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One Shot - Maria - Música para meus ouvidos


Havia ficado tarde quando Maria saiu do edifício ao qual leccionava aulas de música. Ela levava como certo passar o super e fazer umas compras para receber e fazer seu amigo já que sua colega de apartamento havia saído com o namorado e não ia voltar tão cedo, só mesmo antes do amanhecer. Pois Roxanne, quando saia numa noite assim, não era para ter terminar cedo, bem pelo contrário para pela tarde da noite.

Nessa ideia a jovem Garcia entrou no seu veiculo e bem antes de dar a partida, pegou o seu aparelho telefónico iniciando uma ligação para o tal amigo com quem ia jantar.

É óbvio que ela tinha a perfeita certeza que ele não ia faltar, pois ele não era disso, pelo menos até onde conhecia, mesmo sendo pouco.

A verdade é que ele não atendeu e isso deixou Maria um tanto aborrecida. " Para que serve um telemóvel se ninguém o atende?" perguntou a si mesma sob pensamento.

Ela desistiu de pensar em relação ao assunto fazendo seu caminho até ás compras antes que mudasse de ideias, pois seu temperamento tinha umas ligeiras depressões de vez em quando.

Ao fim de ter as compras feitas, ainda passou próxima de uma banca de jornal para comprar, já que a correria do dia não havia proporcionado tal oportunidade.

Ao retornar o caminho até ao carro, ela acabou indo a ler o jornal tranquilamente até que ao abrir a porta e sentar no seu lugar do condutor, ficou de olhar retido numa noticia bastante animadora começou desde logo a ler em voz alta.

- Rapaz Whitlock consagrado o melhor cérebro da ciência informática. - ela parou olhando para o lado pensativa, mas logo voltou os seus olhos até ao paragrafo seguinte. - Jovem cria o maior programa de anti-vírus do pais. - ela arregalou bem os olhos focando o olhar na foto inicial a noticia. - Está noite será homenageado por todos os profissionais e irá receber um prémio de mérito.

Ela fechou o jornal e pousou no banco do passageiro. A verdade é que os seus olhos apenas queriam encontrar o aparelho telefónico para felicitar o rapaz. Afinal eles haviam sido namorados antes ficaria mal a Maria não felicitar o ex-namorado, certo?

Com algum esforço á procura do maldito aparelho no fundo da sua mala que era mais funda que muitos coisas, ela lá conseguiu, não sabendo como.

Apenas desbloqueou o teclado deslizando com o dedo para a esquerda e em seguida clicou na tecla "lista telefónica" ao qual bastou escrever a letra "J" que logo surgiu o contacto de quem queria, e sem demoras iniciou a ligação aguardando ansiosa por ser bem sucedida.

- Alô? - ela estranhou a voz quando ao fim de 5 toques atendeu, pois não era de Jasper, e até onde sabia ele era homem, o que não encaixava em nada na voz de mulher que escutava com esse simples "alô".

- Quem é você? - ela perguntou com uma autoridade, como quem pede satisfação sem ter autoridade para isso.

- Ora essa! Isso pergunto eu! - a mulher do outro lado da linha foi um tanto rude com a morena, talvez do mesmo modo que que Maria havia sido com ela.

- Maria Garcia! - ela respondeu. - E sou a ex-namorada do Jasper! - escutou-se um longo suspiro. - Agora será que posso falar com ele?

- Lamento, ele não está! - a moça respondeu automaticamente. - Precisou de sair urgentemente, mas pode deixar recado se assim achar.

A morena bufou, mas ainda assim não ia desistir tão fácil, pois ninguém garantia que essa atendente não estivesse simplesmente a mentir. Afinal a mentira sempre tem perna curta e de facto a história de Jasper sair a correr para a rua sem levar nada com ele, não batia em nada com o perfil que lembrava. "Céus, Jazz anda sempre agarrado a tudo, como pode esquecer um aparelho mínimo?" pensou ela pronta a confrontar a mulher uma vez mais.

- Eu não acredito nessa história! Conheço muito bem o meu ex-namorado e sei que jamais sairia para a rua sem o essencial. - a mulher deu de ombros, mesmo que a morena não pudesse ver. - Agora se faz um favor deixa de ser cadela e passa logo o telemóvel ao Jasper que a minha paciência está a esgotar.

O temperamento de Maria começava a fervilhar naquele instante e tempo depois o seu pedido quase que foi tomado como uma ordem, pois um ruído de fundo indicava a mudança de mãos do aparelho, começando por se escutar uma respiração de homem.

- Finalmente! - animou-se ela ter aquela precessão.

- Algum problema Maria? - ele perguntou sem qualquer tipo de humor.

- Queria felicitar-te pelo mérito! - respondeu ela. - Aliás bela foto! - confessou ao deitar o olho uma vez mais a fotografia do jornal.

- Obrigada pela gentileza! Não era necessário ligares. - disse ele. - Afinal eu conto com a tua visita logo mais.

- Há, que pena! - falou meio desanimada. - Eu não sei se vai dar, é que tenho um compromisso para essa noite, e sabes bem que não sou mulher de desmarcar nada na ultima hora. - ela deu uma risada leve.

- Claro, entendo perfeitamente! - a sua voz parecia triste. - Eu adoraria ter a tua presença, mas tudo bem, não há problema.

- Mesmo?

- Claro que não, mas em contra partida não aceito uma recusa ao meu convite para jantar amanhã. - ela começou a sorrir em silencio e a fazer gestos de hurra e também algumas caretas de oferta a essa mulherzinha, cujo não via.

- Mas é claro que aceito, seria uma autentica falta de respeito da minha parte recusar.

- Ótimo, sendo assim irei fazer uma reserva no restaurante que costumávamos frequentar e irei buscar-te as 8 em ponto. - ela sorriu para o espelho retrovisor.

- Perfeito!

- Então está combinado. - disse ele pronto para encerrar a ligação quando ela uma vez mais falou.

- Antes que desligues.. - suspirou. - Quem é a rapariga que atendeu a minha chamada? - perguntou de forma directa.

- É a minha secretaria Rebecca, penso que lembras dela, certo?

Ela começou a pensar por um instante até que ao recuar um tempo na sua vida, acabou lembrando de uma ruiva de aspecto snobe sempre atrás de Jazz, que já dava ódio.

Naquele tempo Maria não levava a bem o facto de ter uma mulher sempre atrás do namorado, porém ela agora não tinha mais com que se preocupar, pois a uma não estava mais com Jasper e a duas, ninguém chegava aos seus calcanhares, pois era bonita, inteligente e bem apreciada por um bom homem, coisa que essa ruiva sem sal, jamais teria o prazer de sentir.

É óbvio que quando ela deu por si, estava a rir que nem uma tonta de aparelho no ouvido e quase a ser chamada por Jasper algumas vezes.

- Maria? Maria? - ele estava preocupado.

- Ainda estou aqui, só estava distraída. - falou ela no intuito de o tranquilizar. - Quanto a essa ai, já estou lembrada. - desabafou. - Bom vou desligar, não quero roubar mais teu tempo.

- Tudo bem, amanhã então! - relembrou ele.

- Amanhã! - disse ela. - Adeus!

Assim a ligação encerrou e ela sem mais demoras deu a partida ate seu apartamento onde tinha de preparar o jantar e mais tarde apreciar de uma boa companhia, pois o prazer da vida está sempre nas pequenas coisas.

(...)

Quando o dia começou, a primeira coisa que Maria lembrou foi de ir a correr até ao quarto da companheira de apartamento para contar a boa nova.

Como era de esperar Roxanna dormia ferrada no sono longo, o que deixa a rapariga em pulgas de não querer esperar mais.

Então numa de acordar, foi até aparelhagem e a ligou colocando o som bem alto. Bastaram apenas 2 minutos e já a rapariga dava um salto da cama.

- Maria, bota a o som baixo! - gritou ela tentando assim contornar a musica alta.

- Bom dia para ti também! - gritou a morena a rir da figura da amiga, que aparentemente estava com cara de quem havia visto um lobo.

- Chamas a isto um bom dia? - ela perguntou em um tom retórico e caiu uma vez mais na cama, puxando os lençóis.

- Nan, Nan! - Maria puxou imediatamente as mantas.

- Fala lá! - a rapariga desistiu. - Mas antes baixa o som.

A jovem desligou então a aparelhagem e saltou para a cama da outra se empolgando toda.

- Sabes que recebeu um prémio ontem e hoje vai jantar comigo?

Roxanna semicerrou os olhos pensativa, não encontrando ninguém em particular, que pudesse receber um prémio ou que fosse jantar com amiga.

- Não faço a mínima! - disse ela dando de ombros.

- O Jasper! - respondeu de olhos brilhantes.

- Espera lá! - Roxanne levantou a cabeça raciocinada. - O teu ex-namorado louco pela ciência informática? - ela balançou a cabeça positiva. - Por essa eu não esperava.

- Eu também não, mas eu aceitei, porque ele não aceitava uma recusa. - disse ela mexendo uma mexa atrás da orelha.

- Vais dizer que não esperavas por isso e que estavas com pensamentos inocentes.

- Também não! - segredou. - Na verdade já esperava isso e por outro lado era o que eu mais queria.
- Vocês dois, hein?! - a rapariga começou com gestos.

- Nada, apenas bons amigos! Bons amigos!

- Sim claro, vou ver se acredito!

- Isso tudo é música para os meus ouvidos.

Por isso ficaram por um longo tempo colocando conversa fora, enquanto o tempo ia passando.

Quando a noite caiu, Jasper veio como o combinado buscar a sua convidada de honra e com gestos cavalheiros saíram no cantar de pneus em rumo ao restaurante, onde a noite era uma criança.

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