Acordar cedo e ir ao shopping para mim não era um sacrifício, como muita gente pensava, principalmente esses rapazes de hoje que não tinham graça nem na hora de escolher a camisola certa para sair com uma rapariga do meu nível.
Muito pelo contrário, era uma vontade muitíssimo deliciosa, essa de percorrer lojas, observar montras e no fim entrar e fazer aquelas empregadinhas de montra perderem os fios de cabelos com todas as minhas exigências. Ok, eu não era do tipo fácil de agradar com qualquer peça que me apresentassem, eu tinha glamour como a minha avozinha sempre dizia, "quem nascia brilhante, sempre brilhava", certo? E claro esta que não ia perder esse mérito por nada deste mundo.
Por outro lado eu era um "gril" da moda, por isso não podia falhar as novas tendências expostas em essas montras cheias de manequins fracos, e melhor eu gostava de ser a primeira a usar e abusar da minha beleza, porque era um máximo ver as outras garotas todas invejosas a ver eu desfilar na frente de seus narizes frouxos e sem graça.
Estava levantar da minha cama toda chateada, porque ao contrário dos outros dias eu iria para a escola que no fim de contas nem uma escola era bem para ter esse termo, mas enfim eu não tinha alternativa, e teria mesmo de trocar o meu lindo e sedutor shopping, por um dia secante de aulas trancada naquelas salas e partilhar do mesmo ar daquelas pestes.
Era um custo tremendo ter de realizar estas rotinas todos os dias, desde que a época escolar havia começado. Não havia pior coisa do que levantar pela manhã ao som desses galos absurdos da vizinhança que se fosse por mim já teria sido toda punida por fazer crescer uma ruga a cada novo dia.
E ter de olhar para aquelas caras sem graça e ainda mais sem brilho que dava uma náusea e claro esta, que eu não podia melhorar aquilo que essas garotas não sabiam o que significava.
Enfim, importava-me demais com os outros, mas a verdade é que ninguém era melhor que eu e isso era o que fazia de mim uma gloriosa, porque era linda, de dar inveja, líder de torcida de manter esses baixinhos calados, e prestes a ser a patricinha do ano no próximo evento, tinha como ficar mais feliz, claro que não.
Então com essas ideias fixas na minha cabeça, já terminava o meu banho de emersão e em essas águas quentes e de pedras, quando a minha mãe veio na porta uma vez mais, já não lembrando a quanta milésima vez avisar do quanto eu estava atrasada e eu simplesmente balançava a cabeça e pensava assim "que se lixe as aulas, não são elas que fazem de mim a garota mais feliz".
E pronto, minutos depois estava dentro do meu closet, onde eu guardava todas as minhas roupas fashion's, desportivas e afins. E lá eu observa a melhor roupa para vestir na frente do espelho, os meus neurónios já lutavam entre si a procura de qual a melhor peça a vestir, se o vestido azul marinho com os brincos brancos, ou se o vestido rosa choque com a pulseira prata.
Como estava difícil chegar a conclusão, acabei por levar uma camisa preta com um fio de prata e umas jeans, mas eis que faltava alguma coisa, comecei a pensar e logo lembrei que eram as botas de cano alto e estupendamente belas compradas numa daquelas grandes feiras realizadas em Milão.
O que é certo é que corri o closet inteiro, arrumei e desarrumei coisas de sítios que nunca imaginei ser necessário ter de chegar, sim porque por mais grande que o espaço fosse, por mais arrumaçãoes que tivesse, haviam sempre buracos aos quais nunca chegávamos. Fui ao quarto e nada, comecei desde logo a fazer cara feia e novamente tentei pensar, mas nada vinha a cabeça, será que estava a ficar com amnésia?
Fui ate a escada em picos de pés tendo o real cuidado de o meu pai não me visse nesses preparos, porque iria usar e abusar dos seus discursos de "cuidado com o cimento, ele é frio e tu ficas doente da garganta! Eu não volto avisar-te, ou não venhas queixar-te" era horrível viver com um médico diariamente dentro de casa, quanto mais ter de fazer visitas periódicas a ele.
Cheguei ate a cozinha onde rezei para que ela não começasse com os seus delírios de eu estar atrasada, entre outras coisas mais.
- Mãe, maezinha, amor da minha vida! - chamei, mas o barulho da máquina da roupa estava a perturbar em tudo a minha troca de palavras com a minha mãe que em consequência desse ruído maldito não escutava.
Respirei fundo umas tantas vezes, olhei para trás, ora para a direita, ora para a esquerda, mas ora bolas que ela não percebia que a sua adorável filhota estava a sua espera.
A dada altura desisti de fazer figuras de ursa e entrei nessa cozinha mordendo a minha própria língua para o que ia ouvir.
- LUCY, SABES QUE HORAS SÃO? - "ups" pensei, mas ela já estava estérica empurrando-me para a porta e a pegar a chave do carro.
- Mãe, mãe, mãe! - tentei trava-la.
- O que foi, não me digas que agora de repente começou a doer a tua barriga? -perguntou ela encarando os meus olhos.
- Claro que não, eu lá sou moça de inventar desculpas para não ir a escola? - fiz o meu ar de anjo. - Eu só preciso de saber onde em que diabos tu metestes a minhas botas de cano alto de Milão? - pousei as mãos na cintura.
- As botas... - acenei que sim, mas ela estava estranha. - as botas tiveram um aci... - começou a coçar a nuca.
- Mãe?
- Querida as botas estragaram-se e eu tive de as deitar fora!
Queria engolir o mundo, e levar a minha mãe junto para o fim do inferno, porque ela tinha destruído as minhas botas favoritas de colecção, de grife cara e de ainda por cima importadas e de pele genuína.
- Oh querida não fiques assim, eu compro outras, podem não ser iguais, mas compro!
Esqueci logo as outras que estavam mais falecidas que a minha jarra de flores quando seca e brotei um sorriso rasgado.
- De cano alto e com pele genuína? - pisquei muito os olhos saltitando para ela.
- Sim, filha!
- Quando?
- Para a semana! - cruzei os braços. - O que foi? - ela pousou as mãos nos meus ombros.
- Para a semana é muito tarde, eu quero agora, se não eu não vou as aulas!
Bati o pé fazendo birrinha de menina mimada que não importava que os outros chamassem porque eu era assim e pronto que o mundo explodisse que eu iria continuar a brilhar.
- Mas Lucy, as aulas estão primeiro! - apontou o dedo.
Dei as costas subindo os degraus de total mau humor, não ligado alguma para as suas palavras trás de mim do tipo "não demores, já estas mais que atrasada". Ignorei como sempre.
Entrei no banheiro e preparei o meu make antes que eu perdesse mais a paciência, porque já estava a perder com o facto de ter de procurar um novo calçado adequado a minha indumentária, oh céus.
Depois de passar os pozinhos no rosto, de com a esponja da base delinear a cor, e no fim contas não esquecer o rimel assim como o risquinho que realçava bem os meus olhos azuis na frente dessas bisgarolhas sem traços femininos.
Antes de sair acabei mesmo por levar os meus botins, ao qual não estavam na minha ideia, mas enfim eu não tinha escolha, se não os levar, mas a minha mãe ia pagar, não perdesse ela pela demora, não mesmo.
Finalmente na frente da garagem, já no outro lado do passeio, aguardei que ela fizesse a manobra de marcha atrás para sair, mas eis que ela era pior que eu na estrada, porque acabava de deitar ao chão o caixote do lixo do condomínio, oh que vergonha.
Tapava eu o meu rosto com os meus livros, não fosse algum vizinho bonitão olhar esse espectáculo e eu perder as minhas chances de vencer a reputação de patricinha do ano, o que seria uma humilhação em todos os níveis, e eu jurava que trancava dentro de um sótão pelo resto da minha vida, há se trancava.
Durante o percurso a coisa conseguiu ainda ser pior, se a minha mãe já era um perigo a conduzir, então a cantar era de partir os vidros e arrebentar com os meus preciosos tímpanos.
- Story of My Life... - cantarolava ela, e eu já punha as mãos na cabeça, ate que não aguentando mais desliguei o rádio.
- Porque fizes-te isso? - perguntou ela indignada.
- Porque cantas pior que os One Direction. - respondi eu seca. - Bolas deixa os garotos cantar, guarda a tua voz para os banhos que partilhas lá com o papa.
- Mas eu nunca tomo banho com o teu pai, Lucy! - bateu as mãos no volante mesmo chateada e começou a deixar o carro fugir para a faixa contrária.
- Mãe olha os carros! - gritei, logo desviou entrando no gradeamento, ao qual suspirei de alivio.
Depois que a minha mãe foi embora, os olhos caíram todos em cima de mim tal como eu gostava e comecei a desfilar toda sexy para o interior do átrio, onde ouvia assobios, ao qual não resistia. Eu era sexy, essas garotas vestidas com golas da avó tinham de conformar-se e pronto.
Nettie saltitou ate mim toda entusiasmada com os seus livros todos desengonçados a sair da bolsa de couro velha e gasta que metia dó.
- Lucy tu estas sexy demais! - balancei os meus cabelos toda convencida ao receber seus elogios.
- Eu sei que sou linda, amor! - e segui na frente.
As aulas foram em tudo a maior seca de últimos anos, não suportava o facto de ter de escutar histórias de falecidos Reis que a mim não importavam a ninguém, quer dizer só mesmo a nerds como Jasper ou o Edward que sentavam sempre nas carteiras da frente.
O que eu tinha haver com o facto de Inês de Castro ter sido morta a mando do pai de D. Pedro? Ou que Romeu e Julieta tinham tido um amor trágico? Por favor isso não importava nem ao menino Jesus.
Mas agora, se por ventura falassem em batons, vestidos e sapatos e moda, ai eu era a primeira a participar e talvez a única porque duvidava muito que essas idiotas de golas da avó tivesse conhecimento de bom gosto, que francamente acho que elas nem sabiam o significado no dicionário, se é que algum dia tiveram curiosidade em procuraram saber.
Quando o "TRIM" da campainha soou eu pisguei-me logo para a rua ligando logo para a minha mãe que parecia estar a fazer-se de surda para não me atender, mas eu, não ia desistir fácil, ai não ia não.
Chamei um táxi e fui directa para casa, entrando como se nada fosse e encontrar a minha mãe pendurada ao telefone não sei com quem ao qual desliguei imediatamente.
- Lucy! - reclamou.
- Temos coisas combinadas mama! - pousei os livros na mesa ao qual peguei de imediato as chaves e a bolsa. - E só para constar, conduzo eu.
Ela levantou as mãos derrotada e acabei por ganhar a minha conquista. Fomos em várias lojas, e nenhuma delas agradava, porque não tinha o modelo que eu queria, e culpa de quem era? Da minha mãe claro, se não eu não estaria com este problema.
Ao fim de percorrer o shopping inteiro, acabei por entrar numa ultima loja ao qual vi na montra uns modelos que haviam retido a minha atenção, então entrei chamei logo pela imprestável da empregada que já devia estar a minha espera para seu beneficio.
- Se faz favor, eu quero aquele modelo ali, não o preto, mas o castanho! - ela acenou que sim. - Onde é que você já vai? - perguntei a sentar no banquinho. - o numero é o 37 só para que não esqueça.
- Patricinha da mãe! - escutei ela.
- Desculpe? - perguntei tentando ver se havia percebido bem.
- Estava a dizer que ia já buscar o modelo que pediu!
Menos mal era ela ter falado isso mesmo, porque não ia tolerar falta de gracinhas de gente sem nível, ainda mais uma empregada como ela mais tinha cara de gata borralheira, ao qual servia apenas para limpar o lixo que "grils" como eu faziam.
Acabei mesmo por levar o modelo que havia visto anteriormente para a sorte dela, e no fim de contas na semana seguinte havia vencido o titulo que muito eu esperava. Finalmente havia sido reconhecida como a Praticinha do Ano, não era um máximo? Mil palmas para mim. "Quem nasce bela, sempre é bela. Por isso feias que se enganem, porque se nascem feias sempre seriam feias!" pensei rindo.

Mas gente, oooo!
ResponderEliminarLucy está uma terrível cruela aqui! Que horror!
Ela não foi nenhum pouco simpática com a mãe. Se a bota estragou, paciência, minha filha, compra outra e pronto.
Fiquei com dó da mãe dela, de verdade. Ela queria jogar toda a culpa na mãe e ainda achava ruim de ela chamá-la para a escola e questiona o modo de ela dirigir. Se eu fosse a mãe dela faria ela ir a escola de ônibus, só pra aprender, e também a faria trabalhar para comprar as próprias botas! Hhehhehe. Aí ia só ver como a coisa mudava de vez!
Bem, ok que a mulher podia não cantar bem, mas isso foi cruel.
E o veneno dela andava amil, sobrou até para a atendente da loja. Lucy, minha filha, reze para não ficar pobre, porque se tudo o que faz de maus aos outros te voltarem um dia você estará perdida, ehehhehe.
Mesmo assim amei aforma como conduziu a fic, ela é uma bad girl do começo ao fim. :D
Beijinhos
Bom aqui nessa one descrevi uma Lucy completamente diferente da outra one que leu, e bom porque não tentar uma onda de Bad girl, ne? Eu tentei e usei da imaginação para descrever um tipo de garota que na verdade existe, porque verdade seja dita.. o que esta menina fez, é só um espelho de outras garotas semelhantes ou talvez piores que ela. Afinal existem, embora a gente nem queira acreditar.
ResponderEliminarSim, a mim deu dó da mãe por ter uma filha tão sem carater como essa, mas infelizmente a mãe tem culpa nisso, sabe? Quem manda mimar a filha até mais não, ne? E depois os mimos só estragam estas crianças, porque é mesmo assim, ela não cresceu totalmente, se assim formos pensar.
Também acho verdade que se um dia ela tiver o azar de cair na lama, com certeza irá provar do seu veneno e não irá gostar de ser sapateada por outra patricinha. Ai eu iria rir, e quem sabe, eu até escreva e intitularia assim "A queda da Patricinha".
Quem sabe, não?
Beijinhos