Também descobri a Jo, que era a minha amiga agora, embora no inicio havia sido a minha coordenadora de estágio. Bem aquela pessoa que controla a gente, sabem? Não interessa, vou passar uns pontos à frente... ela está grávida, e bom isso despertou alguns instintos dentro de mim. Quero muito ser mãe, mas como vampira isso torna tudo mais um sonho do que uma realidade prevista.
Também é certo que perdi a minha chance, porque a cura foi tomada pela Katherine e depois olhem só o que aconteceu aquela alma penada.
O pior de tudo nem está ai, está que se descobrisse que afinal havia uma chance, chance essa que não queria desperdiçar de maneira nenhuma. Podia voltar a ser humana, bastava querer, e claro que além da vontade, tinha de convencer o Damon de que esse podia bem ser o nosso caminho a seguir. No entanto tem coisas que eu penso, ele não.
Por exemplo tenho uma carreira, uma vida planeada, já ele o que tem pensado esses ultimos anos? Talvez na quantidade de garrafas de bourbon que pensa gastar, ou na nova quantidade que no próximo ano possa ser produzida?
Não posso dizer que seria uma boa ideia desistir dele só por causa desse tipo de aspectos, porque seria ser muito rebelde e nada condiz com a minha sinceridade. Certamente que nem iria aceitar a proposta e provavelmente impediria a minha realização plena.
Por outro lado ele também sabia que não era da minha vontade ser assim, imortal. Alguém precisava de me escutar, de dar conselhos, mas a quem irei recorrer? Stefan? Sempre posso pedir ajuda a ele, afinal somos amigos e sempre entendemos bem um ao outro. Caroline? As decisões para ela são demasiado fáceis de tomar.
Bonnie? Às vezes esqueço que incrivelmente aqueles dois ficaram amigos. Quem me resta? Alaric? O companheiro de copo do Damon que em breve vai ser pai? Não sei se é boa ideia coloca-lo nesse risco.
- Quem me dera que fosse simples resolver os meus problemas e ser humana num estalar de dedos! - sussurro sozinha ao pegar umas folhas do chão que havia caido da minha mala.
- É só tomares a cura e prometo que estarás frágil e util novamente... - aquela voz era familiar, tão familiar quanto esperado.
Virei-me lentamente para a direção de onde havia saido o som e dou de caras com Lily Salvatore. A mãe de Damon e Stefan. A tão temivel estripadora, e mal criada mãe que havia abandonado os filhos à 177 anos... a mesma que havia forejado a própria morte para fugir com um bando de bruxos que chamava de familia.
- Lamento informa-la sobre esse detalhe, mas a cura foi tomada pela Katherine! - respondi pegando o cafe da mesinha, preparava-me para sair.
Ela sorri e começa a caminhar lentamente até mim. Alguma coisa no seu olhar inspirava pouca confiança, havia malicia até na voz. Algo que havia aprendido a perceber com os irmãos Salvatore.
- Vejo que o meu filho não contou nada a respeito, mas não me questiono mais sobre isso, afinal ele sempre igoista. Não é de agora... - forcei a não revirar os olhos com aquela conversa absurda. - A Bonnie quando voltou troce consigo a cura para o vampirismo. É certo que falo de uma cura que pertence ao ano da minha prisão no sob mundo.
- Não acredito numa unica palavra do que diz, nada disso faz sentido... o Damon seria a primeira pessoa a oferecer-me essa cura, porque ele sabe o quanto desejo ser humana novamente. - estava a começar a ficar sem paciência para aquela mulher.
- Pergunta-lhe, então! - desafiou virando costas e caminhar naquele passo alegre de viuva branca.
Se a intenção de Lily era deixar-me intrigada, realmente havia conseguido com sucesso, porque agora estava mesmo a precisar de uma boa explicação. Damon devia-me isso, sem mais nem menos que a verdade. Se realmente se prova-se que ele tinha a cura que tanto desejo, estava a ser injusto comigo.
Sai apressadamente da mansão Salvatore, ia cheia de nervos pela rua fora. Já não bastava os nervos que sentia por conta de uma entrevista mega importante para o hospital local que agora ainda tinha mais uma preocupação a corroer o figado. "Ora bolas amor porque andas a brincar comigo?"
(...)
Tal como havia pensado anteriormente, o aparelho telefónico dele continuava desligado, já havia caido pelo menos umas 10 mensagens minhas na caixa postal. Caroline bem havia ligado para mim com muitas perguntas sobre a entrevista, mas decidi não dar grandes detalhes, afinal não imaginava como ia ser o resultado. Até porque o diretor havia ficado de dar uma resposta. Embora a minha preocupação estivesse mais direcionada a outro sentido da história propriamente dita.
Indo até ao bar do grill encontro com o Matt ao qual gentilmente serve uma agua, ele havia percebido bem o meu nervoso miudo, mas não tocou no assunto. Pelo menos nisso ele era um amigo de nota 10.
Damon entra dentro do bar na companhia de Bonnie. Aciono o meu ouvido a escutar a conversa de ambos, mas uma reação inesperada me desperta.
- Olá, meu amor! - o meu namorado aproxima passando os braços pelos meus ombros e beijar ao de leve os meus lábios. - Como correu a entrevista? Vais ficar por aqui? - desembrulhou os braços de cima de mim e sentou na cadeira do lado.
- Olá, Elena! - Bonnie passou para outra mesa quando percebeu a minha expressão pouco animadora.
Ainda bem que ela não havia sentado, a raiva que estava sentindo era tão grande que se explodisse acabaria por feri-la também. Se por um momento Damon estava sorridente, por outro já estava de expressão preocupada, se não séria.
- Que cara é essa? - pergunta inocentemente. Tipico dele. Acena ao Matt pendido um bourbon. - Correu assim tão mal?
- Não estou assim por causa da entrevista, Damon! Caso não tenhas percebido a tua mãe falou da cura, e gostava que tivesse sido tu a falar-me disso! Quer dizer sinto-me enganda pelo meu próprio namorado! - revirei os olhos incrivelmente ao confessar a minha irritação. - Quando tencionavas contar-me a respeito disso? Nunca, não é? - ele balançou a nuca como quem prepara discurso do contrário, mas intrevi continuando o meu passo de palavra. - Seja lá o que vais inventar, não gostei, porque sabias o meu desejo de ser humana novamente... aliás tem muito pouco tempo que falei-te a respeito. Olha só a forma generosa que retribuis... parabéns...
- Oh Elena não falei nada mais cedo, porque não sabia como ias reagir... - justificou-se da forma mais esfarrapada. - É claro que sei dos teus desejos e acho muito bonito tudo isso, dou todo o meu apoio caso precises, mas não estou preparado, só isso!
Damon Salvatore não se encontra preparado para quê? Para deixar-me viver a minha vida da forma correcta? Aliás até onde sei, era feliz humana, não foi de minha livre vontade voltar como imortal.
- Olha fica a saber que estou a reagir muito mal por saber que mentis-te para mim, só isso! - levanto da mesa deixando uns trocados para o Matt e saiu.
Mesmo lá no fundo escuto a voz do meu namorado implorando a minha volta, mas estava decidida. Ia embora, não seriam as palavras alegres dele que mudariam aquilo que havia feito a mim. Ele havia errado muito comigo, e isso não ia perdoar tão cedo. Tomaria aquela cura, caso a consiga encontrar e depois, depois talvez pense em partir para outro lugar. Longe talvez, mas tão quanto possivel, pois não dá para viver num lugar onde o igoismo é maior que a honestidade.
(...)
Assim como pensei, busquei pela casa inteira a maldita cura e não é que a encontrei justo na gaveta onde ele esconde as intimidades das suas amigas coloridas? Todas elas antes de mim, claro. Pelo menos até onde sei.
Peguei na pequena caixa e não pensei duas vezes, simplesmente fechei os olhos, abri a tampa e tomei. Depois disso apenas lembro de sentir-me estranha, talvez zonza. A verdade é que a cura começava a criar os seus efeitos. Ocorreu desde logo uma explosão de sentimentos e imagens do meu passado. Era a recuperação das minhas memórias. A minha mortalidade regressava novamente ao meu vinculo, à minha vida, à minha humanidade.
Acabei por sorrir como uma tola naquela hora, não sei explicar, era como sentir-me Elena novamente, aquela garota frágil que inicialmente era triste, pois não aceitava que o mundo vivia sem os pais. Enfim, havia recuperado a minha vida perdida. Não da forma que esperava realizar, porque a pessoa mais importante da minha vida não estava presente. E provavelmente também não estaria para todo o resto, apesar de ter uma outra pessoa no passo da frente, que seria o Stefan, no entanto agora não fazia sentido voltar atrás e buscar aquele amor épico. Contudo, cada um de nós traça o caminho da escolha e até porque dizem que somos o que decidimos.
Desta feita preparava as minhas malas, ia rumar para fora de Mystic Falls, recusar a oportunidade de ficar em casa, pois nada prendia a este lugar. Damon ao contrário do que esperei não lutou tanto por mim, até havia desistido bem fácil. Obviamente que percebeu que não havia espaço para ele na vida que um dia eu morreria. Talvez não esteja preparado para ficar sozinho um dia, mas garanto que não é tão mau assim. Ele sempre teria o irmão, e os outros. Não iria fazer tanta falta assim, e se fizesse, ele que escolhesse melhor ter sido honesto.
Tocam na campainha, ninguém mais além de mim havia dado sinal de vida, então restava apenas à minha pessoa cumprir esse dever. Logo que abri a porta, fui apanhada de surpresa pelo Alaric e Jo.
- Desculpa se viemos em má altura, mas precisamos mesmo de conversar contigo, Elena! - pediu Jo entrando apreensiva, ao qual Alaric a seguia bem atrás.
- Aconteceu alguma coisa, Jo? - perguntei ao fechar a porta e aproximar do casal que sentava no sofá da sala com rosto fechados. - Ok, não precisam de dizer mais nada, já estou preparada para ouvir. - encorajei-me.
- O Damon cometeu uma loucura! - comenta Alaric vendo que a companheira não se encontrava em condições de continuar a contar. - Houve um desentendimento no bar, o Taylor começou a discurtir com ele. Ambos começaram a lutar como loucos.
- Mas o que deu para eles andarem assim? - perguntei uma vez mais sem perceber todo o acontecimento surreal.
- Damon estava revoltado, sim Elena nós dois já estamos a par do que aconteceu à pouco... e antes mesmo que ganhes a oportunidade de começar a falar, digo que é de todo o teu direito em tomar essa cura. Não importa o que aconteça desde que sejas feliz e consciente da nova realidade. - alertou-me ele. - Agora tens de entender que se ele não falou nada antes é por temer a tua perda. Entende, Elena... ele é loucamente apaixonado por ti, faz tudo por ti, ama-te como é capaz de se amar a si mesmo. Só tem medo de chegar à hora de dizer adeus, porque ambos sabemos que isso acontece a nós humanos.
- Certamente Alaric, mas isso não muda em nada o que ele fez. Por favor não o defendas de ser...
- Igoista? Sim, Elena irei defender não apenas por seu meu amigo, por ser companheiro ótimo que é, mas por ser capaz de dar sua vida a sacreficio para te ver feliz. - o meu amigo quando queria era mesmo irredutivel. - Compreende, somos humanos e erramos, com os vampiros passasse exatamente a mesma coisa. - cruzo os braços encarando Jo que permanecia em silêncio. - Só peço para lhe dares uma oportunidade, só isso... - e pega na mão da namorada.
- Como posso ajudar o Damon? - perguntei determinada em dar uma ultima chance, mas só porque alguém de bom coração havia me feito pensar.
E eu que pensava que o companheiro do copo do meu namorado não me faria mudar de ideias. Pois, bem agora enganei-me mesmo.
- Em primeiro lugar deves procura-lo, depois conversar, o resto já sabes! - aconselhou levantando do sofá ao qual Jo acabou por fazer a mesma coisa. - Pensa bem, um erro hoje pode ser o destino incerto de amanhã. Não desperdices as boas oportunidades que a vida está a oferecer. - assenti com a cabeça.
(...)
Olhar novamente as minhas malas percebi que nada faria sentido na minha vida se aquela pessoa por quem o meu coração agora batia tão forte. Acabei por tirar tudo e colocar de volta nas gavetas. Assim que terminei corri escada a baixo e pronta para sair, encontrei Lily de sorriso improvisado.
- Estou a ver que mudas-te de ideias, criança! - afirma enquanto dá uns passos dessimulados até mim.
- Devias mesmo ir embora, agora nem devias arriscar-te tanto! - ameaça com subtil sombra no olhar.
- Ainda por cima estás de relações cortadas com o meu filho, o que torna-te tão vulnerável... - o meu coração parou de bater, gelei.
Damon apareceu inesperadamente seguido por Stefan e Caroline que abrigou-me nos seus braços afastando-me de Lily. Vi com os meus próprios olhos o modo como o meu namorado encarava a progenitora, a sede que o consumia. Queria gritar naquela hora um "mata-a", mas não sentia capaz para isso, não era justo pedir algo assim. Por outro lado quem era ela para merecer piedade de uma pessoa como eu?
- Acaba com ela! - gritei em plenos pulmões.
Stefan segurou firme na própria mãe enquanto o irmão enfiava a estaca no coração da mulher que gritava em agonia. Era horrivel assistir a algo assim. Decidi fechar os olhos para não ver, mas ainda continuava a escuta-la. Foi então que Caroline usando a sua velocidade tirou-me dali.
Apenas recordo de abrir os olhos num lugar completamente diferente, calmo, escuro. Estavamos no parque, era noite.
- Como te sentes? - perguntou pousando ambas as mãos nos meus ombros.
- Um pouco mais calma, mas preciso urgentemente de falar com o Damon, Care! - implorei. - Onde ele está, leva-me até ele... por favor.
- Calma, Elena! - pediu. - Tens de ficar mais calma, ele disse que logo que possivel viria para ver-te! - assenti às suas palavras.
De facto palavras essas que não estavam tão longe da verdade, pois ele caminhava até mim naquele instante, talvez cheio de sangue. Stefan vinha logo atrás e Caroline sorridente saltou para os braços dele. Bem sabia a quimica que existia entre eles. Aquela história de melhores amigos sempre havia sido em ato de tapar os olhos mesmo.
- Meu amor que bom que estás bem! - disse ele abraçando-me forte em seus braços. - Pensei que tinha-te perdido de vez, que nunca irias perdoar-me! - sussurrou contra o meu cabelo. - Amo-te tanto, Elena! - beijei o seu ombro.
- Desculpa Damon, estava de cabeça quente, não devia ter agido daquela forma. Não mereces nem um pouco o que obriguei-te a ouvir! - sussurrei baixo, embora soubesse que escutaria muito bem. - Se soubesses o quanto me arrependo... - ele afastou levemente o meu rosto de seu ombro e segurou as maças do rosto por entre seus dedos, obrigando o meu olhar a fixar-se no seu.
- Mereci, sim... mas gosto que sejas sincera comigo, aprendi que também devo sê-lo contigo, ok?
Agora não importa o que vá acontecer, estarei do teu lado até onde a vida permitir. - fiquei tão feliz em ouvir aquilo. - Fica comigo, só peço isso! - dispensei mais conversas e beijei-o loucamente em nossa paixão ardente.

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