Capitulo 45 - Sem coração
Ao regressar a minha sala dei conta de que alguém havia entrado sem que eu desse permissão para isso, porem não fiz caso, como podia fazer em outra altura, porque certamente teria uma boa resposta a minha espera. Então entrei dando de caras com o advogado da fugitiva, e com o marido, o senhor Jasper Cullen.
Eu não estava surpresa, ate que era evidente que isso tomasse controle da situação.
- Em que posso ajudar tão cedo? - dirigi-me a secretária sentando de seguida, não tirando nunca os olhos de cima de suas caras sérias.
- Quanta ironia! - falou sarcástico o ele, ri. - Sabia que aquilo que fez essa madrugada vai para alem das regras da lei civilizada, doutora Lucy! - bateu punho o advogado.
- Engraçado, eu presumo que o senhor desconheça leis! - bati de seguida também meu punho. - Que eu saiba a sua cliente infligiu uma lei, ela fugiu de um mandato, e sabe o que isso significa? - voltei a encostar as costas na cadeira.
- Vai ensinar-me sobre leis agora, doutora? - gargalhou. - Acho que já passei da idade de ser aprendiz, mas vamos directos ao ponto, eu quero ver a minha cliente, conversar com ela, e sei que não pode impedir! - levantou.
- Doutor Brandon, paciência faz o reino! - peguei o aparelho telefónico chamando a minha secretária.
Minutos depois estava ela pronta a dar a indicação aos policiais para levar a fugitiva para uma sala de interrogatórios. O doutoriznho saiu logo, para minha grande surpresa, mas o senhor Jasper não arredou pé e nem sequer prenunciou uma única palavra durante a troca dura de acusações frias na minha sala.
Estranhei obviamente a sua posição, eu não conseguia entender se tudo não era frieza ou simplesmente ele era assim no seu mistério natural.
- O senhor Jasper esta bem? - perguntei ao ver que ele não reagia a qualquer tipo de movimento.
- Claro! - levantou em seguida.
Acompanhei-os ate a sala de interrogatórios onde não passei da porta para dar um minuto de liberdade aos dois. Jasper uma vez mais permaneceu de fora, contudo não tentei sequer questionar razões, porque não eram da minha conta, sendo que o meu trabalho estava muito para alem dos afectos entre criminosos e não criminosos.
Então entrei em uma sala adjacente a que Alice estava, nessa sala havia uma particularidade desconhecida a essas pessoas. Havia um gigante vidro duplo que dava para ver e ouvir as conversas posteriores, sendo elas muitas vezes gravadas para serem usadas como provas de confissões criminosas, simplesmente espontâneas e longe da realidade policial.
Pouco tempo depois de sentar a observar, Maggie entrou sentando ao meu lado atenta e comentou.
- Foi uma noite complicada mas valeu muito a pena porque conseguimos!
- Ainda não consegui tudo... - ela olhou para mim não entendo de certo minhas palavras. - Acredito que ela ainda vá confessar! - coloquei os ocultadores nos ouvidos.
Jasper
Não sei que estava acontecer comigo, não conseguia ter nenhuma reacção positiva da situação que estava exposto. Alice parecia estar presa num buraco sem fundo e eu não sabia como ajudar. Por outro lado, ela não estava sozinha, o seu irmão iria ajudar de alguma maneira, pois confiava em pleno nas suas capacidades, e sendo elas máximas, sabia que em pouco tempo esse pesadelo estaria resolvido.
Fui ate a máquina do café tirei um capuchinho e voltei a sentar na borda da cadeira encostando a cabeça na parede áspera. Os meus pensamentos de volta e meia estavam a fervilhar com tantas coisas que não sabia como para-las, contudo teria de ter paciência e aguentar por enquanto.
As pessoas passavam por mim como baratas tontas carregadas de pastas e mais pastas, que presumivelmente seriam mais casos comuns aos que viviam na actualidade.
Uma dessas tantas pessoas entrou em uma sala pertinho da onde a Alice estava com Edward, porem não dei qualquer tipo de crédito, estava em um local que em nada dizia respeito.
Então derrotado bebi o meu capuchinho antes que arrefece-se ai teria de teria outro novamente, o que significava desperdiçar um tanto dinheiro, tempo e energia.
Alice Original
- Eu preciso que me tires daqui, não aguento mais nem um minuto aquela cela imunda que me trancaram. - deslizei as mãos nos ombros sentindo nojenta.
- Calma Alice! - Edward falava numa tranquilidade sem antecedentes. - Preciso de encontrar uma prova para ficares com a possibilidade de ter liberdade ate ao julgamento.
- Não quero saber, tira-me daqui!
Olhei para os lados sentindo que alguém observava em algum ponto, embora não sabendo onde. Aquela sensação de observação permanente não saia de mim, era horrível, traumática.
- Antes de qualquer coisa, preciso que me contes o que passou na tua cabeça para fugires? - ele tomou o seu ar sério e longe daquele que ele habitualmente tinha.
- Não esperavas que eu fosse entregar-me fácil, não? - fiz cara irónica. - Edward, eu não matei ninguém, quantas mais vezes terei de provar esse juízo de valor?
- As vezes necessárias ate que se comprove a tua inocência! - suspirei derrotada, olhando para o lado.
Agora mais que nunca, ele não estava acreditar nas minhas palavras, era como se tudo em tão pouco tempo tivesse mudado tanto que o mundo estava contra a minha inocência, contra a minha pessoa.
- Lamento que estejas a passar por isso, mas peço que aguentes, eu terei de procurar algumas formas de conseguir a tua liberdade condicional ate ao julgamento! - debruçou sobre a mesa a minha frente.
- Julgamento? - perguntei.
Estava inconsciente da realidade cheia ela de pessoas desconhecidas assistir a minha derradeira e penosa sentença. Se eu não tinha uma forma de conseguir provar a minha inocência, então teria um fim tão igual a tantos inocentes presos em esses anos a fio.
Não queria nada igual para mim, não queria que as pessoas sentisse a pena da jovem riquinha que termina seus dias atrás dos quadrados da janela vendo o sol a nascer o simplesmente a desaparecer.
A minha mãe, como seria a sua reacção ao saber que a sua adorável filha não estava mais a viver o seu conto de fadas com o seu marido perfeito? O pai como iria ele olhar para mim depois de acreditar no que as noticias descritas em esses tantos jornais falariam de um crime feito por mim?
A minha cunhada Bella que tinha orgulho em mim, sonhava com a minha vida desde criança, como iria ela olhar para mim? Iria achar que eu não tinha escrúpulos, que seria capaz de matar alguém só para ficar bem.
Ou a Rosalie que podia pensar que eu não tinha limite com as minhas divergências, e que o meu ego tornaria algo perigoso.
Não era esta imagem que eu sonhava que um dia as pessoas podiam recordar de mim, e que crime, sangue, morte eram totalmente negativas e denegriam muito a minha imagem de mulher fiel e normal.
- Sim, é algo que não tens como fugir, é um procedimento muito normal, ate porque estamos a falar de um caso, que já é mediático! - balancei a cabeça. - Alice, eu sei que é terrível, mas eu estou aqui, mesmo que aches que ao sair por aquela porta mesmo ali, eu nunca mais olhe para ti. - cerrei os lábios numa linha baixando o olhar. - Ei, vou fazer o possível e o impossível para tirar-te daqui, prometo! - e assim beijou o alto da minha testa.
As suas palavras eram confortantes, o seu gesto era um doce no meio de todo o amargo fel que vivia nesse momento. Esta era uma fase complicada que ia passar, embora não sabendo quando, mas teria de manter esse pensamento.
Kim
Pela manha ao sair da minha cama reparei numa réstia de claridade na janela e fui ate lá para abrir a portada e ver na parte de baixo que o carro de Jasper havia saído. Como eu não podia ter dado conta disso mais cedo? Será que ele não queria acordar?
Vesti o robe rapidamente e fui ate ao corredor, batendo de leve na porta do seu quarto, e como esperado não obtive resposta, então abri e dei conta da cama desfeita, voltei a fechar a porta e voltando ao meu quarto troquei de roupa indo de seguida ao andar de baixo.
Quando descer as escadas vi Luisy, a governanta ao qual não resisti em perguntar por Jasper.
- Luisy! - chamei.
- Sim menina! - falou ela atenciosa.
- O Jasper já saiu? - perguntei.
- Saiu bem cedo essa manha, presumo que o sol ainda não havia nascido. - fiquei pensativa. - Mas a menina vai querer tomar alguma coisa, terminei de preparar um café fresquinho.
- Aceito sim, obrigada!
Segui ate a sala de jantar onde sentei na cadeira da longa mesa de madeira rústica, a governanta serviu-me e logo depois abandonou a sala.
Ao tomar o meu café descansada e sozinha tomada pelo silencio, comecei a escutar uma conversa que vinha da cozinha, ao inicio pensei em não tomar como certo escutar essas conversinhas de empregados, contudo ao ser tocado o nome Alice, a minha atenção despertou. Mas pelo rumo que a conversa levava, o assunto não girava em torno da prisão de Alice, mas naquela que seria a robot.
- David é muito arriscado, e se alguém descobre? - a voz da mulher era puramente preocupada. - O doutor não vai gostar de saber que alguém entrou no seu laboratório e simplesmente usou disso para seu beneficio.
- Luisy, não percebe! Eu preciso de Alice, ela é a única que pode esclarecer o que eu quero saber. - ajeitei uma mexa atrás da orelha tomando um novo gole do meu café continuando a ouvir. - Por favor, só preciso que mantenha a Kim sob olho enquanto vou lá.
- Eu posso tentar, mas ela vai desconfiar.
- Só se der bandeira, tente ser simpática, e faça alguma coisa para me ajudar. - o tom era de suplica.
Quando a conversa terminou, deduzi que ele devia ter saído para parte incerta a procurar de achar a robot, contudo o seu plano de manter a minha ignorância, não ia funcionar, porque eu era esperta e anteriormente havia livrado dessa robot, era para nunca mais voltar, certo? Então ia ser assim, eu ia estar no sitio a hora certa e impedir uma vez mais a facanha de um erro.
Aproveitei que Luisy estava distraída de voltas das panelas e tachos para entrar em acção, como evidente tinha maior cuidado com descrição na hora das minhas acções e consegui achar uma porta que dava para esse bem dito laboratório. Ao entrar tive o cuidado de trancar para que assim ninguém viesse atrás de mim.
Oh pobre Jasper tinha deixado uma porta descuidada aberta. Comecei a rir baixo, andei por esses espaços cheios de fios e câmaras eléctricas e escutei um barulho de alguém a forçar uma entrada. Procurei um ponto para esconder e logo depois, essa porta abriu. Era ele, o maldito jardineiro que tinha o nariz em tudo o que não devia.
- Alice! - sussurrou ele a correr para a máquina desligada sob uma placa eléctrica. - Estou aqui, e vim para te buscar! - tive vontade de rir com esse teatro.
Ele parecia confuso com o modo que podia ligar a sua amada, pois porque desligada ela estaria sempre. Foi nesse instante de tanto apalpar atrás das costas que encontrou um botão, e eu com medo que o pesadelo começasse de novo apareci na sua frente.
- Não faças isso! - gritei correndo ate a placa.
- Kim?? O que fazes aqui? - ele estava confuso e surpreso ao mesmo tempo.
- O mesmo pergunto a ti! - bati o pé no chão deixando escapar um sorriso falso. - Não podes ligar ela, só te fez muito mal, não merece perdão, é apenas um monte de lata.
- Eu é que decido isso! - falou ele friamente, aproximando a sua mão do botão, mas logo o empurrei, contudo ele conseguiu mesmo tocar. - Não conseguis-te impedir. - disse ele sorridente caído no chão.
Ao contrário do que esperava, a robot não acordou, logo ele desesperou.
- Não é possível ela devia estar a ligar. - tocou nela em várias partes, mexeu incluindo no rosto, só que nada, mas absolutamente nada. - Alice acorda, por favor.
Cruzei os braços animada com a cena, e ao olhar para os lado achei uma coisa brilhante saindo de uma gaveta, dei um passo atrás e abri só um pouco para perceber o que era esse objecto que tanto chamava minha atenção. Só então eu percebi que era um rubi em forma de coração. Arreganhei um sorriso, voltando a fechar a gavetas atrás das costas e dirigindo-me para ele.
- Parece que sem coração ela não vai a lugar algum! - ri toda contente, já ele parecia bem descontente, e logo saiu de onde estava para minha grande felicidade.
Nesse momento aproveitei que ele havia saído e voltei a minha atenção remota ao objecto cintilante e tirei do sitio, levando comigo para um ponto seguro e onde ninguém teria acesso.
Lucy
A conversa que esses dois estavam a travar era demasiado lamecha e em nada estava a facilitar o meu trabalho, contudo eu não ia desistir de conseguir uma punição para essa falsa mulher.
- Parece que o doutorzinho não vai em nada facilitar o nosso trabalho, viste que ele vai entrar com recurso, e se for aceite, ela terá liberdade. - alertou Maggie.
- Eu sei, mas não vai escapar por muito não. Eu sei que o juiz não vai ceder tão fácil quando se trata de um homicídio! - falei.
Segundos depois a porta abriu e entrou Nettie.
- Bons olhos te vejam! - argumentou Maggie ao meu lado. - Andas desaparecida em combate e nem conseguiste levar a sério o nosso caça fugitiva. - riu com ela.
- Oh não me digam que eu perdi mais um episódio de C.S.I. -caiu na gargalhada. - Vá, mas vamos falar de coisas sérias, então como esta a situação dessa Alice? - questionou ela pegando uma cadeira para se juntar a nós.
- Ate ao momento continua alegar que é inocente, mas como sabes essa é a conversa que todos os criminosos tem! - esclareci. - Mas ainda assim acho que outro problema esta a desencadear uma forte possibilidade de uma liberdade condicional, isto é ela pode ter uma forte possibilidade de aguardar em liberdade pelo julgamento. - bati dedo sobre dedo, mão sobre mão.
Nettie ficou pensativa e a rodar na cadeira quando de costas para o vidro falou.
- Depende do ponto da situação, o juiz pode não aceitar esse pedido, ate porque estamos a falar de um crime de homicídio, e a probabilidade de haver uma resposta positiva é quase nula. - afirmou ela. - Contudo há algo que pode fortemente beneficiar ela, e que pode alterar tudo isto.
- E o que seria? - questionei curiosa de sobrancelha erguida.
- Existem muitos casos de como eu poderei explicar isso. - coçou a nuca. - bom, que tem uma auto defesa de um tipo de distúrbio mental, não é que eu acredite que essa mulher pela aparência que tem ou simplesmente pela sua posição neurológica possa sofrer desse tipo de psíquico, embora seja um bom argumento para convencer um juiz. - explicou ela.
- Sabes que agora que falas nisso, não vejo que nada que não possa ser possível, afinal esse advogado tem cara de quem é capaz disso e muito mais. - apontei para o vidro. - Precisamos de ter cuidado. - adverti levantando.
Alice Original
Depois de mais algum tempo de conversa, comecei a pensar mais e mais comigo mesma sobre um ponto que não havia pensado antes, mas que podia corresponder bem a minha liberdade.
- Edward! - chamei por ele que distraidamente tomava nota no seu tablet.
- Diz!
- Existe uma circunstancia que desconheces, mas que pode ser a resposta a um de muitos problemas. - introduzi.
- O que seria?
- O tempo de conversa terminou, a rê precisa de voltar ao seu ponto de exílio. - alertou uma guarda.
- Contas-me depois. - disse ele.
Fiquei de tal modo indignada com o facto de não conseguir contar tudo o que queria que parecia que estava a deitar fora uma chance única.
David
Não gostava das atitudes daquela mulher louca e que não entendia quais as suas reais intenções com o facto de impedir o meu reanimar de Alice. Ok, talvez ela não gostasse dela, mas isso não dava o direito de tentar impedir eu de fazer o que queria, ate porque era a minha vida e não sua.
Nesse momento em que percebi que a minha Alice não ia conseguir ser salva e que em consequência disso a possibilidade de conseguir reatar assuntos pendentes seriam difíceis, eu pressenti que algo errado estava acontecer, e então quando menos essa louca percebeu eu vi, ela havia pego um objecto cujo pela forma e cor devia pertencer a minha amada, e talvez era o que chama de coração que em um momento anterior Kim havia mencionado de "Sem coração ela não vai a lugar algum".
Teria de seguir esse ponto, teria de achar uma forma viável a reata-lo, ou ela simplesmente podia sumir com ele, deixando por terra expostas as minhas possibilidades nulas.
Ao regressar a minha sala dei conta de que alguém havia entrado sem que eu desse permissão para isso, porem não fiz caso, como podia fazer em outra altura, porque certamente teria uma boa resposta a minha espera. Então entrei dando de caras com o advogado da fugitiva, e com o marido, o senhor Jasper Cullen.
Eu não estava surpresa, ate que era evidente que isso tomasse controle da situação.
- Em que posso ajudar tão cedo? - dirigi-me a secretária sentando de seguida, não tirando nunca os olhos de cima de suas caras sérias.
- Quanta ironia! - falou sarcástico o ele, ri. - Sabia que aquilo que fez essa madrugada vai para alem das regras da lei civilizada, doutora Lucy! - bateu punho o advogado.
- Engraçado, eu presumo que o senhor desconheça leis! - bati de seguida também meu punho. - Que eu saiba a sua cliente infligiu uma lei, ela fugiu de um mandato, e sabe o que isso significa? - voltei a encostar as costas na cadeira.
- Vai ensinar-me sobre leis agora, doutora? - gargalhou. - Acho que já passei da idade de ser aprendiz, mas vamos directos ao ponto, eu quero ver a minha cliente, conversar com ela, e sei que não pode impedir! - levantou.
- Doutor Brandon, paciência faz o reino! - peguei o aparelho telefónico chamando a minha secretária.
Minutos depois estava ela pronta a dar a indicação aos policiais para levar a fugitiva para uma sala de interrogatórios. O doutoriznho saiu logo, para minha grande surpresa, mas o senhor Jasper não arredou pé e nem sequer prenunciou uma única palavra durante a troca dura de acusações frias na minha sala.
Estranhei obviamente a sua posição, eu não conseguia entender se tudo não era frieza ou simplesmente ele era assim no seu mistério natural.
- O senhor Jasper esta bem? - perguntei ao ver que ele não reagia a qualquer tipo de movimento.
- Claro! - levantou em seguida.
Acompanhei-os ate a sala de interrogatórios onde não passei da porta para dar um minuto de liberdade aos dois. Jasper uma vez mais permaneceu de fora, contudo não tentei sequer questionar razões, porque não eram da minha conta, sendo que o meu trabalho estava muito para alem dos afectos entre criminosos e não criminosos.
Então entrei em uma sala adjacente a que Alice estava, nessa sala havia uma particularidade desconhecida a essas pessoas. Havia um gigante vidro duplo que dava para ver e ouvir as conversas posteriores, sendo elas muitas vezes gravadas para serem usadas como provas de confissões criminosas, simplesmente espontâneas e longe da realidade policial.
Pouco tempo depois de sentar a observar, Maggie entrou sentando ao meu lado atenta e comentou.
- Foi uma noite complicada mas valeu muito a pena porque conseguimos!
- Ainda não consegui tudo... - ela olhou para mim não entendo de certo minhas palavras. - Acredito que ela ainda vá confessar! - coloquei os ocultadores nos ouvidos.
Jasper
Não sei que estava acontecer comigo, não conseguia ter nenhuma reacção positiva da situação que estava exposto. Alice parecia estar presa num buraco sem fundo e eu não sabia como ajudar. Por outro lado, ela não estava sozinha, o seu irmão iria ajudar de alguma maneira, pois confiava em pleno nas suas capacidades, e sendo elas máximas, sabia que em pouco tempo esse pesadelo estaria resolvido.
Fui ate a máquina do café tirei um capuchinho e voltei a sentar na borda da cadeira encostando a cabeça na parede áspera. Os meus pensamentos de volta e meia estavam a fervilhar com tantas coisas que não sabia como para-las, contudo teria de ter paciência e aguentar por enquanto.
As pessoas passavam por mim como baratas tontas carregadas de pastas e mais pastas, que presumivelmente seriam mais casos comuns aos que viviam na actualidade.
Uma dessas tantas pessoas entrou em uma sala pertinho da onde a Alice estava com Edward, porem não dei qualquer tipo de crédito, estava em um local que em nada dizia respeito.
Então derrotado bebi o meu capuchinho antes que arrefece-se ai teria de teria outro novamente, o que significava desperdiçar um tanto dinheiro, tempo e energia.
Alice Original
- Eu preciso que me tires daqui, não aguento mais nem um minuto aquela cela imunda que me trancaram. - deslizei as mãos nos ombros sentindo nojenta.
- Calma Alice! - Edward falava numa tranquilidade sem antecedentes. - Preciso de encontrar uma prova para ficares com a possibilidade de ter liberdade ate ao julgamento.
- Não quero saber, tira-me daqui!
Olhei para os lados sentindo que alguém observava em algum ponto, embora não sabendo onde. Aquela sensação de observação permanente não saia de mim, era horrível, traumática.
- Antes de qualquer coisa, preciso que me contes o que passou na tua cabeça para fugires? - ele tomou o seu ar sério e longe daquele que ele habitualmente tinha.
- Não esperavas que eu fosse entregar-me fácil, não? - fiz cara irónica. - Edward, eu não matei ninguém, quantas mais vezes terei de provar esse juízo de valor?
- As vezes necessárias ate que se comprove a tua inocência! - suspirei derrotada, olhando para o lado.
Agora mais que nunca, ele não estava acreditar nas minhas palavras, era como se tudo em tão pouco tempo tivesse mudado tanto que o mundo estava contra a minha inocência, contra a minha pessoa.
- Lamento que estejas a passar por isso, mas peço que aguentes, eu terei de procurar algumas formas de conseguir a tua liberdade condicional ate ao julgamento! - debruçou sobre a mesa a minha frente.
- Julgamento? - perguntei.
Estava inconsciente da realidade cheia ela de pessoas desconhecidas assistir a minha derradeira e penosa sentença. Se eu não tinha uma forma de conseguir provar a minha inocência, então teria um fim tão igual a tantos inocentes presos em esses anos a fio.
Não queria nada igual para mim, não queria que as pessoas sentisse a pena da jovem riquinha que termina seus dias atrás dos quadrados da janela vendo o sol a nascer o simplesmente a desaparecer.
A minha mãe, como seria a sua reacção ao saber que a sua adorável filha não estava mais a viver o seu conto de fadas com o seu marido perfeito? O pai como iria ele olhar para mim depois de acreditar no que as noticias descritas em esses tantos jornais falariam de um crime feito por mim?
A minha cunhada Bella que tinha orgulho em mim, sonhava com a minha vida desde criança, como iria ela olhar para mim? Iria achar que eu não tinha escrúpulos, que seria capaz de matar alguém só para ficar bem.
Ou a Rosalie que podia pensar que eu não tinha limite com as minhas divergências, e que o meu ego tornaria algo perigoso.
Não era esta imagem que eu sonhava que um dia as pessoas podiam recordar de mim, e que crime, sangue, morte eram totalmente negativas e denegriam muito a minha imagem de mulher fiel e normal.
- Sim, é algo que não tens como fugir, é um procedimento muito normal, ate porque estamos a falar de um caso, que já é mediático! - balancei a cabeça. - Alice, eu sei que é terrível, mas eu estou aqui, mesmo que aches que ao sair por aquela porta mesmo ali, eu nunca mais olhe para ti. - cerrei os lábios numa linha baixando o olhar. - Ei, vou fazer o possível e o impossível para tirar-te daqui, prometo! - e assim beijou o alto da minha testa.
As suas palavras eram confortantes, o seu gesto era um doce no meio de todo o amargo fel que vivia nesse momento. Esta era uma fase complicada que ia passar, embora não sabendo quando, mas teria de manter esse pensamento.
Kim
Pela manha ao sair da minha cama reparei numa réstia de claridade na janela e fui ate lá para abrir a portada e ver na parte de baixo que o carro de Jasper havia saído. Como eu não podia ter dado conta disso mais cedo? Será que ele não queria acordar?
Vesti o robe rapidamente e fui ate ao corredor, batendo de leve na porta do seu quarto, e como esperado não obtive resposta, então abri e dei conta da cama desfeita, voltei a fechar a porta e voltando ao meu quarto troquei de roupa indo de seguida ao andar de baixo.
Quando descer as escadas vi Luisy, a governanta ao qual não resisti em perguntar por Jasper.
- Luisy! - chamei.
- Sim menina! - falou ela atenciosa.
- O Jasper já saiu? - perguntei.
- Saiu bem cedo essa manha, presumo que o sol ainda não havia nascido. - fiquei pensativa. - Mas a menina vai querer tomar alguma coisa, terminei de preparar um café fresquinho.
- Aceito sim, obrigada!
Segui ate a sala de jantar onde sentei na cadeira da longa mesa de madeira rústica, a governanta serviu-me e logo depois abandonou a sala.
Ao tomar o meu café descansada e sozinha tomada pelo silencio, comecei a escutar uma conversa que vinha da cozinha, ao inicio pensei em não tomar como certo escutar essas conversinhas de empregados, contudo ao ser tocado o nome Alice, a minha atenção despertou. Mas pelo rumo que a conversa levava, o assunto não girava em torno da prisão de Alice, mas naquela que seria a robot.
- David é muito arriscado, e se alguém descobre? - a voz da mulher era puramente preocupada. - O doutor não vai gostar de saber que alguém entrou no seu laboratório e simplesmente usou disso para seu beneficio.
- Luisy, não percebe! Eu preciso de Alice, ela é a única que pode esclarecer o que eu quero saber. - ajeitei uma mexa atrás da orelha tomando um novo gole do meu café continuando a ouvir. - Por favor, só preciso que mantenha a Kim sob olho enquanto vou lá.
- Eu posso tentar, mas ela vai desconfiar.
- Só se der bandeira, tente ser simpática, e faça alguma coisa para me ajudar. - o tom era de suplica.
Quando a conversa terminou, deduzi que ele devia ter saído para parte incerta a procurar de achar a robot, contudo o seu plano de manter a minha ignorância, não ia funcionar, porque eu era esperta e anteriormente havia livrado dessa robot, era para nunca mais voltar, certo? Então ia ser assim, eu ia estar no sitio a hora certa e impedir uma vez mais a facanha de um erro.
Aproveitei que Luisy estava distraída de voltas das panelas e tachos para entrar em acção, como evidente tinha maior cuidado com descrição na hora das minhas acções e consegui achar uma porta que dava para esse bem dito laboratório. Ao entrar tive o cuidado de trancar para que assim ninguém viesse atrás de mim.
Oh pobre Jasper tinha deixado uma porta descuidada aberta. Comecei a rir baixo, andei por esses espaços cheios de fios e câmaras eléctricas e escutei um barulho de alguém a forçar uma entrada. Procurei um ponto para esconder e logo depois, essa porta abriu. Era ele, o maldito jardineiro que tinha o nariz em tudo o que não devia.
- Alice! - sussurrou ele a correr para a máquina desligada sob uma placa eléctrica. - Estou aqui, e vim para te buscar! - tive vontade de rir com esse teatro.
Ele parecia confuso com o modo que podia ligar a sua amada, pois porque desligada ela estaria sempre. Foi nesse instante de tanto apalpar atrás das costas que encontrou um botão, e eu com medo que o pesadelo começasse de novo apareci na sua frente.
- Não faças isso! - gritei correndo ate a placa.
- Kim?? O que fazes aqui? - ele estava confuso e surpreso ao mesmo tempo.
- O mesmo pergunto a ti! - bati o pé no chão deixando escapar um sorriso falso. - Não podes ligar ela, só te fez muito mal, não merece perdão, é apenas um monte de lata.
- Eu é que decido isso! - falou ele friamente, aproximando a sua mão do botão, mas logo o empurrei, contudo ele conseguiu mesmo tocar. - Não conseguis-te impedir. - disse ele sorridente caído no chão.
Ao contrário do que esperava, a robot não acordou, logo ele desesperou.
- Não é possível ela devia estar a ligar. - tocou nela em várias partes, mexeu incluindo no rosto, só que nada, mas absolutamente nada. - Alice acorda, por favor.
Cruzei os braços animada com a cena, e ao olhar para os lado achei uma coisa brilhante saindo de uma gaveta, dei um passo atrás e abri só um pouco para perceber o que era esse objecto que tanto chamava minha atenção. Só então eu percebi que era um rubi em forma de coração. Arreganhei um sorriso, voltando a fechar a gavetas atrás das costas e dirigindo-me para ele.
- Parece que sem coração ela não vai a lugar algum! - ri toda contente, já ele parecia bem descontente, e logo saiu de onde estava para minha grande felicidade.
Nesse momento aproveitei que ele havia saído e voltei a minha atenção remota ao objecto cintilante e tirei do sitio, levando comigo para um ponto seguro e onde ninguém teria acesso.
Lucy
A conversa que esses dois estavam a travar era demasiado lamecha e em nada estava a facilitar o meu trabalho, contudo eu não ia desistir de conseguir uma punição para essa falsa mulher.
- Parece que o doutorzinho não vai em nada facilitar o nosso trabalho, viste que ele vai entrar com recurso, e se for aceite, ela terá liberdade. - alertou Maggie.
- Eu sei, mas não vai escapar por muito não. Eu sei que o juiz não vai ceder tão fácil quando se trata de um homicídio! - falei.
Segundos depois a porta abriu e entrou Nettie.
- Bons olhos te vejam! - argumentou Maggie ao meu lado. - Andas desaparecida em combate e nem conseguiste levar a sério o nosso caça fugitiva. - riu com ela.
- Oh não me digam que eu perdi mais um episódio de C.S.I. -caiu na gargalhada. - Vá, mas vamos falar de coisas sérias, então como esta a situação dessa Alice? - questionou ela pegando uma cadeira para se juntar a nós.
- Ate ao momento continua alegar que é inocente, mas como sabes essa é a conversa que todos os criminosos tem! - esclareci. - Mas ainda assim acho que outro problema esta a desencadear uma forte possibilidade de uma liberdade condicional, isto é ela pode ter uma forte possibilidade de aguardar em liberdade pelo julgamento. - bati dedo sobre dedo, mão sobre mão.
Nettie ficou pensativa e a rodar na cadeira quando de costas para o vidro falou.
- Depende do ponto da situação, o juiz pode não aceitar esse pedido, ate porque estamos a falar de um crime de homicídio, e a probabilidade de haver uma resposta positiva é quase nula. - afirmou ela. - Contudo há algo que pode fortemente beneficiar ela, e que pode alterar tudo isto.
- E o que seria? - questionei curiosa de sobrancelha erguida.
- Existem muitos casos de como eu poderei explicar isso. - coçou a nuca. - bom, que tem uma auto defesa de um tipo de distúrbio mental, não é que eu acredite que essa mulher pela aparência que tem ou simplesmente pela sua posição neurológica possa sofrer desse tipo de psíquico, embora seja um bom argumento para convencer um juiz. - explicou ela.
- Sabes que agora que falas nisso, não vejo que nada que não possa ser possível, afinal esse advogado tem cara de quem é capaz disso e muito mais. - apontei para o vidro. - Precisamos de ter cuidado. - adverti levantando.
Alice Original
Depois de mais algum tempo de conversa, comecei a pensar mais e mais comigo mesma sobre um ponto que não havia pensado antes, mas que podia corresponder bem a minha liberdade.
- Edward! - chamei por ele que distraidamente tomava nota no seu tablet.
- Diz!
- Existe uma circunstancia que desconheces, mas que pode ser a resposta a um de muitos problemas. - introduzi.
- O que seria?
- O tempo de conversa terminou, a rê precisa de voltar ao seu ponto de exílio. - alertou uma guarda.
- Contas-me depois. - disse ele.
Fiquei de tal modo indignada com o facto de não conseguir contar tudo o que queria que parecia que estava a deitar fora uma chance única.
David
Não gostava das atitudes daquela mulher louca e que não entendia quais as suas reais intenções com o facto de impedir o meu reanimar de Alice. Ok, talvez ela não gostasse dela, mas isso não dava o direito de tentar impedir eu de fazer o que queria, ate porque era a minha vida e não sua.
Nesse momento em que percebi que a minha Alice não ia conseguir ser salva e que em consequência disso a possibilidade de conseguir reatar assuntos pendentes seriam difíceis, eu pressenti que algo errado estava acontecer, e então quando menos essa louca percebeu eu vi, ela havia pego um objecto cujo pela forma e cor devia pertencer a minha amada, e talvez era o que chama de coração que em um momento anterior Kim havia mencionado de "Sem coração ela não vai a lugar algum".
Teria de seguir esse ponto, teria de achar uma forma viável a reata-lo, ou ela simplesmente podia sumir com ele, deixando por terra expostas as minhas possibilidades nulas.

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