Para alguém que nunca saiu de Alabama nem que estou me a sair muito mal, não? Afinal já consegui chegar a Boston sem me perder, o que para mim é como um milagre, ou será mesmo sorte? Ai não gosto nada de pensar que essas coisas boas só acontecem aos outros, afinal também sou tão gente como qualquer uma pessoa por ai. Só um pouco mais bonita que algumas magricelas que se pintam e no resultado de ficarem bonitas apenas ficam mais feias.
Eu sei não posso ser tão mázinha com as outras, mas que posso fazer eu se a minha mãe e o meu pai me fizeram tão bonita. Cynthia tem mais é que razão em dizer que eu tenho mesmo é de abusar um pouco. Até gosto de ver eles se babarem na berma da estrada quando eu passo no meu carro amarelo. Sim, tenho um carro amarelo bem igual ao da Alice lá da Twilight, embora ele não seja um Ferrari.
Gosto mesmo de ser comparada a ela, só me falta mesmo é ter umas presas e sair por ai voando. Literalmente os vampiros não voam, mas sim os morcegos. Ai que tem de sonhar um pouco alto demais?
- Alice vais ficar ai a tarde toda a admirar os meninos que passam sem dar um "tchau"?
Reviro os olhos quando escuto a minha nova amiga interromper os meus delírios. Olho para ela com aquele meu olhar que se fosse de um dos animes do x-men a derreteria de uma vez, mas como não sou nem de perto uma super girl, posso mesmo ser a Alice Brandon que vem do campo e que está deslumbrada com a grande cidade.
- Por acaso estava só a pensar na cor que vou pintar as minhas unhas! Achas que devo usar um vermelho novamente ou mudo para azul?
Petra fica me observando como quem procura algum traço mais marcante que eu desconheça. Na verdade tem alguma coisa pelo qual eu não esteja familizada? Se tem me contem, pois estou sem saber. Ai que assustador.
- Então? - não contive a minha curiosidade E.T.
- Colocaria azul diz melhor com os teus jeans, já para não dizer com os teus olhos.
Acabo por concordar com as justificações dela e sorriso de orelha a orelha sai de mala no ombro para mais uma aula na faculdade nova. Aliás que belas instalações para namorar. Há o que tem? Uma jovem como eu tem mais é que aproveitar o que os buracos de uma escola tem para esconder, não? Além disso tem certas coisas que nem toda a gente pode ver, se é que me entendem.
Na minha sala havia cada brasa que até me subia os calores até aos olhos, imaginem só que precisava de chorar para refrescar aquele clima tropical. Eu sei que muitas pessoas gostavam de ser como eu, mas também gostava de ser menos eu mesma, só às vezes, sim?
- Bom dia meus alunos do 1 ano de Medicina! Sejam bem vindo a esta primeira aula do 1 semestre! Espero que essas férias tenham sido boas e que tragam muita boa energia para aprender estes itens teóricos precisos para o vosso dia a dia como futuros residentes!
Escutar a professora de Anatomia nível 2 era o pior que podiam oferecer no primeiro tempo da manhã, estava carregada de sono, tanto que era que só de olhar para as letrinhas pequenas do livro os meus olhos só tencionavam fechar. O que faço eu se não me habitou de forma alguma a ter de levantar cedo e estar sã? Não nasci propriamente para seguir tudo à risca como o meu pai quer, ou a minha mãe deseja. Ok que o meu primeiro namorado era um ídolo, ele era perfeito, estudava imenso e tinhas altas notas. Em certa parte a minha escolha foi influenciada por sua capacidade autentica.
Sempre achei que teria tanta quanto o meu ex.
Ele era excelente em tudo, seria não, será um perfeito médico quando terminar a sua formatura. O que eu talvez nunca chegue a conseguir se continuar com esta baboseira toda de adormecer nas aulas ou faltar às práticas.
- Senhorita Brandon importa-se de ceder o lugar vago que encontra-se ocupado por seus pés ao novo colega?
Quando dei por mim tinha todos os meus colegas de olhos postos na minha pessoa, e só me apeteceu perguntar o que eu tinha de tão belo para verem, mas foi ai que percebi dos meus pés estavam de facto a bloquear o acento e que não estava propriamente em casa. Oh que chatice.
- Claro! - respondi não causando mais embaraço e ainda consegui fazer a minha avaliação pragmática sobre o moço.
Hum, ele nem era assim tão feio, até era um menino interessante, quer dizer não seria educado usar o termo menino para um rapaz com um físico de deixar qualquer mulher a suspirar. Por outro lado ele não tinha cara de quem havia chegado para ter aulas, ou tinha?
- Olá sou a Alice! - decidi por em prova conversa.
Ele quase nem me olhou, ai que estranho me senti a própria da Bella em Twilight, mas que coisa. O que tem estes homens de agora que viram Edward na realidade? Será que é um vampiro? Oh que disparate, Alice! Vampiros não existem só nos filmes que eu a minha irmã assistimos ou então aquelas séries como o The Originals que são um máximo, ou então True Blood onde a Sookie Stackhouse vira uma telepata? Não, já estou a viajar demais. "Alice volta a terra se faz favor."
- Abram os vossos livros na página 456 por favor! - pediu a professora e consegui mesmo ver por de baixo das minhas pestanas longas e negras ele abrir o livro muito concentrado.
Que coisa, como alguém pode ser tão perfeito? Será que Deus me enviou um Rafael diferente desta vez? É que na fisionomia nada tem haver, mas se for a comparar o intelecto me sinto a mira-lo no espelho de um rio.
Tanto tempo a admira-lo, ele acabou mesmo por cruzar o olhar comigo, confesso, foi constrangedor e nego que senti um click, melhor senti um formigueiro imenso e tive vontade de rir, mas não o pude fazer estava numa aula e em breve teria a minha primeira prova do semestre. Era o meu primeiro ano, não queria causar cabelos brancos ao pobre do meu pai chumbando já. Afinal que boa médica seria eu, não? Já para não falar que desse novo o rapaz que nunca se interessaria por mim. Escandaloso!
- Importas-te de passar o teu livro? - perguntou com uma voz tão grave e tão arrepiante que apenas fiz o que ele pediu sem pestanejar. - Obrigado! - suspirei tão lentamente que me senti a entrar num "déjá vu" como se por um momento esquece-se a necessidade de respirar.
Quando terminou a aula, sai para fora como todos os meus colegas, o vi pelo canto do olho que ele havia seguido um caminho diferente. Qualquer um teria teria ido directo ao bar da faculdade para tomar algo, por uma conversa em dia, mas ele aparentemente não o havia feito. A certa altura até ponderei em segui-lo, mas depois imaginei que ele fosse do tipo que escolhe um lugar calmo para estudar, então deixei-me ficar. Ele podia simplesmente não gostar de ser seguido ou ser constantemente incomodado. Ai como é difícil entender a cabeça de um homem, às vezes. Ou talvez o problema simplesmente reside em mim, por ser tão teimosa, porque sei que no fundo sou mesmo.
- Olá Alice vamos comer alguma coisa? - aproximou Petra.
Não estava com mínima fome, queria ir e ficar vagando na expectativa dele aparecer por ai e na esperança de colocar conversa comigo, seria tão fantástico.
- Alice andas a sonhar novamente? - sofro um beliscão enorme de me deixar dar um dos meus guinchos.
- Ai como isso dói! - passei a mão no meu braço magoado. - Quando queres consegues ser mesmo brutinha! - resmunguei afastando dela sem nem dar mais conversa.
Ainda a escutei algumas vezes atrás de mim a pedir desculpas, mas hoje não sei porque estava no feeling de ser teimosa e mimada com toda a gente. Mas o pior nem havia acontecido ainda, na verdade ainda podia espreitar pela janela.
Tal como temia a fila do banheiro estava completamente cheia, precisava mesmo de entrar e retocar a minha maquilhagem, mas as garotas que se encontravam na minha frente conseguiam ser mesmo teimosas no empurra, empurra. Na sequência disso ainda acabei por ir ao chão, e conclusão, mais uma nódoa negra. Oh como eu ódio andar por ai marcada de pintas.
- Vê-la por onde andas magricela! - resmungou um dos grandões, mas eu nem sequer o estava a ver bem.
- Desculpa lá mas agora vais ter de pedir desculpas para a moça! - uma voz diferente se destacou naquela multidão. Eu a reconhecia de algum lugar, mas ao levantar os meus olhos e colocar as mãos nos ombros logo percebi quem era. Oh não novo aluno tinha vindo ao meu auxilio. - Ainda não percebes-te que foste mal educado com ela? - apertou o colarinho dele. Confesso que aquele ar de macho latino me deixaram em calores.
- Desculpa... - sussurrou baixo o garoto tentando sair de fininho.
- Presumo que ela não tenha escutado suficientemente bem! - afirmou ele cheio de si nunca largando o outro.
Ei não sou assim tão surda, ok? Eu escutei bem e até gostava que ele repeti-se.
- Já pedi desculpa, agora se me dá licença! - e soltou-se olhando-me de lado.
Ele havia ido embora, mas aquele moço ainda aqui estava diante de mim com uns olhos preocupados. Um pouco diferente daquele olhar assustador da aula.
- Está mesmo tudo bem contigo? - perguntou afável ao aproximar sua mão do meu ombro dorido da queda. Corei instantaneamente, ele cujo não sabia o nome ainda era bem simpático.
- Sim, isto vai acabar por passar, apenas terei que ir na enfermaria passar um pouco de gelo para não inchar. - respondi baixo e com vergonha por ter pensamentos tão pouco puros com ele.
- Deixa que eu te acompanho, Alice!
Ouvi-lo dizer o meu nome o meu coração até parou de bater, e os meus neurónios até deixaram de pensar em suas conexões mentais. Como ele sabia o meu nome? Ai, que burra que eu sou, então não é que já havia falado mais cedo na aula? "OH Alice você não corta a língua nunca!"
- Obrigado moço... que ainda não sei o nome... - corei novamente, não tinha como evitar.
- Emmett, Emmett Cullen! - arrepiei ao saber o seu nome.
- Igual ao Emmett fortão marido da linda e perfeita Rosalie Hale? - comecei a rir de mim mesma, mas ele também riu. - Sabes, da saga Twilight! Os Vampiros lindos e voadores! - confinei ao alcançar a porta da enfermaria.
- Aquelas histórias de Crepúsculo? - pergunta coçando a nuca bem confuso.
- Essa mesmo...
Uma enfermeira apareceu e fez algumas perguntas bem chatas, logo ali vi que a minha conversa animadora teria de ter uma pausa. Oh que chato ter de interromper aquilo que me saia tão bem. Emmett era mesmo um fofo, mesmo que ele não fosse lá o outro da história que tal como ele, a Rosalie cuidava bem.
Após ter sido observada, pode finalmente sair, Emmett tal como o espectável havia fico na minha espera, oh que fofo.
- Então? - perguntou ele, eu o olhei confusa. - Tu realmente tencionas seguir medicina?
Ao ouvi-lo perguntar aquilo apenas me vi no fundo de um buraco, ele realmente havia percebido o meu estado de pouco apresso à aula e agora eu me sentia muito mal, por ter passado aquela imagem de mim mesma.
- Estava com imenso sono, não dormi muito a noite passada, então acontece que não consegui nem entender metade da aula. - desculpei-me com a minha pior actuação.
- Entendi!
Emmett não parecia muito confiante na minha resposta, será que ele era realmente um telepata?
Então era o meu fim e se ele descobri-se o que eu andei a pensar a aula toda? Ai que crime ser apanhada sem ter feito nada.
- Alice? - abri instantaneamente os olhos e fiquei nervosa. - Queres uma boleia até casa, estou de carro...
Foi ai que percebi que uma boleia daria um belo jeito já que havia vindo com Petra de auto-bus.
Imaginem só uma garota da minha classe num lugar cheio de outras pessoas. Mas ou faria isso ou teria de vir com alguma vizinha chata a pedido da minha mãe que mesmo estando lá no campo não me deixa em paz.
- Aceito sim! - juntei ambas as mãos caminhando lado a lado com ele para fora do recinto.
Aquele além do meu primeiro dia na faculdade, era também o meu dia de sorte. Às vezes as coisas simplesmente acontecem.

Comentários
Enviar um comentário
Comenta deixa aqui a tua opinião :)