra, que só tinha veneno em seu coração, em sua alma e pronta estava para envenenar todos a sua volta.

Eu não aguentava mais ter de passar por esse inferno sozinha, então tratei de ligar para o meu irmão, porque ele era a melhor pessoa para falar, e como ele era a melhor, eu precisava dele.

Digitei o seu contacto toda a tremer, ate por fim ele atender e suspirar de alivio.

- O que se passa Alice? - sentei num puf do quarto.

- Edward... o Jasper já sabe de tudo! - falei em meio de soluços quase impossíveis de controlar.

- Calma, Alice fala mais devagar, para ver se eu percebi! - falou ele. - Quando falas descobriu tudo, no que exactamente referes? - respirei fundo.

- Ele descobriu que o Simão não é nosso filho! - uma lágrima rolou pelo meu rosto involuntária a procura de oceano para pousar.

- O que eu te disse de falares logo a verdade, antes que ela própria trocasse as tuas voltas? - alertou ele quase chateado e com toda a razão.

- Eu sei, eu sei... puxa errei e agora o que eu faço?

Baixei a cabeça mesmo muito mal comigo mesma, eu não estava bem, eu precisava de desabafar e não conseguia fazê-lo totalmente comigo mesma. Eu não conseguia controlar as minhas lágrimas, a minha essência.

- Não podes fazer nada agora, Alice! Tudo o que tens para fazer agora é esperar que ele aceite e perdoe! - disse.

- Não, Edward tu não percebes, ele saiu do quarto, ele quer a nossa separação. - outra lágrima caiu. - Ele não pede o divórcio, por causa da minha família, entendes? - respirei fundo.

- Calma minha irmã, eu estou aqui e não vou desistir de ti, jamais. - forcei um sorriso ao qual ele não podia ver. - Independentemente das tuas escolhas, dos erros que cometas, eu sou teu irmão e jamais vou abandonar-te, estas ouvir!

- Sim... - acenei ao falar.

- Agora fica bem, porque eu preciso de trabalhar, mas volto a ligar mais tarde para ver como estas, ok?

- Certo! Ate mais tarde mano! - sorri.

Assim se desligou a ligação, eu quase que senti que um peso maior havia saído de meus ombros, embora fosse apenas impressão e realidade não o era essa.

Jasper

Enquanto dirigia-me para o hospital pediátrico, não parei de dar olhadelas pelo espelho para o pequeno que mantinha-se intacto no banco de trás. Kim não havia prenunciado uma palavras durante todo o caminho, e por isso eu sentia que não era hora de o fazer, a menos que ficássemos sozinhos.

Parei o carro no parque e tratei de ajudar  carrega-lo ate a urgência, onde amavelmente fomos assistidos por enfermeiras prestáveis, que levaram desde logo o pequeno para o interior.

Na sala de espera fiquei eu e ela, e a tensão que havia no clima tornou-se absurda, então quebrei o silencio.

- Kim! - ela olhou para mim, sentando por fim. - Queres um copo de água? - perguntei.

Embora a minha vontade no momento fosse de falar em outras coisas, que estavam travadas na minha garganta, porem eu não podia ser insensível, dado que ela só precisava de tranquilidade.

- Não Jasper eu não quero nada! - então baixou a cabeça.

- Ei, não estas sozinha nisto, eu estou aqui! - levantei o seu rosto com as pontas dos meus dedos, olhei em seus olhos e simplesmente beijei a sua testa. - É melhor eu ir buscar um copo de água, porque estas com cara de quem precisa, apenas para acalmar.

Levantei indo ate a máquina tirando um copo de água e pegando de seguida no açúcar para dissolver e assim se tornar um calmante modesto para ela. Voltei a sentar ao seu lado, dando a ela o copo e esperando que assim bebesse tudo.

- Estas a ser muito simpático comigo, e talvez eu nem mereça! - sussurrou ela tomando um gole.

- Não digas isso!

Minutos depois o médico surgiu na ala. Logo nós dois levantamos em estado de alerta possível e os nervos começaram a tomar posse de mim, assim como dela.

- Doutor como ele esta? - perguntou ela, impaciente.

- O Simão esta bem, a febre não era nada de alarmante, mas ainda assim recomendo cuidados, porque não estamos a falar de uma criança qualquer, e quando falo numa criança como estas que sofre de Leucemia e Osteogenese imperfeita, não é nada de desvalorizar, porque sabem são doenças altamente fragilizantes. - acenei que sim.

- Mas então, doutor qual foi a causa da febre do menino? - perguntou Kim, ao qual segurei sua mão para tranquilizar.

- O Sol, uma exposição prolongada ao sol pode provocar uma situação como essas a uma criança deste calibre. - indicou o médico enquanto acompanhava ate a salinha dele, onde o Simão estava deitado na maca.

- Mas ele já pode ir para casa, certo?

- Claro que sim!

Abriu a porta onde entramos e não deu nem para esperar o médico dizer onde a criança estava pois ela como mãe já havia se antecipado.

David

Alice estava a demorar de mais com o maldita planta da casa que muito precisava para descobrir aquela localização imediata para achar a minha robot e assim ter os esclarecimentos mais precisos, porem nada jogava a meu favor, o que estava a deixar-me sem ideias, então ia arriscar.

Entrei na cozinha e Luisy havia dito que o patrão havia saído a pelo menos algum tempo e de tal modo aflito, que o assunto devia demorar para resolver, mas que Alice estava em casa e em parte era o que queria.

Então entrei em uma área que nunca na vida havia pensado pisar, observava tudo com total deslumbre, o piano onde tudo e apenas tudo mais fazia sentido, as minhas memórias estavam por inteiro ligadas a ele, Alice estava ligada a ele, enfim umas tantas coisas que nem conseguia conter espanto.

- O que fazes dentro da minha casa, Jardineiro! - dei um salto ao olhar para os lados e não ver ninguém, mas simplesmente a voz vir do alto da escada.

- Alice eu vim buscar a planta que comprometes-te arranjar! - avisei. - Como vês o tempo esta a esgotar.

- E como vês eu não estou com paciência para isso! - desceu as escadas meio de mau humor. - Lamento, mas eu não posso ajudar!

- Eu falei que era para o bem dos dois, ou vais dizer que não tens curiosidade em saber o que tanto teu marido tem nesse laboratório?

- Oras, robôs que mais podia ser? - ironizou.

- És inacreditável!

- Obrigada! - riu-se da minha cara. - Agora se não te importas, faz o favor de sair porque a minha sala esta a ficar imunda de tuas botas de terra.

- Fica a saber que eu não vou desistir, não mesmo!

Então dei as costas seguindo ate ao jardim onde uma vez mais começava tudo no zero, pois a maldita sem carácter estava a roubar de mim a grande oportunidade de chegar a quem eu queria. Porque pessoas como ela não tinham palavra, mas eu era esperto, e ia de certo modo trocar as suas voltas, ou eu não me chamava David.


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