Eu tinha uma namorada, que ate por sinal tínhamos uma relação mais ou menos estável e eu fazia tudo o que ela queria para agradar, porem sentia que faltava algo na relação, talvez aquela adrenalina que não sentia a algum tempo, aquele amor que sentia que não existia e que era preciso para sustentar um coração amado.
Algumas vezes tentei abordar o assunto com a minha mãe que no fim de contas achava tudo um perfeito disparate. Ok, eu talvez estivesse a fazer uma tempestade num copo de agua, mas por outro lado acreditava que não, e depois eu não estava bem, porque não sentia aquela estabilidade romântica ao continuar a enganar alguém que sabia piamente que amava-me bastante.
A Tanya era uma garota fantástica, havíamos trocado primeiras impressões no Alasca que era onde ela normalmente vivia naquela época em que numa viagem de férias com os meus a havia conhecido, e desde então começamos a namorar e ela acabou mesmo por mudar-se para a minha cidade de Forks e vir estudar, parecia que as coisas haviam mudado significativamente desde então, talvez por estarmos juntos 24 horas por dia, mas atenção não dormíamos juntos, nem pouco mais ou menos, porque a dona Esme exigia respeito.
Mas ainda assim, o facto de manter as minhas raízes na cidade não fizeram melhor, porque apesar de já não estar com a garota Swan, eu ainda não havia esquecido, nem o facto dela ter trocado a minha companhia por aquele branquelo sem qualidade, mas enfim, ela é que perdia.
Num dado dia em que as aulas haviam terminado logo após o sinal, Tanya veio ter comigo cheia de seus sorrisos e conversinhas de "menina" ao qual estava sem paciência alguma para esse tipo de momentos seus. Então em poucas falas dirigi-me ao Volvo como se nada fosse, e entrei. Logo de seguida ela sentou-se ao meu lado e começou com as suas cenas de sempre quando achava que algo não estava bem e ate dado ponto não estavam.
- Estas diferente, eu olho para ti e penso que estas a fazer frete a tudo o falo! - resmungava ela de braços cruzados enquanto eu fazia a manobra de marcha atrás para sair do estacionamento. - Estas a ouvir o que estou a dizer Edward?
- Tanya estou a conduzir, falamos em casa pode ser? - ela simplesmente virou a cara para a janela.
Pelo caminho o silencio se fez, e em casa o barulho começou, jurava a mim mesmo que não estava com paciência, talvez a chegar no limite extremo da minha delicada áurea passiva.
- Edward não me vires as costas, sabes perfeitamente que precisamos de falar! - tocou no meu braço.
- O que queres que eu diga? - perguntei com azedume. - Eu não tenho nada a declarar, a menos que tu tenhas, e agradeço que o faças em momentos breves! - expressei sem humor algum sentando na poltrona escura da sala.
Ela bateu o pé impaciente no chão, parecia brava ao ponto de começar a quebrar a casa por inteiro, mas ai o problema não seria comigo, ate porque de decoração eu pouco entendia, mas a dona Esme não ia gostar nem um pouco de ver a casa toda ela em cacos.
Lá sentou na poltrona clara a minha frente, cruzou a perna esquerda, e pela saliência que o seu peito indicava o quanto estava nervosa, porque o seu batimento era de tal modo audível que mais parecia que o coração iria descolar pela boca em menos tempo que um avião aterrar em pista.
- Eu não sei o que se passa contigo, juro, eu pensei e não encontro nada que tenha feito de errado. - introduziu. - Talvez não tenha sido a namorada mais perfeita que tu sonhavas, talvez não seja como a Bella... - cortei.
- Agradecia que não tocasse nesse nome, para teu próprio bem.
- Estas a ver como tu és? - usou da retórica. - Enfim não é dela que quero falar, mas de nós. - olhei nos seus olhos cristalizados. - Se já não sentes aquele amor que inicialmente falavas sentir, eu prefiro que sejas sincero comigo e que no fim possas ser franco contigo e seres honesto.
As suas palavras estavam a fazer-me pensar, talvez o meu sentimento estivesse mesmo mudado, talvez esse amor que eu achava que sentia não fosse tão grande aquele que algum dia senti por uma outra mulher, cujo queria desistir de pensar, mas não conseguia, era mais forte que eu.
Por mais horas, minutos que passassem o passado vinha a tona, eu não sabia como controlar essas memórias que de volta e meia assaltavam a minha cabeça. Queria ser sincero, sim com a mulher que tinha a minha frente, ela havia feito mudanças na sua vida por mim, e eu simplesmente estava a tentar construir um mentira.
Talvez fosse a hora certa de terminar, mas não usar o termo forte, e sim ser meigo a usar palavras que no fundo elas iam acabar por sarar feridas abertas.
Então peguei as suas mãos, estava disposto a dizer aquilo que ela queria e não queria ouvir, mas não dava mais para enganar a mim mesmo, ela não o merecia.
- Tanya... - sussurrei o seu nome baixo. - Vou ser sincero contigo assim como tu queres, não vou mentir quando falas que não sou mais o mesmo, é verdade, eu mudei. - uma lágrima rolou dos seus olhos. - És uma garota especial, e sim eu gostei muito de ti, talvez não do mesmo modo que tu para mim, acho que acabei iludindo a mim mesmo achar que era amor. - o meu coração estava apertadinho dentro que achava que ia arrebentar de tanto encolher. - mas não, era um carinho especial, estava carente quando tudo aconteceu, sei que podes sentir raiva entre outras coisas, mas também sei que os momentos que tivemos foram únicos.
- Edward....
- Por favor deixa-me terminar... - sobrepus o dedo em seus lábios. - Não peço para que afaste a tua vida da minha, porque seria injusto, no entanto és livre das opções que tomas, e se for ir embora que decidas, então vou respeitar. - as suas lágrimas estavam a criar dentro de mim uma grande dor.
É certo que estava a ser sincero pela primeira vez, estava a fazer de tudo o que podia para não a magoar mais do que já sentia ter magoado quando friamente a tratava como nada.
Eu precisava de ser assim, de ser honesto apenas uma vez, de ser igoista a vida toda, mas a verdade nunca era dada de animo leve, ela doía, abria feridas, mas também as curava. Por isso essa ferida que abria agora dentro do peito dela, seria temporariamente curada perto ou longe daqui, ou de mim, consoante suas decisões.
- Estas a terminar comigo! - sussurrou ela entre soluçares. - Estas a deixar-me...
Ela levantou de onde estava a saiu a correr pela casa lavada em lágrimas, enquanto eu fiquei especado sem reacção e partido ao mesmo tempo ao ver o seu coração a ser quebrado em mil fragmentos todos eles tão desiguais.
- Edward o que foi isto? - questionou a minha mãe ao ver Tanya correr pela casa. - Vocês discutiram?
Não sentia bem para guardar tudo sozinho, precisava de partilhar a minha dor, a minha tristeza e a melhor pessoa, aquela que era a nossa melhor amiga, era sem duvida a minha mãe.
Fiz sinal para que aproxima-se de mim, batendo na poltrona para que sentasse, porque a conversar teria a oportunidade de tirar um peso maior dos meus ombros, aquele que não conseguia mais carregar de tão pesado que estava.
- Eu terminei com a Tanya, mãe. - disse por fim.
- Mas porque? - questionou ela ao pegar a minha mão esquerda. - O que se passou meu filho?
- Eu não sinto a mesma coisa que ela sente por mim, e acho que isso não é justo. - falei ao baixar gradualmente o olhar que cravava na vidraça da sala. - Eu fui muito apaixonado pela Bella, e esse amor nunca consegui sentir por mais raparigas que tive, ela foi única que eu realmente amei.
- Amas-te ou amas? - levantei os olhos, agora para encarar a minha mãe.
- Eu não sei, mas sinto magoa ao mesmo tempo, e isso é o que esta a destruir-me por dentro. - sussurrei baixo como se acabasse de fazer uma confissão de um crime ao qual ninguém mais para alem dela pudesse ouvir.
- Porque não a procuras e conversam? - perguntou ela. - Eu não peço para que voltem a ter uma relação, como entendes, mas para o facto de conseguires livrar os teus pensamentos de coisas que não conseguis-te fazer.
A minha mãe estava certa, eu devia sim procurar a Bella e tentar esclarecer coisas que o meu coração não conseguia apagar. Voltar a ter uma relação talvez não fosse possível, porque nossas vidas haviam prosseguido rumos diferentes, mas só saberia se tentasse, então iria fazer isso.
- Obrigada por tudo mãe! - soltei um sorriso aliviado.
Levantei da poltrona dirigido-me para a varanda e tirar da algibeira o meu telemóvel e discar o numero dela na minha lista e iniciar uma ligação. Aguardei que ela atendesse ou simplesmente ignorasse como já esperava, porem já a tentar o ultimo toque, eis que ela atende, e ao escutar a sua voz doce e frágil o meu coração disparou.
- Alô, Edward!
- Bella... - falei quase num fio de voz, que tinha uma ligeira dificuldade em saber se ela havia escutado. - Podemos falar? - questionei.
- Claro, o que precisas?
- O que queria conversar contigo não pode ser por telefone, talvez fosse melhor pessoalmente, num lugar que tu escolheres particular, publico, enfim a tua vontade.. - disse.
- Pode ser no parque! - respondeu ela. - Espero por ti lá, daqui a pouco?
- Sim, claro... ate já.
Ao desligar a ligação ainda permaneci com o aparelho ao ouvido como se aguardasse que ela voltasse a ligar para dizer algo mais, mas não.
Levei a minha vontade ao encontro dela no parque, que aparentemente era sitio calmo, tranquilo e talvez modesto para um boa conversa, e como a minha mãe dizia, era hora de resolver os problemas do coração.
Ao chegar com o Volvo no sitio do combinado, ela já lá estava sentada no banco próximo da árvore, trilhei ate ela, sussurrando quase em surpresa que a fez levantar e olhar em meus olhos como já não tinha essa precessão a muito tempo, desde o nosso longo adeus.
Mas agora estava diante dela, daquele seu olhar meigo e de chocolate que apaixonava a cada segunda da minha vida. A sua presença era importante para mim, era algo que eu precisava para estar bem comigo mesmo. Ela era a mulher que eu amava sem complexos e sem descansos. A mulher que havia destruído o meu coração quando afastamos, mas a mesma mulher que o aquecia e o reconstruía.
- Disses-te que precisavas de falar comigo eu estou a espera! - falou ela directa sem rodeios.
- Bella, eu ainda gosto de mim, eu sei que é tarde para dizer isto, mas eu não consigo mais guardar dentro de mim todo esse sentimento que é puro e que não esqueço. - ela olhava apática. - Eu amo-te Isabella Swan, como nunca pensei que amasse alguém, eu não consigo esquecer o que a tua presença faz em mim, o que o teu olhar provoca ao meu ego. - respirei fundo. - Eu não te peço para que voltes para mim, mas que escutes o que tenho a declarar.
- Edward...
Então abracei o seu corpo mantendo junto ao meu, aproximando nossos rostos como naquela primeira vez que um olhar perturbava todo uma grama. Queria sentir os seus lábios nos meus e simplesmente o fiz. Quando ela afastou-me, eu não sentia arrependimento, achava que havia feito a coisa mais certa, talvez a única nos últimos tempos.
- Não devias ter feito isso... - sussurrou ela.
- Como não se eu ainda não consegui esquecer tudo o que passamos? - falei com magoa.
- Porque tu estas com a Tanya, e não é justo que ela sofra... - justificou-se.
- Eu não estou mais com a Tanya, nem tu estas mais com aquele branquelo do Mike, eu sei que não. - olhei em seus olhos perturbados.
- Nós não podemos, não agora...
Ela se preparava para fugir, mas eu peguei sua mão, exigindo um olhar seu.
- Dá-me uma oportunidade de ver que erramos no passado, mas que com esses erros podemos concertar o futuro que é tão promissor a nossa volta.
- Eu preciso de pensar! - e dito isso ela saiu de onde estava as nossas mãos se afastaram ate não terem mais contacto.
Semanas se passaram desde a conversa que havia travo com Bella, desde o beijo que juntos havíamos velado, e ela não dizia nada desde então. Estava preocupado, é certo, queria uma palavra sua, um olhar e nada conseguia desde dai.
Esme minha mãe achava que esse tempo que ela estava ausente, era apenas para pensar sozinha e chegar a conclusões que acompanhada nunca tomaria como certas. Eu não dizia que não, mas a espera deixava-me em todo fraco e triste. Contudo não esperando o meu telemóvel começou a vibrar, peguei imediatamente nele o atendendo.
- Alô?
- Edward! - era a voz de Bella, o meu coração começou a bater forte. - Podemos nos ver?
- Claro, vou já ter contigo.
Sai a correr de casa, usando as pernas para chegar ate ela e ouvir com os ouvidos o que ela havia pensado nesse tanto tempo. Quando ficamos frente a frente, as palavras não faltaram para marcar a saudade e os gestos acabaram por ser os mesmos de sempre, um beijo, um carinho.
- Edward eu pensei muito, mas muito mesmo e não consigo assim como tu mais parar de pensar em nós. - falava ela enquanto ainda estava abraçada a mim. - Eu aceito ficar contigo, mas para já eu quero que seja um namoro as escondias, não quero que ninguém saiba que nós voltamos, quero viver sim na harmonia de não o medo de perder-te.
- Claro meu amor, eu faço tudo o que quiseres! - e assim girei ela numa roda viva a beijando mais e mais.
Afinal havia sempre a chamada segunda oportunidade para ser feliz, e quem pensava que não é porque nunca havia tentado.

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