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Coração de Robot - Capitulo 43 - Em Fuga

Capitulo 43 - Em Fuga

Lucy

Uma semana depois manter o processo que estava em minhas mãos adormecido, eu voltei a desenterrar o meu machado de guerra. A verdade é que já andava a dias demais adiar detenção do culpado que ate por sinal andava muito livre, quando na verdade já devia estar mais a cumprir sua pena.

Sai do escritório, indo ate ao gabinete superior mostrar minhas provas em relação ao caso do homicídio primeiramente do investigador Félix que ate a data era o que melhor dava evidencias da real aparição da rê, que por outro lado ligava a outro crime, aparentemente propositado, devido a determinadas provas encontradas junto da segunda vitima.

Por outras palavras estava ligada numa trilogia criminal, tudo por conta de um maldito passado, um segredo que gerou a morte de um investigador, por a mando do cliente investigar o passado da arguida, que por sua vez, acabou por morrer num encontro, porem apareceu uma terceira pessoa, a tal Maria, que encontrou as provas, chantajou a arguida, e esta sentindo-se ameaçada acabou por mandar silenciar a outra. Pensando eu própria acreditava na minha teoria, e era com base nisso que ia seguir em frente e resolver de uma vez por todas este caso.

Tal como queria o mandato de detenção foi liberado, e eu simplesmente preparei-me mentalmente para conseguir o que queria, que era apenas a justiça. E se essa Alice que ate a data não inspirava qualquer tipo de confiança, era mesmo culpada, como eu realmente achava que era devido a muitas evidencias, então teria de ser julgada, condenada e pagar pelo crime, caso contrário teria de provar inocência, só desta vez não daria nem espaço nem tempo, seria mesmo na frente do juiz.

Ao entrar dentro do carro, Maggie acompanhou-me, vindo atrás assim como alguns policiais, para caso da pessoa em questão oferecer resistência na detenção ordenada pelo juiz, o que não era de ficar surpresa, dado que já havia assistido a tantos episódios embaraçosas que este não seria um tão diferente dos outros.

Parei o carro, Maggie saiu do seu, enquanto os policiais aguardavam uma indicação minha que ia entrar no perímetro da casa, e apenas fazer aquilo que me competia como autoridade da justiça.

Tal como previa a recepção não foi de todo a mais calorosa tanto que acabei por entrar a força usando da minha imprescindível capacidade de preservação autoritária.

- Pois não? - perguntou a senhora de talvez aspecto de meia idade e que pela parecença devia ser a governanta da casa e pelo aspecto de suas palavras secas e poucas teria ordens de não deixar entrar de ânimo leve.

- Eu quero falar com a sua patroa, e acredite é bom que ela venha receber-me porque caso contrário irei ser obrigada a invadir o resto da casa, e lamentavelmente respeitando seu trabalho precioso, não é algo que eu quero. - a senhora parecia perturbada e talvez com medo, mas acabou cedendo ao ir a procura da patroa.

Enquanto ela reencaminhava a sua busca pela casa, eu aguardava na sala ansiosa e de certo modo nervosa e pensar em mil ideias como o facto de ter uma mera ideia do tipo "será que ela vai aproveitar e avisar a patroa e assim fugir?" questionei mentalmente.

É certo que não podia de todo descartar essa hipótese, porem a melhor forma mesmo de saber seria aguardando.

- Lucy, esse olhar quer parecer-me que não acreditas na probabilidade de que Alice ainda esteja dentro destas quatro paredes! - cogitou Maggie, ao aproximar-se de mim.

- Gostaria de estar enganada, mas eu acredito piamente nessa questão. - cruzei os braços pensativa.

- Sendo assim, vou comunicar o alerta para todos os pontos de saída da cidade e fronteiras, para garantir que a nossa fugitiva não tenha sorte na fuga. - adiantou-se.

- Faz isso!

Minutos depois de Maggie sair, a senhora apareceu com cara aflita e ao mesmo tempo muito preocupada, que deduzi logo que a nossa fugitiva já estaria em plena fuga, no entanto deixei que a própria senhora o falasse para mim.

- A dona Alice não esta em casa, pelo que vi no quarto, estava tudo baldeado, a mala e as roupas não estavam mais no sitio. - informou.

Fui ate a porta alertei os policiais para fazerem a ronda no condomínio, não fosse a fugitiva estar perto ainda. E peguei no telemóvel ligando imediatamente para o parente mais próximo a ela, não fosse este estar ajudar a fuga, ou simplesmente estar alheio a tudo, que era nomeadamente o marido.

- Alô? - a pessoa atendeu.

- Estou a falar com Jasper Cullen? - perguntei enquanto dirigia-me ao carro.

- Sim, sou eu! - ele respondeu.

- Daqui fala a investigadora Lucy, e quero alerta-lo para o facto de se a sua esposa entrar em contacto consigo e tentar de alguma maneira pedir ajuda com a fuga. - avisei sem demoras. - Acontece que eu tenho um mandato de detenção e acredito que ela seja realmente culpada, pelo simples facto de estar a fugir, que por outro lado só esta a piorar a situação dela.

- Eu não fui informado dessa ocorrência! - falou ele.

- Nestas situação agimos em meios de surpresa, não gostamos de ver o culpado em fuga. - adverti ao entrar dentro do meu carro e colocar este a trabalhar.

- Esta a querer dizer que eu ia advertir a fuga da minha esposa? Sinceramente esse não é o tipo de carácter que eu acho correcto. - enrolei uma mexa no meu dedo indicador. - Mas em todos os casos, quero colaborar nas buscas, afinal é da minha esposa de que esta a procura.

- Nem eu espera outra coisa senhor Cullen. - disse. - Se souber de mais alguma coisa, por favor entre em contacto connosco, assim como eu terei todo o cuidado em informa-lo sobre o paradeiro de Alice Brandon.
Ditas as palavras desliguei a ligação preparando mentalmente para começar as buscas pela cidade enquanto ainda era dia e a fuga aparentemente recente.

Alice

Quando por ventura da minha janela dei conta da chegada daqueles todos veículos estranhos próximos da minha residência, eu não podia simplesmente deixar que levassem a minha liberdade, eu precisava de a preservar, mesmo que por outro lado eu não tivesse forma de a provar como estava certa.

Acabei mesmo por encontrar a mala, mesmo que não fosse das maiores e pousar dentro as minhas roupas para a fuga, e então sai pelas traseiras enquanto era tempo. Pelo caminho tratei de discar para um fazendeiro amigo meu que iria ajudar e em troca teria dinheiro para manter o meu silencio na boca do mundo.

- Alô, Conrad?

- Alice! - sorri ao correr pelas traseiras da casa onde tinha um carro pronto para casos emergentes, como era o de hoje.

- Preciso que deixes a casa da fazenda pronta, eu estou a ir neste momento para ai pelo atalho.

- Com certeza, esta tudo pronto a receber, mas vais trazer mais alguém contigo? - perguntou. - É para o caso de ter de mandar preparar mais camas, ou comida.

- Não, irei apenas sozinha! - disse.

- Certo!

Desliguei a ligação e entrei dentro do carro seguindo por esse atalho anteriormente referido antes que alguém lembrasse que existia um caminho alternativo e começasse a vir atrás de mim.

Jasper

 Depois de receber aquela ligação da investigadora ainda não estava a cair em mim, porque no fim de contas eu não conseguia acreditar na certeza de Alice estar a cometer um erro absolutamente tão grande. É certo que ela nos últimos tempos andava a mostrar indícios de grandes perturbações mentais, e isso o médico anteriormente já havia alertado para o facto de estar preparado para determinados surtos.

Mas ainda assim, a fuga não fazia sentido, Alice não podia simplesmente fugir se era inocente, mas por outro lado  justiça tarda, mas acabava acontecendo. E se realmente ela fosse culpada como as provas e o mandato assim indicavam, então teria de pagar, mas se por outro lado ela fosse inocente como em todas as vezes havia mostrado, então a sua liberdade seria devolvida e a sua absolvição dada.

Ao chegar em casa, Luisy veio ter comigo muito preocupada e certo modo entendia a sua total preocupação com o facto de ser abordada de uma forma menos cuidadosa por parte da policia, que nestes casos a simpatia não era um ponto de referência.

- Oh menino, eles andam a procura da Alice! - avisou ela, mesmo já sabendo. - Onde será que ela se meteu? É que fui no quarto dela e estava tudo baldeado, as roupas não estavam mais no roupeiro.

- Eu já sei, Luisy! - acalmei a senhora. - Eles já me informaram. - tranquilizei.

- E agora o que vai ser dela?

- Eu não sei, talvez seja melhor esperar! - acompanhei ela ate a cozinha, onde cuidadosamente servi um chá porque ela estava muito nervosa, e era o mínimo que podia fazer ao ter de a deixar enfrentar estas situações sozinha.

- O menino a servir-me, onde já se viu? - fez-se de ofendida.

- Luisy, eu não me importo, sabe que ate gosto! - disse ao chegar para si a xícara de chá de tília. - Por favor acalma-se e vamos deixar de cerimónias, sim?

- E o que falo se os pais da sua esposa perguntarem? - questionou ela, ao qual me fez lembrar de Edward.
- Para já não faça nada, alias diga para falarem comigo, ok?

E sai da cozinha correndo para o escritório, discando de imediato para o Edward, que não estava atender a ligação e de certo modo que não sabia de nada, e que por outro lado era quem devia ser imediatamente alertado.

Como ele não atendia, tratei de deixar uma mensagem de voz a dizer a seguinte coisa: " Edward por favor quando vires esta mensagem liga-me porque é urgente, é por causa da Alice."

Sentei na minha poltrona muito preocupado, pois apesar de tudo, não queria que Alice tivesse um desfecho triste e tão prematuro, afinal a sua família não merecia uma coisa dessas, não mesmo depois de ter presenciado momentos de tanta dor e angustia.

Lucy

Já havia percorrido metade da cidade e não haviam sequer pistas de onde Alice podia estar, apesar das evidencias estarem direccionadas a casa dos pais que em tudo  correspondiam ao mapa do condomínio, então lá ela não estava também, seguiram-se algumas outras indicações, aos quais tive o cuidado de averiguar e nada, versos absolutamente nada.

- Onde é que será que a fugitiva esta? - perguntei de mãos no volante, ansiosa.

Foi então que lembrei de ligar para a Maggie para o caso de já ter alguma novidade. Coloquei o telemóvel em alta voz e aguardei que esta atendesse.

- Alô? Lucy?

- Maggie, alguma novidade? - questionei, ao parar no semáforo que estava com o sinal vermelho.

- Ao que consegui apurar, ela não foi vista por nenhuma das estradas principais a saídas da cidade. - balancei a cabeça tomando nota mental. - Por isso só se ela usou algum atalho, que nestas situações é muito conveniente e que torna a nossa localização mais periférica e ao mesmo tempo mais difícil, porque existem pelo menos segundo sei, cerca de 500 atalhos alternativos nesta zona da cidade.

Inacreditável como alguém conseguia ser mais esperta de todas as cabeças pensadoras. Sempre havia ouvido dizer que duas ou mais cabeças pensavam melhor que uma, porem parecia que o velho ditado não comprovava a teoria.

- Maggie! - chamei.

- Sim, Lucy!

- Existe uma forma de localizar a fugitiva.. - pensei um pouco antes de falar, ate que lembrei. - manda fazer um rastreamento do telemóvel, é a forma mais rápida de localizar onde ela esta.

- Ok, eu vou fazer isso, ligo quando tiver noticias!

O sinal abriu e eu prossegui por essa estrada fora sempre acelerar e com o pensamento sempre na roda viva de "Alice tu tens de aparecer".

Alice

Na fazenda tentei instalar-me com bastante descrição, não queria ser muito falada, ou sequer ter conversas repentinas da minha vinda. Simplesmente queria manter a minha liberdade que esses policias e essa investigadora louca estavam sedentos por roubar.

Uma vez mais voltava a bater na mesma tecla, eu não tinha morto ninguém, era inocente", contudo quem ia acreditar em mim? Nem Jasper acreditava, porque mais que as suas palavras proferidas fossem todas como sim, mas a sua cabeça ela dizia que não. E Edward, ele era meu irmão, iria defender-me mesmo sendo ou não que era culpada, porque sangue do mesmo sangue, desde muito pequenos havíamos zelado um pacto de ajuda mutua.

E quanto aos outros, não tinha nada a prensar, os meus pais estariam na ignorância, a minha irmã Rose e a cunhada Bella apenas ficariam a saber do essencial que Edward disponibilizasse, segundo minhas indicações.

Ainda assim tinha alguém que ria no meio disto tudo, e que seria uma grande vitória a minha suposta prisão. Kim devia achar que eu era mesmo uma culpada em fuga, e mesmo que as vezes essa ideia não fosse de todo correspondida, ela não iria desistir de ver-me atrás das grades, apunhalando mais e mais, ate não sobrar nada de mim.

- Alice! - olhei para a porta.

- Conrad!

Levantei da cadeira indo abraçar. Estava feliz por estar aqui, talvez não pelas melhores razões, no entanto sabia que era um lugar seguro a manter ate que a minha situação deixasse de ser um ponto de concentração maior.

- Como estas? Eu quando recebi a tua ligação fiquei contente, mas ao mesmo tempo preocupado...
aconteceu alguma coisa? - as suas perguntas eram muito naturais, tão consintas, mas eu não podia simplesmente falar abertamente de algo que não era simples de entender.

- Conrad... aconteceram muitas coisas e lamento o facto de não ter aparecido mais cedo nesses tempos que não dei noticias, mas acontece que as circunstancias não o permitiram. - esclareci.

Alonguei por esse cair da noite a minha conversa com ele, haviam tantas saudades a matar, tantas lembranças a recordar, apesar de tantas escolhas a superar. Conrad apesar de não ser da mesma estrutura financeira da minha, ele não havia deixado de ser quem era para mim, por isso, ele simplesmente havia tomado a opção como certa de ficar a viver na fazenda que era dos meus avós.

A nossa distancia foi inevitável, mas também o reencontro foi bom, e modéstia era eu não conseguir esquecer o seu carinho, a sua afeição por mim, apesar de saber de muitas das minhas escolhas, todas elas tão longe de si.

Jasper

Ao fim de mais umas tantas tentativas encontrei uma brecha de ligação com Edward.

- Jasper, algum problema? - perguntou este alheio.

- Edward ando a horas a tentar entrar em contacto contigo, não te passa pela cabeça o que tua irmã decidiu fazer. - comecei andar pelo escritório.

- O que Alice fez? - a sua voz carregava preocupação.

- Presumo que já devas saber que a tua irmã anda a ser alvo de investigação a cabo de um suposto homicídio... - introduzi. - Pronto, seguindo... ela simplesmente fugiu e claro esta que a cidade inteira anda a sua procura. Edward a investigadora tem um mandato de busca para deter a tua irmã, e como vês a fuga não é de todo a melhor opção.

- Meu Deus, Alice esta a cometer um grande erro! - falou nervoso e ouvi passos de corrida, presumindo que ela saia de seu local de trabalho. - Jasper, eu vou tentar localizar ela, e tentarei advertir a sua entrega pelo seu bem, agora mantém as coisas calmas por ai.

- Ok, vou tentar manter isto aqui mais ou menos calmo, mas por favor mantém-me informado. - pedi.

- Não te preocupes, eu vou avisar-te assim que souber de alguma coisa.


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