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One Shot - Esme - Dias de Hospital


A vida de enfermeira nem sempre é simples, mas chega a ser gratificante porque sempre conseguimos obter vários objectivos, principalmente aqueles em que os pacientes acabam sendo salvos de mais uns problemas menos fáceis de superar. É claro que ao longo da minha minha vida como residente já vi casos bem mais cabeludos, e que nem sempre obtive o maior sucesso como esperado, mas tinha de ser franca... ainda não tinha poderes que pudessem ajudar para além das nossas capacidades naturais, não tenho sangue de vampiro para curar pessoas, se é que me entendem.

Muito menos sou uma Elena como em "the vimpire diaries" que sendo médica cura toda a gente com o seu sangue. Hello isto aqui não é o sobrenatural. É a realidade, talvez um tanto dura, mas realidade essa que vivemos nossos dias e se a gente não fizer alguma coisa pelos nossos pacientes, eles simplesmente podem não superar. Isso é coisa que não pode acontecer. Afinal que sentido teria a minha vida se não fosse útil?

E falando em dias, não é que chegou um novo médico, um tal de doutor Cullen aqui neste hospital que é lindo como eu todos os dias que passo base e rimel nas minhas pestanas? Claramente que se ele não é um Deus grego, alguém o criou. Mas e inteligente? Oh, céus já começo arrepiar só de pensar.

Por outro lado, ele também me deixa bem tensa em sua presença. Chega a ser um pouco frio para o meu gosto, mas não perde aquele interesse, não. E salvo seja é único homem que me deixa intrigada, e de que maneira.

- Enfermeira Platt, por favor preciso de sua ajuda para levar este paciente para uma ala cirúrgica! - a paramédica de serviço do INEM parecia bem aflita e olhando bem para o paciente em questão dava perceber que ele sucessivamente estava muito mal tratado e que precisava de assistência urgente.

- Por favor deixe comigo! Vou providenciar a autorização de exames! - com a minha plaqueta de serviço anotava os pedidos urgentes.

Entrando na ala de cirurgias encontrei a minha colega de serviço, a enfermeira Meredith que estava responsável por aquela ala. Aliás cada um de nós tem uma responsabilidade na equipa, e no meu caso sou responsável por todos, salvo seja sou a chefe de equipa de enfermagem. Eu mesma Esme Anne Platt, a enfermeira responsável e mais antiga no corpo de residentes do novo hospital de Seattle. Uau agora me senti tão importante.

- Enfermeira Platt, tenho más noticias! - corre uma das residentes com sua bata azul mal vestida. A olhei preocupada, nada podia correr pior que ter um paciente em risco de vida. - O médico de serviço ainda não apareceu e o substituto apenas irá entrar no turno das 11. O que faço agora?

Mordi o meu lábio inferior, não podia deixar uma pessoa ao abandono sem qualquer tipo especifico de cuidados. Isso daria uma má importância ao hospital, além claro de uma situação por negligência podia muito denegrir a imagem e causar grandes estragos. Ser processada numa altura em que a minha carreira entra no auge máximo não fica nada bonito no currículo um incidente assim. Melhor em currículo de pessoa alguma que seja empregue nesse hospital com essas dimensões, independentemente de que cidade fosse.

- Não tem algum médico de outra ala que possa dar algum apoio? - pergunto esperando ter uma resposta positiva.

- Tem sim, o doutor Cullen está disponível neste momento... irei pedir para chama-lo, espero que ele possa realmente nos ajudar! - afirma a auxiliar correndo em seguida pelo corredor.

O doutorzinho está disponível? Oh céus não me digam que até ao final do meu turno terei mesmo que conviver com aquele homem? Não sei se o meu coração aguenta tanta palpitação, é que ele me tira do sério com o seu ar projeccionista. Não sei se aguento tanto olhar pesado em mim. Melhor, não sei se aguento ficar concentrada na sua presença. Ainda acabo fazendo uma sutura no sitio errado. Claro ele deixa-me nervosa.

Já no bloco Carlisle aprontava a sua bata branca para começar assistir o paciente. Uma das assistentes do doutor entrou e começou a passar o material para realizar alguns procedimentos de analise.

Quanto a mim não sei o que me deu, sei que fiquei apenas observando ele como uma tonta, mas uma das minhas amigas foi mesmo desagradável ao dar um cotovelada e gritei. Ups eu estabilizei tudo e todos. E o doutorzinho olhou logo para mim. Ai caiu-me o coração ao chão. Onde fica o buraco mais próximo, mesmo?

- Senhorita Platt está tudo bem? - perguntou ele com um semblante preocupado, embora mantendo o seu ar profissional.

Por um momento até tive vontade em dizer que estava me sentindo muito mal e que iria desmaiar a qualquer instante, mas depois olhando bem para o cenário pouco propicio a romances, balancei a cabeça e esqueci todo o resto. Sai para não me sentir muito tonta na sua presença incapacitante.

Assim que ele terminou o seu serviço e mandou umas das auxiliares levarem o paciente para fazer novos exames, doutor Cullen veio até mim. Bem, eu presentei a sua presença bem atrás de mim, ele respirava tão brandamente, só sei que nesse momento o chão quase fugiu de baixo dos meus pés. E não sei como não tombei só para sentir as suas mãos a segurarem o meu corpo. "Ai Esme estás a ficar cada vez mais taradinha".

- Enfermeira Esme Anne! - estremeci com o modo como ele chamou meu nome. - Importa-se de acompanhar a tomar um café no bar aqui mesmo do hospital no final de seu turno? - voltei a minha atenção a ele com intenção ver bem os seus olhos claros lindos e atraentes, pelo qual estava nesse exato momento a derreter-me.

- Adoraria, mas o que quer de mim exactamente, doutor?

Abusei um pouco da minha presunção, mas queria saber, ok? Afinal esse doutorzinho a convidar-me para tomar café assim a troco de quê? De conversa?

- Conversar sobre trabalho, senhorita Platt! Mas se não poder eu entendo... - ele parecia pronto para virar as costas, então peguei no seu braço, melhor na manga do seu braço.

- Eu aceito! - ele sorriu amável para mim.

- Então no final do seu turno venha ter ao meu gabinete! - acenei que sim, ele afastou gradualmente.

Pior mesmo foi o que aconteceu depois, afinal havia tido plateia assistir aquela conversa. As minhas colegas logo apareçam com sorrinhos e cenas de filmes. Só faltava mesmo a pipoca para aqueles sorrinhos de crianças.

- Olha, olha... quer parecer que a enfermeira Platt está de caso com o doutorzinho Cullen!

- Meninas francamente! - tentei dispersar pensamentos errados, mesmo que desejasse muito que isso fosse verdade. - Parem, é apenas um café e uma conversa de trabalho! Ouviram? TRABALHO!

- Já vi relações começarem por menos! - abri a boca com um "O" de espanto, aquilo era um absurdo se tratando de mim.

Algum tempo que não tinha ninguém na minha vida, ninguém depois de Charles e o fracasso da nossa relação que terminou pelo noivado mesmo. Não sei se Carlisle seria o homem ideal para mim, não depois de tanto que já sofri. Aliás desde o fim do noivado que apenas dediquei a minha vida simplesmente ao trabalho e do trabalho para casa junto do meu gatinho de estimação Silvestre. Sim porque eu tenho um gato na ausência de um de verdade. Ai literalmente falando penso em um homem, ok? Ai que estou eu aqui a pensar.

O meu turno chegou ao fim, e rapidamente na troca fui tirar a minha bata de serviço trocando por uma roupa mais descontraída e confortável. Ainda passei no espelho antes de sair, afinal não queria parecer com um má figura diante dele, ou poderia assusta-lo, e depois nem conversa haveria. Após respirar fundo passei um pouco de maquilhagem e só então sai para me encontrar com ele.

Chegando na porta do gabinete ainda olhei a placa que dizia "Doutor Carlisle Cullen", bati de leve e uma voz muito simpática suou do outro lado dando autorização para entrar. Ele estava diferente, sem aquela bata habitual, o seu cabelo parecia um pouco desgrenhado nada igual ao que sempre usava.

Aparentemente um outro homem, aquele que seria bem capaz de me cruzar na rua sem me sentir mal. Será? Não o reconheceria?

- Se me permite deixe que lhe diga que está bem bonita, senhorita Platt! - o elogiou caiu-me tão bem que corei involuntariamente sem nem mesmo perceber.

- Por favor trata-me apenas por "tu", acho que podemos, não? - ele balançou a cabeça aceitando. - Ótimo, vamos!

Ele segurou o meu braço e seguimos até ao bar do hospital que ficava no andar inferior. Claro que como esperado estava cheio de médicos e outros auxiliares de acção médica. Era a chamada hora da pausa. Carlisle era mesmo um cavalheiro que já puxava a minha cadeira para eu sentar. Se isto fosse um encontro romântico igual ao dos livros que sempre leio antes de dormir, então estava nas nuvens.
E este era o meu romance caindo no pano da realidade. Obrigado Nicholas Sparks por inspirares minhas noites.

- Obrigado! - sorri enquanto pegava da mesa um menu para escolher algo pelo qual beber.

Um empregado apareceu com um bloco de notas nas mãos e perguntou o que desejávamos, então o doutorzinho pediu duas águas tónicas. Novamente comecei a corar como uma adolescente, mas era assim que as mulheres normais se sentiam, não? Eu estava feliz e não criei caso. Ele afastou para ir buscar o pedido.

- Então tem algum tempo que a ando observando e se queres mesmo saber és realmente a mulher mais perfeita que algum dia conheci! - os meus olhos se abriram, e as minhas mãos que seguravam o meu queixo caíram. - A sério, és linda e muito profissional, Esme!

- Vindo de ti aceito esses elogiou com muito agrado, obrigado! - ele pegou a minha mão e acariciou.

 - Desculpa se às vezes sou um pouco inconveniente, mas é a minha postura de médico. - rolei um pouco os olhos concordando com esse facto. - Mas aqui e agora não sou nada disso, sou apenas Carlisle um homem comum que está num encontro com uma outra mulher comum. - aquilo suou-me bem.

- Um homem bem interessante se queres que te diga! - sussurrei mesmo escutando um burburinho de fundo.

Claro já era tema de conversa, mas será que ninguém pode encontrar um casal feliz da vida que logo vai usa-lo para tema? Oh santo Deus! Já não existe descrição como antigamente, não.

- Por um momento pensei que nem mesmo se interessa-se por mim, quer dizer te tivesses interesse por mim. Pensei que pudesses achar do tipo picuinhas. Homem certinho demais... algumas mulheres com as quais convivi acabou afirmando muito isso e por isso mesmo nunca casei, ou mantive um relacionamento muito sério de longa duração.

Aquilo assustou-me um pouco. Não o facto dele ter tido outras mulheres, que como tal isso não é nada da minha conta. Pior foi que ele mesmo ressaltou que não havia tido um relacionamento de longa duração. Eu era romântica e tudo o que ia desejar era ser feliz para sempre, se bem que isso é um tanto não funcional nos dias de hoje, porque nenhum casamento dura para sempre. E mesmo aqueles que duram para lá dos 50, já são de ouro. Tirando isso de sonhar alto, mereço qualquer coisa que resulte em filhos e netos, ok? Quero ter uma família como qualquer mulher por ai, e netos para que possa contar estes episódios quando crescerem. Até já imagino alguma coisa como o primeiro riso, ou a primeira lágrima. Ai quero tanto.

- De facto não foi fácil aceitar o teu tipo, mas confesso que deixavas-me muito ansiosa, e precisei deixar-me guiar e conhecer-te! - confessei saindo lentamente dos meus sonhos acordada. - Espero não estar enganada quanto a isso. Seria duro demais aguentar outra desilusão. - afastei uma mexa do cabelo com a mão livre.

- E fizeste muito bem! - afirma ele debruçando sobre a mesa e agarrar mais firme a minha mão. - No que depender de mim, apenas tenho intenção de a fazer feliz, melhor de te fazer feliz! - sorri mostrando os meus dentes. - Está na altura de assentar cabeça e fixar um amor para a vida.

Podíamos estar mais um tempo naquela conversa toda, que afinal só nos estaríamos a conhecer mais. No entanto o mais interessante veio depois. Afinal sempre dizem que após um café segue-se um beijo, certo? E não é que ao irmos para fora do hospital isso acabou por acontecer? Imaginem e estava a chover. Fiquei completamente ensopada, mas valeu tanta a pena. Aquele sim, foi o dia que me marcou imenso. Afinal descobri que ainda posso ser feliz, e aparentemente nem todos os homens à face da terra são um Charles. Mas que bom que sempre existe um Carlisle para me salvar. Agora sim acredito que o sol quando nasce é para todos.

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